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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Autoras do mês de outubro - As irmãs Brontë


As irmãs Brontë, pintadas pelo irmão Branwell, em 1834.
Da esquerda para a direita: Anne, Emily e Charlotte (entre elas há a sombra de Branwell).

As irmãs Charlotte (1816-1855), Emily (1818-1848) e Anne (1820-1849) Brontë, filhas de Patrick Brontë (1777-1861) e Maria Branwell (1783-1821), nasceram no início do século XIX, com dois anos de intervalo entre si, e ficaram conhecidas como romancistas e poetisas, tendo publicado as suas obras em datas próximas e, como era comum na época, sob pseudónimos masculinos, cujas iniciais são as das respetivas autoras (Currer Bell, Ellis Bell e Acton Bell).
Em 2016, 2018 e 2020 celebram-se, respetivamente, os bicentenários dos nascimentos das três escritoras. A Biblioteca Nacional de Portugal, em parceria com o Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies, assinala estas efemérides através de uma mostra bibliográfica que decorre entre setembro e novembro de 2018, sob o título Irmãs Brontë: 200 anos.



Filhas de um pastor anglicano de origem irlandesa, as irmãs Brontë viveram a maior parte da infância e juventude em Haworth Parsonage, uma pequena reitoria perto do cemitério de uma aldeia fria e ventosa nas colinas de Yorkshire, onde o pai foi nomeado coadjutor perpétuo na Igreja de São Miguel e Todos os Anjos,em 1820.




A casa da família Brontë, a casa paroquial de Haworth em Yorkshire, atualmente o Brontë Parsonage Museum, visitado anualmente por milhares de pessoas todos os anos.

Patrick Brontë e Maria Branwell tiveram 6 filhos:

Maria, a filha mais velha, nasceu na Clough House, em High Town, no dia 4 de abril de 1814, e morreu em Haworth com 11 anos de idade, em 6 de maio de 1825.
Elizabeth, a segunda filha, nasceu em 1815 e morreu com 10 anos de idade, em 15 de junho de 1825.
Charlotte nasceu em Thornton, perto de Bradford, no dia 21 de abril de 1816. Autora do romance Jane Eyre, a sua obra mais conhecida, e de três outros romances, morreu em 31 de março de 1855, pouco antes do seu 39º aniversário.
Patrick Branwell nasceu em Thornton no dia 26 de junho de 1817. Único rapaz, conhecido como Branwell, era pintor e escritor e raramente trabalhava. Alcoólico e viciado em láudano, morreu em Haworth, no dia 24 de setembro de 1848, aos 31 anos.
Emily Jane, nasceu em Thorton no dia 30 de julho de 1818, e morreu em Haworth, no dia 19 de dezembro de 1848, aos 30 anos. Só conseguiu completar um romance em vida: Wuthering Heights.
Anne, nascida em Thorton no dia 17 de janeiro de 1820, foi poetisa e escritora. Escreveu os romances Agnes Grey e The Tenant of Wildfell Hall. Morreu em Scarborough, no dia 28 de maio de 1849, aos 29 anos.

A morte prematura da mãe e das duas irmãs mais velhas afetou profundamente a família e influenciou a sua educação, assim como contribuiu para o isolamento relativo em que cresceram Charlotte, Emily, Anne e o irmão Branwell.
As três irmãs e Branwell eram bastante próximos e na infância começaram a desenvolver a imaginação através das histórias que ouviam da empregada, Tabitha Ackroyd, e da criação de mundos imaginários que, mais tarde, desenvolveram na escrita. A grande biblioteca do seu pai era uma fonte de conhecimento. Os irmãos leram a Bíblia, Homero, Virgílio, Shakespeare, Milton, Byron, Scott. Charlotte e Branwell começaram a escrever histórias byronianas sobre um país que tinham inventado chamado Angria, ao mesmo tempo que Emily e Anne começaram a escrever artigos e poemas sobre Gondal, o país que também tinham inventado.
No início, estas histórias eram escritas em livros minúsculos do tamanho de uma caixa de fósforos (3,8 x 6,4 cm) e as suas páginas eram cuidadosamente unidas com fio. Para além de escrita, os pequenos livros continham ilustrações, mapas detalhados, esquemas, paisagens e plantas de edifícios. A complexidade das histórias foi evoluindo à medida que a imaginação das crianças se foi desenvolvendo, alimentada também pela leitura das revistas ou dos jornais que o seu pai recebia.
Em 1846, é publicada a primeira obra das irmãs Brontë, uma coletânea de poemas assinados por Currer, Ellis and Acton Bell, pseudónimo masculino que esconde as iniciais das irmãs (Currer – Charlotte; Ellis – Emily; e Acton – Anne) e que utilizam para ultrapassar o preconceito da época: uma carreira na literatura, mais particularmente na poesia, era do domínio masculino e não era apropriada para mulheres.

Capa da 1ª edição

O livro foi um falhanço completo, vendendo apenas três cópias. Porém, isso não desmotivou as irmãs, que continuaram a escrever e, um ano depois, em 1847, todas tinham terminado um livro: Jane Eyre, de Charlotte, foi o primeiro romance a ser publicado, seguido de Wuthering Heights, de Emily, e Agnes Grey, de Anne.

