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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Narrativas (mais ou menos) poéticas: uma exposição de Artes na Biblioteca




A partir da consulta e análise de livros de poesia disponíveis na Biblioteca, os alunos do 12º ano do Curso de Artes Visuais criaram, na disciplina de Desenho A, uma composição plástica tendo como suporte uma das páginas do livro. Desenvolvendo desenhos sobre as páginas fotocopiadas, utilizaram várias técnicas, como tachismo, palimpsesto, etc.
O resultado destes trabalhos pode ser visto numa exposição patente na Biblioteca do ECB até finais de janeiro.








quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Recordar Amadeo de Souza-Cardoso no centenário da sua morte



“Nada é absoluto em pintura. Aquilo que era uma verdade para os pintores de ontem, é uma mentira para os de hoje.”
(em entrevista a O Dia, 4 de dezembro de 1916)

Nascido em Manhufe, paróquia de Mancelos, concelho de Amarante, em 14 de novembro de 1887, Amadeo de Souza-Cardoso foi um dos maiores pintores portugueses, a quem se deve a grande rotura no panorama da história das artes plásticas no nosso país. Entre 1906 e 1914 viveu em Paris, cidade onde começou a sua carreira de pintor e foi amigo de grandes nomes das vanguardas europeias. Com a sua irreverência, trouxe a modernidade para Portugal quando, em 1914, regressou de Paris para fugir ao drama da I Guerra Mundial. Morreu prematuramente, aos 30 anos, no dia 25 de outubro de 1918, vítima da epidemia de gripe espanhola (ou pneumónica) que deflagrara nesse ano.

A vida de Amadeo, tão curta, mas tão intensa, acompanha as grandes transformações que ocorrem entre finais do século XIX e inícios do século XX: dos ecos da Revolução Industrial às invenções tecnológicas como a lâmpada elétrica incandescente, o automóvel ou o telefone; dos novos conhecimentos científicos nas áreas das ciências naturais ou da medicina à teoria da relatividade restrita de Einstein ou à Psicanálise de Freud, é todo um mundo de possibilidades em aberto que se apresentam e ao qual as artes plásticas não ficam indiferentes.
Contra o ensino académico, naturalista e realista, defendendo a libertação da sujeição ao real e a independência do artista face ao gosto do público, as vanguardas modernistas vão-se afirmando, mesmo que nem sempre compreendidas e aceites. O início do século XX será o tempo do Fauvismo, do Expressionismo, do Cubismo, do Abstracionismo, do Futurismo, do Dadaísmo e do Surrealismo.

Em Paris, para onde vai viver em 1906 para frequentar o curso de arquitetura (depois de em Lisboa ter frequentado um curso de desenho na Real Academia de Belas-Artes), Amadeo de Souza-Cardoso encontra-se com diversos artistas portugueses que aí se tinham instalado, como os pintores Guilherme Santa-Rita (conhecido como Santa-Rita Pintor), Manuel Bentes, Emerico Nunes, Eduardo Viana ou o escultor Diogo Macedo, desistindo do curso de arquitetura para tentar a carreira de caricaturista ou artista plástico. É também em Paris que conhece o casal Robert e Sonia Delaunay, Constantin Brancusi e Amedeo Modigliani, entre outros artistas de vanguarda.
Em 1911, inaugura no seu ateliê de Paris uma exposição conjunta com Modigliani, recebendo as visitas de Picasso, Apollinaire e André Derain, e participa pela primeira vez numa exposição de âmbito internacional, o XXVII Salão dos Independentes de Munique.



Os Galgos, 1911



Les cavaliers, 1912

1913 é um dos anos mais profícuos da sua carreira e é também o ano da sua internacionalização. Convidado a apresentar a sua obra no Armory Show (International Exhibition of Modern Art, que mostraria pela primeira vez, nas cidades de Nova Iorque, Chicago e Boston, a moderna arte europeia nos Estados Unidos da América, com obras de artistas ligados ao impressionismo, expressionismo, fauvismo e cubismo), aí participa entre fevereiro e maio com 8 quadros, sendo, entre os 300 artistas representados, um dos 10 que mais obras venderam. Ainda no mesmo ano, entre setembro e novembro, participa com 3 obras no Primeiro Salão Alemão de Outono.



Autorretrato, 1913




Cozinha de Manhufe, 1913



Dame, menina dos cravos, 1913




Procissão Corpus Christi, 1913



Barcos, 1913

Em 1914, entre junho e julho, expõe em Londres, no Salão da Allied Artist’s Association. Um mês depois, a Primeira Guerra Mundial apanha-o em Portugal, onde tinha vindo para se casar com Lucie Pecetto. Impossibilitados de regressar a Paris, instalam-se na Casa do Ribeiro, em Manhufe.



