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domingo, 1 de abril de 2018

Autor do mês de abril - Marguerite Duras




“Sou mais escritora do que vivente, que uma pessoa que vive. Naquilo que vivi, sou mais escritora do que alguém que vive. É assim que eu me vejo.”

Considerada uma das principais vozes femininas da literatura do Século XX, Marguerite Duras, pseudónimo de Marguerite Donnadieu, nasceu em Saigão, atual cidade de Ho Chi Minh, Vietname, no dia 4 de abril de 1914, e morreu em Paris, a 3 de março de 1996. Publicou mais de 50 títulos, entre romances, ensaios, peças de teatro e argumentos para cinema. Foi também realizadora.

Os pais de Marguerite Duras emigraram para a colónia francesa da Indochina (atualmente Vietname), numa fase em que o governo francês concedia incentivos à emigração para aquela colónia asiática de forma a consolidar a sua presença no território. O pai viria a morrer pouco tempo depois de lá terem chegado, pelo que Duras cresceu com a mãe, professora, e os seus dois irmãos. As condições de vida, difíceis e precárias, agravadas após a mãe perder um investimento feito numa propriedade no Cambodja, e que marcaram a sua infância e adolescência, percorrem parte da obra da escritora, incluindo alegadas agressões que sofreu por parte da mãe e do irmão mais velho. Quase toda a sua obra é autobiográfica: a infância, o pensionato em Saigão, a descoberta da sexualidade; a vida em Paris, a dor e o sofrimento da Segunda Guerra Mundial, o marido que regressa de Dachau; os filhos que morreram; a depressão, o alcoolismo; o encontro com o último amante a derradeira paixão. E a memória, sempre a memória em cada palavra, em cada título.


Com a família



Aos 17 anos Marguerite emigrou para França, onde estudou Matemática, Ciências Políticas e Direito.
Quando completou os estudos, foi trabalhar para o departamento do governo francês relativo à colónia da Indochina. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou para o Governo de Vichy,ao mesmo tempo que fazia parte da Resistência Francesa contra as forças nazis.

Marguerite Duras publicou o seu primeiro livro, Les Impudents (Os Insolentes, em português), em 1943, ou seja, ainda durante a guerra. Este seria o primeiro de um vasto número de peças, filmes, entrevistas, ensaios, pequenos contos de ficção e romances que escreverá até 1995.


A obra Os Insolentes gira em torno de personagens que se encontrarão noutros romances da autora: a relação mãe/irmão mais velho, a personagem de Maud que reaparecerá também noutros romances, uma mulher que é vítima de uma «armadilha» que a transcende, uma mulher ignorante de si mesma.
A crítica considera que o universo de Duras está todo nesta primeira obra onde se assiste ao nascimento de uma voz que, no início dos anos 40, era francamente invulgar.

Em A Vida Tranquila, a segunda obra que publicou, Marguerite Duras constrói um romance sereno, onde a paixão funciona no próprio comportamento das personagens, marcadas pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa (ainda a Indochina, sempre a Indochina...).




Em 1950, é publicado aquele que foi considerado o primeiro grande romance de Marguerite Duras, Uma Barragem contra o Pacífico, obra autobiográfica onde o delta de Mekong, no Vietname, é o pano de fundo da narrativa e expõe a difícil vida logística e material da família, para além dos caminhos mais ou menos transparentes que a mãe tenta descortinar para superar essa débil situação. É também uma narrativa sobre o passado colonial francês, onde cada um procurava
“o seu quinhão da herança de espaço e mundos novos, ou tão só um lugar seu, onde viver e trabalhar, um canto da planície, entre a floresta e o Pacífico, só com o Sol por cima e hectares de terra fértil a perder de vista, onde apenas haveria que produzir, criar uma família (e, naturalmente, enriquecer) sem problemas nem políticas, sem a sensação de desespero e asfixia das metrópoles [...]” e onde, “face à monstruosidade insensível do Pacífico e à transparência mesquinha das suas existências de «brancos pobres» sem horizontes, mais não possuem entre mãos e no corpo do que a raiva surda, que só jovens que batam com a cabeça contra um muro tão duro e tão pouco sólido como o Pacífico podem conhecer, uma raiva que é surda porque não há onde nem a quem reclamar contra a fraude. Precisamente porque «a mãe» morre, a lutar até à insanidade, para dar corpo a uma perfeita loucura — uma barragem que detivesse o Pacífico! —, acreditando em si mais do que no sonho, é verdade, e dessa luta inglória retirando todo um orgulho inútil e toda uma liberdade que é só riso da sua própria situação” (da badana da edição portuguesa de 1988, Difel).