Em 1848, a família Brontë foi atingida pela tragédia. Num espaço de dez meses, três dos quatro irmãos que tinham atingido a idade adulta, faleceram.
O primeiro a morrer foi Branwell, em 24 de setembro de 1848, com 31 anos devido a complicações da bronquite crónica que sofria, apesar de se acreditar que ele poderia ter tuberculose. A família sofreu de tosse e constipações durante esse inverno de 1848 e Emily ficou gravemente doente. A 19 de dezembro Emily faleceu com 30 anos. Na época de Natal, Anne apanhou gripe. Nos inícios de janeiro de 1949, o médico chegou a um diagnóstico de tuberculose, num estado bastante avançado. Anne faleceu no dia 28 de maio de 1849.
Em Junho de 1854, Charlotte casou-se com Arthur Bell Nicholls, o coadjutor do pai. Ficou grávida pouco depois do casamento e a sua saúde começou a piorar rapidamente durante esta altura. Segundo Gaskell, a sua primeira biógrafa, Charlotte sofria de "náuseas permanentes e desmaiava frequentemente." Rejeitando tratamento, Charlotte morreu, juntamente com o filho que esperava, no dia 31 de Março de 1855, com trinta e oito anos de idade. A sua certidão de óbito diz que a causa de morte foi tuberculose, mas muitos biógrafos defendem que a escritora pode ter morrido de desidratação e subnutrição provocados pelos vómitos excessivos de que sofria. Também existem provas de que Charlotte pode ter morrido de febre tifóide que teria contraído com Tabitha Ackroyd, a criada mais antiga da família, que morreu pouco tempo antes dela. Charlotte foi enterrada na campa da família no cemitério da Igreja de São Miguel e Todos os Anjos em Haworth, West Yorkshire, Inglaterra.

Charlotte Brontë


Pintura de George Richmond 

Jane Eyre


Jane Eyre é a autobiografia ficcional da personagem principal. O livro retrata a emancipação da mulher e de seu espírito, ideias contrárias, na cabeça de Charlotte, aos livros de Jane Austen onde, segundo Brontë, as mulheres não eram aptas para trabalhar, devendo casar-se para garantir a sua sobrevivência. Neste livro, Charlotte Brontë, através de Jane Eyre, prova que as mulheres eram perfeitamente capazes de trabalhar e de ter uma vida, independentemente de se casarem ou não.
Jane, órfã de pai e mãe, vive infeliz na casa de uma tia que a detesta. Após um confronto entre as duas, Jane é enviada para uma escola, onde conhece os primeiros momentos de felicidade. Após seis anos como aluna e mais dois como professora, decide procurar uma nova posição. Encontra-a em Thornfield Hall, como preceptora da jovem Adèle, a pupila de Edward Rochester.
Quando conhece Rochester, ambos se apaixonam. Ele propõe-lhe casamento e ela aceita. Contudo, no dia do casamento, Jane descobre que Rochester já era casado, com uma mulher chamada Bertha, que conhecera na Jamaica e que entretanto enlouquecera. Para que ninguém soubesse, ele a mantinha escondida no sótão de Thornfield Hall. Perante isto, Jane decide fugir. Após alguns dias de fome, é recolhida por St John Rivers e pelas suas irmãs. Mais tarde, vem a descobrir que não só herdou dinheiro de um tio, como os seus anfitriões são na realidade também seus primos diretos (algo que todos desconheciam) e, decidida a recompensá-los, divide a herança com estes. St John Rivers decide partir como missionário e levar a prima consigo, como esposa. Jane hesita e resolve descobrir o que se passara com Rochester (pois havia um ano que fugira de sua casa), antes de dar uma resposta ao primo.
Vem a encontrá-lo cego e ao cuidado de dois criados fiéis, pois Thornfield Hall ardera num incêndio provocado por Bertha, e ele perdera a vista e uma das mãos ao tentar salvar todos que lá viviam. Bertha morre ao airar-se de cima da casa que está em chamas, e assim Jane decide assim casar finalmente com Rochester, que recupera a visão quando reencontra Jane, um ano depois do incidente, e após a morte da mulher.