Lucie Pecetto




Sobreposição de imagens de Amadeo e Lucie. Manhufe (Amarante, Portugal). 1915.

Em 1915, o pintor russo Kasimir Malevitch “inventa” o Suprematismo, expondo as suas obras na Primeira Exposição Futurista «Carro Elétrico V», em Sampetersburgo, das quais a que mais impressiona o meio artístico é Quadrado Negro sobre Fundo Branco.


Kasimir Malevitch, Quadrado Negro sobre Fundo Branco

É com este pintor que Amadeo de Souza-Cardoso se começa a identificar: ambos têm em comum o objetivo de criar uma arte que seja universal. No entanto, nem Malevitch esquece as suas raízes culturais russas, nem Amadeo se afasta das suas próprias, mais atlânticas. A Máscara do Olho Verde, de 1915, insere-se num conjunto de máscaras primitivas que Amadeo vai buscar às suas referências lusitanas (as antigas máscaras de lata ou madeira da tradição transmontana, nomeadamente os «caretos»), recriando de forma pessoal a sua ideia de máscara, na qual podemos encontrar influências do cubismo ou do expressionismo, mas sem ser uma coisa nem outra.


A Máscara do Olho Verde, 1915

A I Guerra Mundial trouxe também para Portugal o casal Sonia e Robert Delaunay, instalados em Vila do Conde no final do verão de 1915, acompanhados de Eduardo Viana, igualmente regressado do Paris. Os Delaunay, Amadeo e Viana vão formar a cooperativa Corporation Nouvelle (a que se juntará Almada Negreiros).


 Robert Delaunay, Mulher Portuguesa, 1916



Sonia Delaunay, Mercado no Minho, 1915


Através de Almada, Amadeo entra em contacto com o grupo dos “Futuristas” lisboetas, reunidos inicialmente em torno da revista Orpheu, na qual estava previsto colaborar no número 3 (que nunca chegou a ser publicado), envolvendo-se mais tarde noutros projetos editoriais de Almada Negreiros, como a revista Portugal Futurista, publicando trabalhos ou encarregando-se da edição gráfica do folheto satírico, estilo futurista K4. O quadrado azul, inspirado numa obra de Eduardo Viana.



Capa do folheto




Eduardo Viana, K4 Quadrado Azul, 1916
(fonte de inspiração de Almada para o folheto satírico com o mesmo nome)

Será Almada Negreiros que, em dezembro de 1916, publica um manifesto em defesa da pintura de Amadeo, considerando-o «a primeira descoberta de Portugal na Europa no século XX».



Canção popular A Russa e o Fígaro, 1916




Coty, 1917




Sem título, 1917

Em setembro de 1918, Amadeo de Souza-Cardoso vai para a casa da família em Espinho, numa tentativa de fugir à epidemia de gripe espanhola (pneumónica) que grassava na Europa e tinha já feito algumas mortes em Amarante.
No dia 25 de outubro de 1918, poucos dias depois de uma irmã, Amadeo morre em Espinho, vítima da pneumónica que tanto temia (no total, estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas tenham sucumbido em toda a Europa).
Da obra de Amadeo de Souza-Cardoso pode dizer-se que:
  • Pintou reinterpretando e reinventando a realidade;
  • Geometrizou as formas, usou cores vibrantes, decompôs as imagens à maneira cubista, pintou círculos de cor, máscaras de influência etnográfica;
  • Usou colagens, areia, pasta de óleo, inseriu letras;
  • Estilhaçou e decompôs a imagem em múltiplas partes;
  • Morreu demasiado cedo…
Em dezembro de 1916, numa entrevista ao jornal O Dia declarara «Eu não sigo escola nenhuma. As escolas morreram. Nós, os novos, só procuramos a originalidade. Sou impressionista, cubista, futurista, abstracionista? De tudo um pouco. Mas nada disso forma uma escola.»

As mortes prematuras de Mário de Sá-Carneiro, em 1916, e de Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita Pintor em 1918 puseram fim a um primeiro modernismo em Portugal. Almada Negreiros dirá que com eles desapareceu o “fogo sagrado”. Será o mesmo Almada que, juntamente com Eduardo Viana, procurará continuar a herança.

No Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulkbenkian, em Lisboa, encontra-se a maior parte da obra de Amadeo de Souza-Cardoso exposta em Portugal .