O romance A Dor, publicado em 1985, é um diário, íntimo e pungente, carregado de sofrimento, de uma mulher (a própria Duras) que, nos finais da Segunda Guerra Mundial e após saber por um resistente chamado François Mitterrand que o marido está vivo no campo de concentração de Dachau, espera por um homem morto ou um homem vivo e o que recebe é «uma espécie de árvore morta embrulhada num cobertor: o marido. Algo que está justamente entre a vida e a morte».
Encontrei este diário em dois cadernos dos armários azuis de Neauphle le G'hâteau.
Não me lembro de o ter escrito.
Sei que o fiz, fui eu que escrevi, reconheço a minha escrita e os pormenores daquilo que conto, volto a ver o local, a gare de Orsay, os trajectos, mas não me vejo a mim a escrever este Diário. Quando é que o escrevi, em que ano, a que horas do dia, em que casa? Já não sei nada.
Não me parece pensável - e isso é certo, evidente - que possa ter escrito este texto enquanto esperava por Robert L. Como é que pude escrever esta coisa a que ainda não sei dar nome e que me apavora quando a releio. E como é que pude deixar ficar este texto tantos anos abandonado naquela casa de campo que regularmente se inunda no Inverno.
A primeira vez que me lembrei dele foi porque a revista Sorciéres me pediu um texto de juventude.
A Dor é uma das coisas mais importantes da minha vida. A palavra "escritos" não seria adequada. Encontrei-me frente a páginas regularmente cheias de uma letra pequena extraordinariamente regular e calma. Encontrei-me frente a uma fenomenal desordem do pensamento e do sentimento, em que não ousei tocar - e face a ela, a literatura envergonha-me. (Marguerite Duras, do Prefácio)


"La douleur est une des choses les plus importantes de ma vie."


Em 1959, o cineasta francês Alain Resnais realiza Hiroshima Meu Amor, a sua primeira longa-metragem, a partir de um guião escrito por Marguerite Duras, que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original. O filme, protagonizado por Emmanuelle Riva, tem o mérito de, mantendo-se fiel à visão de Duras, a ter dotado de imagens icónicas cuja beleza nada fica a dever às palavras escritas.



Uma mulher, uma atriz, está em Hiroshima no pós-guerra a rodar um filme sobre a paz e vive um romance com um homem casado, um arquiteto japonês. O passado é, em Hiroshima, um fantasma que a persegue.
Hiroshima Meu Amor é, assim, um filme sobre um filme, uma história de amor impossível sobre outra história de amor impossível que, num cenário após os bombardeamentos americanos, recorda a ocupação da França pelo exército alemão. Na vida que regressou ao normal, na cidade plenamente reconstruída, onde a catástrofe não é mais do que uma memória longínqua que se afugenta, há uma ameaça eminente de que o que Hiroshima viveu seja esquecido. Hiroshima tem de ser lembrada sempre, como o têm de ser todas as grandes tragédias. Mas a vida teima em cobrir os acontecimentos desagradáveis com um véu apaziguador. Até que não restem mais do que sombras. Até que comecemos a duvidar que o que aconteceu aconteceu realmente.


Embora considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema, um dos grandes ícones do cinema francês e um dos mais famosos e influentes da Nouvelle Vague, foi retirado da competição oficial do Festival de Cannes em 1959, sendo apenas apresentado e sem poder concorrer à Palma de Ouro, por ser “politicamente incorreto”, pois podia “ofender descendentes alemães”. Não deixa de ser curioso, num filme que nos leva a meditar sobre a capacidade de perdoar e o valor da memória...

Marguerite Duras também realizou cerca de quinze filmes em nome próprio, como India Song, de 1975, que retoma a história de amor que encontramos em O Vice-Cônsul (romance publicado em 1965), uma história de amor imobilizada no culminar da paixão, vivida na Índia, nos anos 30, numa cidade sobrepovoada nas margens do Ganges, entre Anne-Marie Stretter, mulher do embaixador de França nas Índias, e o vice-cônsul de França em Lahore.



Em 1992, o cineasta francês Jean-Jacques Annaud realizou o filme O Amante, a partir do romance homónimo de Duras, publicado em 1984.


Saigão, anos 30. Uma bela jovem francesa conhece o elegante filho de um negociante chinês. Deste encontro nasce uma paixão. Ela tem quinze anos e é pobre. Ele tem vinte e sete e é rico. Os amantes, isolados num mundo privado de erotismo e autodescoberta, desafiam as convenções da sociedade. Enquanto ela desperta para a possibilidade de traçar o seu próprio caminho no mundo, para o seu amante não há fuga possível. A separação é inevitável e tragicamente cadenciada pelos últimos acordes da presença colonial francesa no Oriente.


Indochina: a travessia do rio Mekong


A jovem é a própria autora e este é o relato exacerbado de uma paixão inquieta e dilacerante. De tão etérea, a sua realidade gravar-lhe-ia no rosto marcas implacáveis de maturidade. Para o mundo, fica uma obra que contém toda a vida.

Este romance, de cariz autobiográfico, relato de um tempo e de um mundo perdido, foi vencedor do prestigiado Prémio Goncourt em 1984, galardão atribuído em França a um autor de grande virtude imaginativa no género da prosa. Em 1991, Marguerite Duras viria a reescrever esta história com a publicação de O Amante da China do Norte.