Emily Brontë


Pintura de Branwell

Wuthering Heights


Wuthering Heights (traduzido para português como O Morro dos Ventos Uivantes, O Monte dos Vendavais ou ainda Colina dos Vendavais), lançado em 1847, foi o único romance de Emily Brontë. Hoje considerado um clássico da literatura inglesa, recebeu fortes críticas no século XIX.
O locatário da propriedade de Granja da Cruz dos Tordos, localizada em Gimmerton, Yorkshire, fica adoentado. Durante este período, a governanta Ellen Dean conta-lhe a história que presenciou da propriedade do Morro dos Ventos Uivantes.
No início da trama, o patriarca da família Earnshaw faz uma viagem e, ao retornar, traz consigo um pequeno órfão, que todos acham ser um cigano (a sua procedência, contudo, nunca é revelada ao longo da narrativa). O órfão recebe o nome de Heathcliff. Rapidamente, toda a afeição que o patriarca lhe demonstra provoca ciúmes no seu filho legítimo, Hindley, enquanto, Catherine, a irmã de Hindley, se afeiçoa a Heathcliff.
Quando os pais morrem, Hindley sujeita Heathcliff a várias humilhações. Este passa a ficar bruto e melancólico. Apesar do amor entre ele e Catherine, ela decide casar-se com Edgar Linton, por esse ter melhores condições de sustentá-la que Heathcliff.
Heathcliff parte do Morro dos Ventos Uivantes e, ao voltar, está rico, chamando a atenção de Catherine e despertando ciúmes em Edgar. Catherine e Edgar têm uma filha, Cathy, mas Catherine morre logo depois de dar à luz. Heathcliff fica destruído e decide vingar-se de Edgar e de Hindley. Para fazê-lo, primeiro, casa-se com Isabella, irmã de Edgar. Com o tempo, Isabella lamenta ter-se casado com Heathcliff e, descobrindo-se grávida, decide abandoná-lo. Enquanto está longe, tem um filho, Linton. Hindley cai no vício do jogo e da bebida e perde todos os seus bens para Heathcliff. Hareton, filho de Hindley, consequentemente, fica sem herança. Apesar disso, ele considera Heathcliff uma pessoa de alta moral, não permitindo que se fale mal dele. Antes da morte de Edgar, Heathcliff casa Linton e Cathy. Esta descobre-se sem bens quando Linton morre e Heathcliff apresenta um testamento onde o filho lhe passava tudo que possuía. Heathcliff acaba por morrer sozinho, louco e só. Como último desejo, é enterrado junto com Catherine, o seu grande amor. Deste então, muitos juram ver sempre um casal vagando pelas charnecas do Monte dos Ventos Uivantes.

The Wuthering Heights teve várias adaptações para a televisão e para o cinema, a mais antiga das quais foi filmada na Inglaterra, em 1920, e dirigida por A. V. Bramble. A mais famosa filmagem é a de 1939, com Laurence Olivier e Merle Oberon como protagonistas, sob a direção de William Wyler. Esta adaptação elimina a segunda geração da história (jovem Cathy, Linton e Hareton).
Em 1954 o realizador espanhol Luis Buñuel apesenta uma das adaptações mais interessantes da história, com Heathcliff e Cathy renomeados como Alejandro e Catalina.
A versão de 1992, do realizador Peter Kosminsky, conta com Ralph Fiennes e Juliette Binoche nos papéis principais e banda sonora de Ryuichi Sakamoto.
Na música, o romance de Emily Brontë esteve na origem do álbum Wind and Wuthering, do grupo musical Genesis. Também inspirou uma canção de sucesso, "Wuthering Heights", composta e interpretada por Kate Bush para o álbum The Kick Inside, de 1978, e posteriormente regravada pela banda Angra, no álbum Angels Cry, de 1993.

Anne Brontë


Pintura de Branwell

Agnes Grey


Agnes Grey é um retrato gritante do isolamento, estagnação intelectual e apatia emocional que rodeava muitas das governantas de meados do século XIX.
Um romance escrito num tom muito intimista, a partir da experiência da própria autora, afirmou-se como um marco da literatura que lida com a evolução social e moral da sociedade inglesa da era vitoriana. Narrado na primeira pessoa, sob a perspetiva de Agnes, o livro conta de forma crítica a história de uma aprendiza de preceptora, mostrando os bastidores do ensino de crianças de famílias aristocratas. A história aborda ainda o dilema educação versus caráter e compara a burguesia com a classe mais humilde, como a família Grey.

The Tenant of Wildfell Hall


Capa da 1ª edição

O segundo e último romance de Anne Brontë, The Tenant of Wildfell Hall, considerado um dos primeiros romances feministas, foi publicado em 1848 e um sucesso fenomenal, tendo esgotado em apenas seis semanas.
The Tenant of Wildfell Hall pode ser considerado um dos romances mais chocantes da Era Vitoriana, não só pelo retrato que faz do alcoolismo e da depravação (que feriram profundamente as susceptibilidades da sociedade de meados do século XIX), mas também pela caracterização da sua personagem principal, Helen Graham, que desafiou as estruturas sociais e legais da Inglaterra vitoriana. A heroína do romance de Anne deixa o marido para proteger o filho da sua influência e sustenta-se a si e ao filho ao trabalhar como pintora enquanto vive escondida e com medo de ser descoberta. Ao fazê-lo, a personagem estava a desafiar mais do que convenções sociais: estava a desafiar a lei inglesa. Até 1870, uma mulher casada não tinha uma existência independente legalmente reconhecida: não podia ter propriedades em seu nome, pedir o divórcio ou conseguir a custódia dos filhos. Se uma mulher tentasse viver sozinha, o seu marido tinha o direito de a reclamar como sua propriedade e, se tentasse levar os seus filhos consigo, podia ser acusada de rapto. Se uma mulher vivesse sozinha e com os seus próprios rendimentos, podia ser acusada de roubar o seu marido uma vez que qualquer rendimento era legalmente dele.


sábado, 1 de setembro de 2018

Autor do mês de setembro - José Luís Peixoto







(Foto de Patrícia Pinto, in https://www.facebook.com/joseluispeixoto/photos)