Fontes bibliográficas:
Amadeo de Souza-Cardoso. Fotobiografia. Catálogo Raisonné. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 2007
Belém, Margarida Cunha e Ramalho, Margarida Magalhães - Fotobiografia de Amadeo de Souza-Cardoso. Lisboa: Temas e Debates. 2009






sexta-feira, 18 de maio de 2018

Dia Internacional dos Museus


No dia 18 de maio celebra-se o Dia Internacional dos Museus, criado em 1977 pelo Conselho Internacional de Museus – ICOM –, com o objetivo de promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos Museus no seu desenvolvimento. Para 2018, o ICOM propõe o tema - Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos.

Um museu é, na definição do ICOM (2001), "uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem, para educação e deleite da sociedade".

A palavra “museu” tem origem etimológica no grego antigo mouseion. Apesar de a arqueologia revelar que desde os seus primórdios a Humanidade adquiriu o hábito do colecionismo (por exemplo, no Paleolítico os homens primitivos já reuniam vários tipos de artefactos, como o provam achados em sepulturas), é somente a partir da Antiguidade que surgem espaços com um sentido mais próximo do conceito moderno de museu quando, além de colecionar objetos a que atribui valor, seja afetivo, cultural ou simplesmente material, o homem começa a organizar museus enquanto sítios para exposição e preservação de objetos com uma finalidade cultural e educativa.
Na Grécia Antiga o mouseion era um templo das musas, divindades que presidiam à poesia, música, oratória, história, tragédia, comédia, dança e astronomia. Esses templos, bem como os de outras divindades, recebiam muitas oferendas em objetos preciosos ou exóticos, que podiam ser exibidos ao público mediante o pagamento de uma pequena taxa. Os romanos expunham coleções públicas nos fóruns, jardins públicos, templos, teatros e termas. No oriente, onde o culto à personalidade de reis e heróis era forte, reuniam-se objetos históricos com a função de preservação da memória e dos feitos gloriosos desses personagens.
Durante a Idade Média, também resultado das vicissitudes políticas e económicas deste período, a noção de museu quase desapareceu, embora o colecionismo continuasse vivo: por um lado, os acervos de preciosidades eram considerados património de reserva que podia ser convertido em dinheiro em caso de necessidade, como para financiamento de guerras; por outro, muitas coleções se formaram com objetos ligados ao culto cristão, acumulando-se em catedrais e mosteiros quantidades de relíquias de santos, manuscritos iluminados e alfaias litúrgicas em metais e pedras preciosos.
No Renascimento, com a recuperação dos ideais clássicos e a consolidação do humanismo, ressurgiu o colecionismo privado de grandes banqueiros e comerciantes, integrantes da burguesia em ascensão, que financiavam uma grande produção de arte profana e ornamental e se dedicavam à procura de relíquias da Antiguidade. Reis, nobres e burgueses abastados de toda a Europa competiam, como mecenas, na propaganda das suas coleções que se tornaram célebres pela sua riqueza, como a dos Medici, em Florença.


Palácio Medici, Florença


Palácio Medici

É também durante o Renascimento que aparecem os “gabinetes de curiosidades”, ou “salas das maravilhas”, como eram designados os lugares onde, durante a época das grandes explorações e descobrimentos dos séculos XVI e XVII, se colecionava uma multiplicidade de objetos raros ou estranhos dos três ramos da biologia considerados na época, animal, vegetal e mineral, além das realizações humanas. Formavam assim coleções muito heterogéneas e assistemáticas de peças das mais variadas naturezas e procedências, incluindo fósseis, esqueletos, animais empalhados, minerais, curiosidades, aberrações da natureza, miniaturas, objetos exóticos de países distantes, obras de arte, máquinas e inventos, e todo o tipo de objetos raros e maravilhosos. Por isto são considerados os precursores dos atuais museus de arte.


A primeira ilustração de um gabinete de curiosidades,
publicada por Ferrante Imperato em Dell'Historia Naturale, Nápoles, 1599


Um exemplo de um rei-colecionador é Rodolfo II (Viena, 18 de julho de 1552 – Praga, 20 de janeiro de 1612), Imperador Romano-Germânico desde 1575 até à sua morte, além de Arquiduque da Áustria e Rei da Hungria, Croácia e Boémia. Era filho do imperador Maximiliano II e da arquiduquesa Maria da Áustria e foi um dos mais excêntricos monarcas europeus de todos os tempos. Colecionava anões e possuía um regimento de gigantes no seu exército. Rodeava-se de astrólogos, orientava-se pelas ciências ocultas e era fascinado por jogos, códigos e música. Defensor da alquimia, Rodolfo II financiou a impressão de literatura alquimista. Além disso, o seu gosto pelo exótico fez deste Imperador um dos principais protetores e mecenas de Giuseppe Arcimboldo, pintor italiano (1526-1593), considerado por alguns críticos de arte como um dos precursores ou inspiradores do surrealismo, umas das vanguardas europeias do século XX. Uma das principais obras do artista é justamente o retrato de Rodolfo II como o deus romano Vertumnus, pintado provavelmente entre 1590 e 1591 e feito com vários tipos de frutas, legumes, cereais e outros vegetais.