José Luís Peixoto, considerado um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea, nasceu em Galveias, Ponte de Sor, no dia 4 de setembro de 1974.
Após concluir a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de estudos ingleses e alemães, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, foi professor em várias escolas portuguesas e na Cidade da Praia, em Cabo Verde.
Em 2000, publicou a sua primeira obra, Morreste-me. A partir de 2001, ano em que recebeu o Prémio Literário José Saramago pelo romance Nenhum Olhar, dedicou-se profissionalmente à escrita.
A sua obra está traduzida e publicada em 26 idiomas, figura em dezenas de antologias, é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras e tem sido adaptada para espetáculos e obras artísticas de diversos géneros. O romance Galveias foi o primeiro livro de língua portuguesa a ser traduzido diretamente para georgiano, tendo acontecido o mesmo ao livro A Mãe que Chovia, que foi o primeiro a ser traduzido diretamente do português para o mongol.
Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior, e em 2016 recebeu, no Brasil, o Prémio Oeanos com Galveias.
Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores.
As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil).
Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens.
José Luís Peixoto tem também colaborado como colunista em vários órgãos da imprensa portuguesa, como o Jornal de Letras ou as revistas Visão, GQ, Time Out, Notícias Magazine, UP.


Obras
(*) Presentes no catálogo da Biblioteca do ECB
Morreste-me (Prosa, 2000) – (escolhido como um dos 10 livros da primeira década do século XXI pela revista Visão)
Nenhum Olhar (Romance, 2000) – (incluído na lista do Financial Times dos melhores romances publicados em Inglaterra em 2007, tendo também sido incluído no programa Discover Great New Writers das livrarias americanas Barnes & Noble) (*)
A Criança em Ruínas (Poesia, 2001)
Uma Casa na Escuridão (Romance, 2002) – (incluído na edição europeia de "1001 Livros para Ler Antes de Morrer - Um guia cronológico dos mais importantes romances de todos os tempos") (*)
A Casa, a Escuridão (Poesia, 2002)
Antídoto (Prosa, 2003)
Cemitério de Pianos (Romance, 2006)
Cal (Prosa e Teatro, 2007)
Gaveta de Papéis (Poesia, 2008)
Livro (Romance, 2010) (*)
Abraço (Prosa, 2011) (*)
A Mãe que Chovia (Infantil, 2012)
Dentro do Segredo (Viagens, 2012) (*)
Galveias (Romance, 2014) (*)
Em Teu Ventre (Novela, 2015) (*)
Todos os Escritores do Mundo têm a Cabeça Cheia de Piolhos (Infantil, 2016)
Estrangeiras (Teatro, 2016)
O Caminho Imperfeito (Viagens, 2017)







Prémios
Galveias - Prémio Oceanos - Prémio de Literatura em Língua Portuguesa 2016 (Brasil)
Livro - Prémio Libro d'Europa 2013 (Itália)
A Criança em Ruínas - Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores 2013 (Portugal)
Gaveta de Papéis - Prémio de Poesia Daniel Faria 2008 (Portugal)
Cemitério de Pianos - Prémio Cálamo 2007 (Espanha)
Nenhum Olhar - Prémio Literário José Saramago 2001 (Portugal)

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Autor do mês de Agosto



"O meticuloso exercício da escrita pode ser a nossa salvação."


Considerada a escritora mais vendida de língua espanhola, Isabel Allende nasceu na cidade de Lima, Peru, no dia 2 de agosto de 1942. De ascendência chilena, a carreira de diplomata do pai (Tomás Allende, primo do presidente Salvador Allende) levou a família a deslocar-se por vários países. Em 1945 regressaram ao Chile, país onde Isabel Allende viveu até ao golpe militar que, em setembro de 1973, derrubou o governo de Salvador Allende e levou Augusto Pinochet ao poder. O clima de terror e de insegurança instaurado obrigou Isabel Allende, juntamente com o marido, Miguel Frías, e os seus dois filhos, a abandonar o Chile, refugiando-se em Caracas, na Venezuela, onde Isabel iniciará a sua produção literária. Em 1988, após o divórcio, foi viver para a Califórnia, onde se casou com o americano Willie Gordon, adquirindo a nacionalidade norte-americana.
Em 1982, publicou o primeiro romance, A casa dos espíritos, baseado numa carta que escreveu para o avô que estava a morrer e inspirado nas lembranças de infância e juventude passadas no velho casarão familiar, onde viveu com os avós e tios, rodeada de uma atmosfera liberal e intelectual que cedo despertaram o seu interesse pela literatura. O facto de a carta para o avô ter sido escrita no dia 8 de janeiro leva Isabel Allende a começar todos os livros novos nesse dia, não apenas por uma questão de superstição, como diz, mas também de disciplina.
Apesar de ter cerca de trinta títulos publicados, traduzidos em trinta e cinco línguas, com vendas superiores a mais de 60 milhões de cópias em todo o mundo, a sua carreira de escritora começou apenas quando tinha quase quarenta anos. Antes, tinha trabalhado como redatora e colunista para jornais e para a televisão e escreveu obras para o teatro e contos infantis.
Desde a publicação de A casa dos espíritos, e sobretudo após a sua adaptação ao cinema, em 1993, pelo realizador dinamarquês Bille August, com Jeremy Irons e Meryl Streep nos papéis principais (com grande parte das filmagens feitas em Lisboa e no Alentejo), Isabel Allende é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980, com uma obra marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que, em 1973, derrubou o governo de Salvador Allende e levou Augusto Pinochet ao poder.
Questões como a liberdade, a justiça, a lealdade, a violência, o amor e a morte são alguns dos temas recorrentes nos seus livros. Isabel Allende é uma autora consciente do mistério que nos rodeia a todos, por isso também escreve sobre coincidências, premonições, sonhos, emoções, o poder da natureza e a magia. Os seus romances estão repletos de mulheres poderosas à procura do amor e do seu lugar na sociedade.