Vertumnus
Giuseppe Arcimboldo (1590–1591)

Outro exemplo de um colecionador particular é o médico e antiquário dinamarquês Olaus Wormius, ou Ole Worm (Aarhus, 13 de maio de 1588 – Copenhaga, 31 de agosto de 1654).
Ole Worm foi de alguma forma um "estudante perpétuo": depois de estudar na escola em Aarhus, continuou a sua educação na Universidade de Marburg; recebeu o título de Doutor em Medicina pela Universidade de Basileia, em 1611, e o título de Mestre em Artes pela Universidade de Copenhaga, em 1617. O resto de sua carreira académica foi feito em Copenhaga, onde aprendeu latim, grego, medicina e física. Foi o médico pessoal do rei Cristiano V da Dinamarca.
Na medicina, as principais contribuições de Worm aconteceram na área da embriologia. Os ossos de Worm (pequenos ossos que cobrem os espaços no crânio) receberam o seu nome em honra do seu contributo para esta área.
Worm tornou-se também conhecido como colecionador de literatura primitiva em idiomas escandinavos. Escreveu vários tratados sobre runas e colecionou textos escritos em alfabetos rúnicos.
Como naturalista, Worm reuniu uma grande coleção no seu "Gabinete de curiosidades", que incluía desde artefatos nativos do Novo Mundo a animais dissecados ou fósseis. Em 1655, já depois da sua morte, é publicado o catálogo do seu Museum Wormianum.
A principal utilidade das coleções de história natural de Worm era a pedagogia.


Frontispício do livro Musei Wormiani Historia
que mostra o quarto das maravilhas de Worm
No entanto, quer os Gabinetes de Curiosidades, quer as galerias privadas de reis, nobres ou burgueses estavam ainda essencialmente dentro dos círculos privados, inacessíveis à população em geral.
Movidas por interesses científicos foram fundadas inúmeras sociedades e instituições, como os jardins botânicos de Pisa (1543) e o de Pádua (1545), a Real Sociedade de Londres (1660) e a Academia de Ciências de Paris (1666), que reuniam as suas próprias coleções.
É durante o século XVII que o museu se consolidou mais ou menos como atualmente o conhecemos.
Em 1671, surgiu em Basileia o primeiro museu universitário e, em 1683, é criado em Inglaterra, pela Universidade de Oxford, aquele que é considerado o primeiro museu moderno com  o objetivo declarado de educar o público, o Museu Ashmolean. O seu acervo era eclético e assemelhava-se aos antigos gabinetes de curiosidades, procedente de várias partes do mundo, reunido pela família Tradescant e previamente exibido na sua casa de Londres.


Museu Ashmolean, Oxford

No século XVIII, o espírito enciclopédico dos iluministas fortaleceu a associação do conhecimento com a razão, a ordem e a moral, favorecendo a formação de acervos sistemáticos e a atuação de instituições culturais com objetivos educativos e públicos.
Importantes museus fundados no século XVIII foram o Museu Britânico, aberto em Londres em 1759, e o Museu do Louvre, em Paris, em 1793, por iniciativa dos respetivos governos.


Museu Britânico, Londres



Museu do Louvre, Paris

O exemplo europeu, por força do colonialismo, frutificou também em territórios do Oriente e na América. Em Jacarta, a Sociedade de Artes e Ciência de Batavia iniciou uma coleção em 1778, que evoluiu para se tornar o Museu Nacional da Indonésia.


Museu Nacional da Indonésia, Jacarta

Na Índia, em 1784 é fundado o primeiro museu, o Museu Indiano, a partir das coleções reunidas pela Sociedade Asiática de Bengal.


Museu Indiano (ou Museu da Índia), Chowringhee - Kolkata, West Bengal

Nos Estados Unidos, a Charleston Library Society da Carolina do Sul anunciou em 1773 a sua intenção de formar uma coleção de produtos naturais para fomentar e promover a agricultura e a medicina da província.