Obra publicada
(*) disponível no catálogo da Biblioteca do ECB

Romances
1982 - A Casa dos Espíritos (*)
1983 - A Lagoa Azul
1984 - De amor e de sombra (*)
1987 - Eva Luna (*)
1991 - O plano infinito (*)
1995 - Paula (*)
1998 – Afrodite (*)
1999 - Filha da fortuna (*)
2000 - Retrato a sépia (*)
2002 - A cidade dos deuses selvagens (*)
2003 - O reino do dragão de ouro (*)
2004 - O bosque dos Pigmeus (*)
2005 - Zorro, começa a lenda (*)
2006 - Inés da minha alma
2007 - A soma dos dias
2009 - A ilha debaixo do mar (*)
2011 - O Caderno de Maya (*)
2014 - O Jogo de Ripper (*)
2015 - O Amante Japonês (*)
2017 - Para além do inverno (*)

Memórias
2003 - O meu país inventado (*)

Contos
1984 - La gorda de porcelana
1989 - Contos de Eva Luna (*)

Teatro
1971 - El embajador
1973 - La balada del medio pelo
1974 - Los siete espejos
2004 - Los Tomates Del Fábio Cagón

Prémios e distinções
Premio Nacional de Literatura de Chile (2010)
Medalha Presidencial da Liberdade (EUA, 2014), a mais importante distinção civil dos Estados Unidos da América, atribuída pelo Presidente Barack Obama.

A obra de Isabel Allende é muitas vezes integrada na corrente do realismo mágico, da qual fazem parte autores como o cubano Alejo Carpentier, os argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges ou o colombiano Gabriel García Márquez.
O realismo mágico, escola literária surgida no início do século XX, também é conhecido como realismo fantástico ou realismo maravilhoso, e é considerado a resposta latino-americana à literatura fantástica europeia. Esta corrente desenvolveu-se fortemente nas décadas de 1960 e 1970, como produto de duas visões que conviviam na América hispânica e também no Brasil: a cultura da tecnologia e a cultura da superstição. Surgiu também como forma de reação, através da palavra, contra os regimes ditatoriais que proliferaram na América Latina durante este período.
Apesar de aparentemente desatento à realidade, o realismo mágico partilha algumas características com o realismo épico, como a intenção de dar verossimilhança interna ao fantástico e ao irreal, diferenciando-se assim da atitude niilista assumida originalmente pelas vanguardas do início do século XX, como o surrealismo.
Algumas características têm sido identificadas, presentes em muitas obras do realismo mágico:
  • Conteúdo de elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens;
  • Presença de elementos mágicos algumas vezes intuitivos, mas nunca explicados;
  • Presença do sensorial como parte da perceção da realidade;
  • Realidade dos acontecimentos fantásticos, embora alguns não tenham explicação ou sejam improváveis de acontecer;
  • Perceção do tempo como cíclico ao invés de linear, seguindo tradições dissociadas da racionalidade moderna;
  • Distorção do tempo para que o presente se repita ou se pareça com o passado;
  • Transformação do comum e do quotidiano numa vivência que inclui experiências sobrenaturais ou fantásticas;
  • Preocupação estilística, partícipe de uma visão estética da vida que não exclui a experiência do real.

Apesar de considerado um produto da literatura latino-americana, segundo alguns críticos, o realismo mágico terá influenciado escritores europeus, como o italiano Italo Calvino, o checo Milan Kundera ou o inglês Salman Rushdie.

Obras disponíveis no catálogo da Biblioteca do ECB

A casa dos espíritos


Nesta surpreendente obra de estreia, Isabel Allende constrói um universo repleto de espíritos, de personagens multifacetadas e humanas, entre elas Esteban Trueba, o patriarca, que vive obcecado pela terra e pela paixão absoluta pela mulher, Clara, que ele sente sempre estar para lá do seu alcance.
Clara é a matriarca esquiva e misteriosa, dotada de poderes sobrenaturais, que prediz as tragédias da família e estabelece o destino da casa e dos Trueba. Blanca, a sua filha suave e rebelde, nutre um amor pelo filho do capataz do seu pai, o que provoca o desprezo de Esteban, mesmo quando deste amor nasce a neta que ele adora: Alba, uma beleza luminosa e uma mulher ardente e voluntariosa.
As paixões da família Trueba, as suas lutas e segredos desenvolvem-se ao longo de três gerações e de um século de violentas mudanças. Num contexto de revolução e contrarrevolução, a autora dá vida a uma família unida por laços de amor e ódio mais complexos e duradouros que as lealdades políticas que a poderiam separar.

De amor e de sombra


O segundo romance de Isabel Allende relata a apaixonada relação de duas personagens dispostas a arriscar tudo em nome da justiça e da verdade, num país onde as detenções arbitrárias e execuções sumárias são uma prática constante.
A jornalista Irene Beltrán provém de uma família burguesa, mas isso não impede Francisco Leal, um jovem fotógrafo e membro da resistência, de se apaixonar por ela. A partir de uma reportagem rotineira, um mundo estranho, oculto pelo discurso oficial, é-lhes revelado, fazendo-os sentir-se responsáveis perante os factos cruéis que se sucedem. É nas sombras do poder, do abuso e das injustiças que o amor de Irene e Francisco se aprofunda.

Eva Luna


Em Eva Luna, obra marcada por um profundo humanismo, Isabel Allende recupera o seu país através da memória e da imaginação. Eva, a cativante protagonista da narrativa, constitui um nostálgico alter ego da autora, pois também ela acredita que radica nas histórias o segredo da vida e do mundo. Filha da selva, do analfabetismo e da pobreza, Eva luta tenazmente por conquistar o seu espaço no mundo, sem nunca perder o encanto feminino.

Contos de Eva Luna


Se em Eva Luna Isabel Allende narra a vida aventureira de uma jovem latino-americana que encontra a amizade, o amor e o sucesso no mundo graças às suas qualidades como contadora de histórias, em Contos de Eva Luna, a autora volta a presentear-nos com um valioso tesouro. Nesta memorável coletânea de histórias, reencontramos várias das personagens já conhecidas dos leitores, como Rolf Carlé, o fotógrafo marcado pelos horrores da guerra, Riad Halabí, o árabe de coração compassivo, a professora Inês ou o Benfeitor.
Narrados com prodigiosa imaginação e ternura, estes contos confirmaram Isabel Allende como uma das escritoras mais admiradas em todo o mundo.

O plano infinito


Explorando pela primeira vez uma realidade distante do mundo sul-americano que lhe é tão familiar, Isabel Allende conduz-nos até à Califórnia da segunda metade do século XX, seguindo os passos de duas famílias: a do pregador Reeves que percorre o Oeste num velho camião, anunciando um Plano Infinito que justifica a existência humana; e a dos Morales, imigrantes mexicanos que vivem num bairro hispânico marcado pela violência.
Gregory Reeves, a personagem central do livro, cresce à sombra da pobreza e da negligência. Quando decide que o futuro só pode estar longe do bairro hispânico onde vive, e onde não passa de um “gringo”, parte em busca de algo melhor. O plano de que o seu pai tanto falava parece ser mais real do que Gregory gostaria de acreditar, e tudo acontece como se o destino estivesse traçado, sem que ele consiga evitar a sucessão de más decisões que afetam a sua vida.
Depois de um casamento falhado, da guerra do Vietname, da dor de perder um amigo e ver morrer tanta gente, Gregory regressa ao seu passado, sem aprender nada com os erros cometidos. Só mais tarde, quando é obrigado a enfrentar a realidade, começa a perceber que o seu destino depende apenas de si mesmo, e que o Plano Infinito pode afinal ainda estar em aberto.

Paula


Escrito para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar-se dos factos. Paula passou por isso a ser considerado também um retrato autobiográfico da autora. Foi após a morte da filha que criou uma fundação que apoia mulheres no mundo todo, a Fundação Isabel Allende.

Afrodite


Um passeio deslumbrante por receitas, histórias, e dissertações que aliam gastronomia e sensualidade, onde os pratos, assim como o preparo dos mesmos, adquirem todo um contexto afrodisíaco.
Em Afrodite, Isabel Allende presenteia-nos com receitas que primam pela leveza e pelo equilíbrio entre aromas, sabores e texturas, como prefácio incisivo e determinante de um ritual de sedução. Mas mais do que isso, ou numa sintonia paralela, a autora conta-nos histórias, mostra-nos poemas, faz citações, compilando tudo num relato poético e bem-humorado, que nos contagia e nos desperta para a consciência da capacidade que possuímos em exacerbar toda a sensualidade que nos é latente, bastando para isso que, em nome do amor, saibamos recorrer às ferramentas que a conduzem.
Como a própria autora propõe: “apetite e sexo são os grandes motores da história, preservam e propagam a espécie, provocam guerras e canções, influenciam religiões, lei e arte. (...) Gula e luxúria, que tantas loucuras nos fazem cometer, têm a mesma origem: o instinto de sobrevivência”.