Charleston Library Society, Charleston, Carolina do Sul

Entretanto, os Gabinetes de Curiosidades vão desaparecendo durante os séculos XVIII e XIX, sendo substituídos por instituições oficiais e coleções privadas. Os objetos considerados mais interessantes foram transferidos para os museus de artes e de história natural que começaram a ser fundados.
No século XIX, o museu continuou a sua transformação, expandindo os seus horizontes para incluir novas categorias e temas, e progressivamente abandonando o simples colecionismo para oferecer a exibição e catalogação rigorosamente sistemáticas, possibilitando ao público percorrer roteiros que apresentavam panoramas de toda a história e cultura da humanidade, reservando secções para apresentação das mais recentes conquistas da ciência e tecnologia.
O museu também desempenhou um papel no sentimento nacionalista romântico, contribuindo para a consciencialização popular e a construção de identidades nacionais, reunindo objetos ligados ao património cultural das nações, também como forma de legitimar os seu direito à independência. Pelos mesmos motivos aparece uma profusão de museus regionais e locais, voltados para os interesses de pequenas áreas geográficas.
Até meados do século XX, as práticas colecionistas continuaram a caracterizar-se acima de tudo por uma postura passiva diante da sociedade, seguindo critérios aquisitivos e administrativos vagos e que alguns críticos consideram arbitrários. A partir dos anos 70, assistiu-se a um aprofundamento científico da definição e das potencialidades dos museus enquanto recurso de atuação ativa, interdisciplinar e educativa, sendo lícito considerar esta reorientação como uma verdadeira revolução na conceção do museu público e como a fundação da museologia moderna.

No século XXI, os museus, enquanto espaço e enquanto conceito, têm de acompanhar e refletir as transformações sociodemográficas e tecnológicas. O tema para as comemorações do Dia Internacional dos Museus em 2018, Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos, reflete isso mesmo.
No sítio da Direção Geral do Património Cultural, Ministério da Cultura de Portugal, podemos ler

“Os museus, enquanto parte integrante das suas comunidades, não podem alhear-se da rede global de conexões que caracteriza a sociedade contemporânea, quer no que respeita ao modo de interpretar e apresentar os seus acervos, quer no que se refere aos meios utilizados para cativar novos públicos. A digitalização das coleções, a presença de elementos multimédia nas exposições ou o hashtag são apenas alguns dos recursos proporcionados pelas novas tecnologias.
No entanto, a hiperconectividade dos museus deve ser também entendida no sentido de estes alcançarem uma aproximação mais abrangente aos vários setores da sociedade, cada vez mais sujeita a transformações, nomeadamente com o aparecimento de novas minorias, grupos étnicos ou instituições locais.” 



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Dia dos Namorados - uma exposição na Biblioteca


 O Beijo (1907/1908) - Gustav Klimt

“Qualquer um que desejar saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas e procurar reconhecer nelas o que eu sou e o que eu quero”.
Gustav Klimt
Talvez a obra mais famosa do pintor austríaco Gustav Klimt, O Beijo foi a inspiração para os alunos do 9º ano do ECB comemorarem o Dia dos Namorados.

Exposição patente na Biblioteca do ECB.










Gustav Klimt nasceu em Viena, a 14 de julho de 1862, e morreu na mesma cidade, em 6 de fevereiro de 1918.


Gustav Klimt

Em O Beijo, executado entre 1907 e 1908 e originalmente nomeado Casal de Namorados, Klimt comunica uma sexualidade latente, retratando sensualidade e erotismo: um homem e uma mulher abraçados sob um tapete de flores; o homem inclinado a beijá-la. Críticos e historiadores de arte afirmam que o casal retratado é o próprio Klimt com Emilie Flöge, a sua eterna companheira e musa, que aqui aparece como mulher fatal e submissa. O contorno do homem, definido por ornamentos retangulares, simbolizará a sua masculinidade, impondo movimento no pescoço forte. A mulher, pelo contrário, através de contornos arredondados, é representada de forma passiva - ajoelhada em frente ao homem - num gesto claro de subordinação.
Esta obra integra-se na fase dourada do artista (da qual fazem parte pinturas como O Retrato de Adele Bloch-Bauer I, Judith ou Danaë) e contém na sua composição elementos de ouro, além de detalhes que simulam ametistas, safiras, rubis, opalas e esmeraldas.
Em 1988, 70 anos após a morte do artista, expiraram os direitos de autor da obra e O Beijo passou a ser comercializado de forma massiva, tornando-se estampa dos mais diversos produtos da indústria cultural. A obra original, executada em óleo sobre tela e medindo 180x180 centímetros, está exposta na Galeria do Palácio Belvedere, em Viena, que abriga a maior coleção do mundo com obras do artista.

Para saber mais sobre a obra e o artista, clique em