Filha da Fortuna


Eliza Sommers é uma jovem chilena que vive em Valparaíso em 1849, ano em que se descobre ouro na Califórnia. O seu amante, Joaquin Andieta, parte para o Norte decidido a fazer fortuna e ela decide segui-lo. A viagem infernal, escondida no porão de um veleiro, e a procura do amante numa terra de homens sós e de prostitutas, atraídos pela febre do ouro, transformam a jovem inocente numa mulher fora do comum. Eliza recebe ajuda e afeto de Tao Chi’en, um médico chinês que a amparará ao longo de uma viagem inesquecível pelos mistérios e contradições da condição humana.
Filha da Fortuna é o retrato palpitante de uma época marcada pela violência e pela cobiça, onde os protagonistas redescobrem o amor, a amizade, a compaixão e a coragem. Num romance ambicioso, Isabel Allende descobre um universo fascinante, povoado de estranhas personagens que, como tantas outras da autora, ficarão para sempre na memória e no coração dos leitores.

Retrato a sépia


Um romance histórico ambientado no Chile de finais de século XIX, Retrato a sépia é uma saga familiar onde reencontramos algumas das personagens de Filha da fortuna e de A casa dos espíritos.
Aurora del Valle sofre um trauma brutal que determina o seu caráter e apaga da sua mente os primeiros cinco anos de vida. Criada pela sua avó, Paulina del Valle, Aurora cresce num ambiente privilegiado, livre das limitações que oprimem as mulheres da sua época, mas atormentada por pesadelos horríveis. Quando tem de enfrentar a traição do homem que ama e a solidão, decide explorar o mistério do seu passado.
Obra de uma dimensão humana extraordinária, Retrato a sépia eleva a narrativa da autora ao auge da perfeição literária.

Trilogia As Memórias da Águia e do Jaguar

A Cidade dos Deuses Selvagens


Depois de a sua mãe adoecer, o jovem Alexander Cold parte com a extravagante avó Kate numa expedição da International Geographic à selva amazónica, em busca de um estranho animal que muito pouca gente viu e a que os indígenas chamam «a besta». Os outros membros da expedição dirigida por um petulante antropólogo são dois fotógrafos, uma bela médica, um guia brasileiro e a sua surpreendente filha Nadia, com quem Alexander trava uma amizade especial. Entre as missões da expedição está também a de vacinar os escorregadios índios, conhecidos como «o povo do nevoeiro».
Uma história emocionante, que alerta para os problemas ecológicos e para o drama terrível da extinção das tribos índias da região do Amazonas como consequência direta da exploração desenfreada e irresponsável praticada pelos brancos. A Cidade dos Deuses Selvagens é uma viagem repleta de perigos, maravilhosas experiências e espetaculares surpresas.

O Reino do Dragão de Ouro


A estátua do Dragão de Ouro permanece oculta num pequeno e misterioso reino encravado na Cordilheira dos Himalaias. Segundo reza a lenda, este magnífico objeto, um poderoso instrumento de adivinhação incrustado de pedras preciosas, guarda a paz destas terras. Uma paz que agora, devido à cobiça na alma dos homens, pode vir a ser perturbada.
Em O Reino do Dragão de Ouro, Isabel Allende convida-nos a entrar numa dupla aventura. Alexander Cold, a sua avó Kate e Nadia Santos, os protagonistas de A Cidade dos Deuses Selvagens, voltam a reunir-se. O leitor viverá com eles as suas peripécias e vicissitudes, na beleza nua e límpida das montanhas e vales dos Himalaias, agora na companhia de novos amigos.
Mas a escrita mágica da autora também desvela o valor e a simplicidade dos ensinamentos budistas através do lama Tensing, mestre e guia espiritual de Dil Bahadur, o jovem herdeiro do reino, a quem dá a conhecer os valores da compaixão, do respeito pela Natureza, da vida e da paz.

O Bosque dos Pigmeus


Depois da Amazónia e dos Himalaias - cenários dos primeiros livros da trilogia -, desta vez a aventura decorre em África, onde Nadia e Alexander acompanham a avó Kate em mais uma expedição da International Geographic. Uma série de peripécias e os ciúmes de um elefante vão animar a semana que o grupo passa num safari. Mas o aparecimento de um padre espanhol vai alterar completamente os planos de terminar a reportagem e voltar para a capital, arrastando todo o grupo para um bosque misterioso habitado por pigmeus. Aí, e seguindo o rasto de dois missionários desaparecidos, instalam-se numa aldeia governada pelo rei Kosongo, pelo comandante Mbembelé e pelo bruxo Sombe, um triunvirato assustador que escraviza os pigmeus e o seu próprio povo para enriquecer com o contrabando.
Em O Bosque dos Pigmeus, o livro que encerra a trilogia As Memórias da Águia e do Jaguar, Isabel Allende faz-nos descobrir novamente um mundo mágico e misterioso.

O meu país inventado


O amor pelo Chile e uma grande nostalgia são a origem deste livro. A presença contínua do passado, o sentimento de ver-se ausente da pátria, a melancolia por essa perda, a consciência de ter sido peregrina e forasteira: em O Meu País Inventado, Isabel Allende recolhe toda a emoção causada pelo seu afastamento e transmite-a com inteligência e humor. Analisado pelo olhar e pelas recordações da autora, o Chile torna-se um país real e simultaneamente fantástico, uma terra estoica e hospitaleira, de homens machistas e mulheres fortes, apegadas à terra. Mas, essencialmente, é o cenário da sua infância que aparece retratado: evocados com graça, aqui ganham vida de novo a sua original família, a casa dos avós, o cerimonial dos almoços, as histórias entrelaçadas, a do seu país e a sua própria, num tom intimista, de poética confissão autobiográfica.

Zorro, começa a lenda


Califórnia, ano de 1790: tem início uma aventura numa época fascinante e turbulenta, com personagens cativantes e de espírito indômito, e um homem de coração romântico e temperamento firme chamado... o Zorro. Isabel Allende lança mão de seu talento literário para narrar a história do maior e mais famoso herói de todos os tempos. Zorro: Começa a lenda é uma aventura sem igual, para leitores de todas as gerações. A autora resgata a figura do cavaleiro mascarado e, com ironia e sensibilidade, cria um personagem superior à própria lenda. Aventureiro, apaixonado, intrépido e brincalhão. É a trajetória do Zorro. E esta é a crónica de uma vida extraordinária em tempos excecionais: a de um nobre despojado da sua máscara. Um relato que começa no ano de 1790, em terras da Alta Califórnia, quando um jovem capitão espanhol se apaixona por uma índia de alma rebelde. Zorro é o retrato de personagens de carne e osso, com virtudes e fraquezas, sensíveis e impetuosas, que nos arrastam em suas aventuras através de uma época vibrante. Com a sua habitual maestria, Isabel Allende revela-nos a vida simples das missões espanholas na Califórnia no início do século XIX e a agitação nas ruas de uma Barcelona ocupada pelas tropas napoleónicas em plena Guerra da Independência; os ritos de iniciação das tribos indígenas e os mistérios para o acesso a uma sociedade secreta europeia; a espiritualidade de um código de honra sem fronteiras e as contradições da alma humana... Zorro: Começa a lenda, de Isabel Allende, é uma aventura como as de antigamente.

A ilha debaixo do mar


Zarité foi vendida aos 9 anos a um rico fazendeiro de Saint-Domingue. No entanto, não conheceu o esgotamento das plantações de cana nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e conhecer as misérias dos amos, os brancos. Isabel Allende dá voz a uma mulher lutadora que singrará na vida, apesar das partidas do destino. Zarité é uma heroína que, contra todas as adversidades, conseguirá abrir caminho para alcançar a liberdade.

O Caderno de Maya


"Sou Maya Vidal, dezanove anos, sexo feminino, solteira, sem namorado por falta de oportunidade e não por esquisitice, nascida em Berkeley, Califórnia, com passaporte americano, temporariamente refugiada numa ilha no sul do mundo. Chamaram-me Maya porque a minha Nini adora a Índia e não ocorreu outro nome aos meus pais, embora tenham tido nove meses para pensar no assunto. Em hindi, Maya significa feitiço, ilusão, sonho, o que não tem nada a ver com o meu caráter. Átila teria sido mais apropriado, pois onde ponho o pé a erva não volta a crescer."

Maya Vidal, americana de 19 anos, filha de um chileno e de uma dinamarquesa, criada com muito amor pelos avós paternos, Nini e Popo, num casarão em Berkeley. Com a morte do avô, a avó caiu numa depressão e Maya revoltou-se. Más companhias levam-na a cometer atos delinquentes, a conhecer as drogas e a promiscuidade, acabando num centro para menores. Fugiu desse centro em Oregon, foi para Las Vegas, onde acabou a trabalhar para um traficante de droga e falsificador de dinheiro, logo assassinado por dois dos seus “colaboradores”, Maya teve que fugir. Sua avó enviou-a para a ilha de Chiloé no Chile, para fugir dos traficantes. Na casa de Manuel Arias, descobriu-se a si mesma, o amor e o desamor, o misticismo do povo chileno, a história da sua família, além da história da ditadura no Chile, comandada pelo general Pinochet.

O Jogo de Ripper


Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navyseal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade.
Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.

O Amante Japonês


Em 1939, quando a Polónia capitula sob o jugo dos nazis, os pais da jovem Alma Belasco enviam-na para casa dos tios, uma opulenta mansão em São Francisco. Aí, Alma conhece Ichimei Fukuda, o filho do jardineiro japonês da casa. Entre os dois nasce um romance ingénuo, mas os jovens amantes são forçados a separar-se quando, na sequência do ataque a Pearl Harbor, Ichimei e a família - como milhares de outros nipo-americanos - são declarados inimigos e enviados para campos de internamento. Alma e Ichimei voltarão a encontrar-se ao longo dos anos, mas o seu amor permanece condenado aos olhos do mundo.
Décadas mais tarde, Alma prepara-se para se despedir de uma vida emocionante. Instala-se na Lark House, um excêntrico lar de idosos, onde conhece Irina Bazili, uma jovem funcionária com um passado igualmente turbulento. Irina torna-se amiga do neto de Alma, Seth, e juntos irão descobrir a verdade sobre uma paixão extraordinária que perdurou por quase setenta anos.
Em O amante japonês, Isabel Allende regressa ao estilo que tanto entusiasma o seu público, relatando de forma soberba uma história de amor que sobrevive às rugas do tempo e atravessa gerações e continentes.

Para lá do inverno


«No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível.»

Isabel Allende parte desta frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.
Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.
Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.