Marguerite Duras morreu no dia 3 de março de 1996, com 81 anos, em Paris, e foi sepultada no cemitério de Montparnasse. Na sua última obra, C’ est Tout (É tudo), publicada em 1995, confronta-se a escritora e a morte, a obra e a vida vividas. Obra de despedida, é acima de tudo um livro de amor, livro oferecido a Yann Andréa, com quem Duras viveu durante dezasseis anos, entre 29 de Julho de 1980 e 3 de Março de 1996, dia da morte da escritora.


Escrevi durante uma vida inteira.
Como uma imbecil, fiz isso.
Também não é mau ser assim.
Nunca fui pretensiosa.
Escrever durante uma vida inteira ensina a escrever.
Não salva de nada.

Vem amar-me.
Vem.
vem para este papel branco.
Comigo.

Dou-te a minha pele.
Vem.
Depressa.

Diz-me adeus.
É tudo.
Não sei mais nada de ti.

Parto com as algas.
Vem comigo.

Acabou.
Tudo acabou.
É o horror.

Amo-te.
Adeus.

(Excertos de C' est Tout, as últimas palavras)


Yann Lemée (Andréa foi o nome que Duras lhe atribuiu), 38 anos mais novo, era um estudante de Filosofia quando, em 1975, leu o livro de Duras Os Cavalos de Tarquínia. O fascínio que então o arrebatou levou-o a procurar todos os livros de Duras. Encontraram-se pela primeira vez nesse mesmo ano, quando a escritora foi ao cinema Lux, em Caen, onde foi exibido India Song, para participar num debate. Yann pensou levar-lhe flores, mas não teve coragem. No final da sessão pediu-lhe um autógrafo no livro Détruire, dit-elle e disse-lhe que gostava de lhe escrever. Duras deu-lhe a morada de Paris. No dia seguinte, Yann escreveu-lhe pela primeira vez e nunca mais parou, durante cinco anos até 1980, ano em que ela lhe respondeu pela primeira vez, enviando-lhe Homme assis dans le coulouir (O homem sentado no corredor). Ele não sabia o que pensar do livro e não lhe respondeu. Em Julho, ganhou coragem, telefonou-lhe e ela pediu-lhe que fosse ter com ela. Ela tinha 66 anos, ele 28 e era homossexual. A partir de então, viveram juntos até à morte da escritora.


Marguerite Duras e Yann Andréa

Em 1992, Duras escreveu Yann Andréa Steiner, romance em que descreve a sua relação com Yann Andréa, num período em que ele a ajudou a ultrapassar crises de alcoolismo e depressão. Em 1983, Yann Andréa tinha publicado M.D., escrito durante um período em que Duras esteve hospitalizada com tinha crises de alucinação.
Aquele Amor, o segundo livro de Andréa, publicado em 1999, é a sua obra mais famosa: uma longa carta a uma morta (Duras), uma morta que continua presente na vida desse homem que foi inventado por ela (Yann) e que a seguir à morte dela ficou sem vida para além da dela.

Obras de Marguerite Duras
(a negrito, as obras que constam do catálogo da Biblioteca do ECB)

Romances
  • Os Insolentes, 1943
  • Vida tranquila, 1944
  • Uma Barragem contra o Pacífico, 1950
  • O marinheiro de Gibraltar, 1952
  • Os cavalos de Tarquínia, 1953
  • Des journées entières dans les arbres, "Le Boa", "Madame Dodin", "Les Chantiers", 1954
  • O jardim, 1955
  • Moderato Cantabile, 1958
  • Les Viaducs de la Seine et Oise, 1959.
  • Dez horas e meia numa noite de verão, Paris, 1960
  • Hiroshima mon amour, 1960 (guião)
  • L'après-midi de M. Andesmas, 1960
  • A ausência de Lol V. Stein, 1964
  • Théâtre I: les Eaux et Forêts-le Square-La Musica, 1965
  • O Vice-Cônsul, 1965
  • A amante inglesa, 1967
  • Théâtre II: Suzanna Andler-Des journées entières dans les arbres-Yes, peut-être-Le Shaga-Un homme est venu me voir, 1968.
  • Destruir, diz ela, 1969
  • Abahn Sabana David, 1970
  • O amor, 1971
  • Ah! Ernesto, 1971
  • India Song, 1973
  • Nathalie Granger, suivi de "La Femme du Gange", 1973.
  • Le Camion, suivi de Entretien avec Michelle Porte1977.
  • L'Eden Cinéma, 1977
  • Le Navire Night, suivi de Cesarée, les Mains négatives, Aurélia Steiner, 1979.
  • Vera Baxter ou les Plages de l'Atlantique, 1980.
  • O homem sentado no corredor, 1980
  • Verão 80, 1980
  • Les Yeux verts, Cahiers du cinéma, n.312-313, juin 1980
  • Agatha, 1981
  • Outside, 1981
  • O homem atlântico, 1982
  • Savannah Bay, 1982
  • La Maladie de la mort, Les Éditions de Minuit, 1982
  • Théâtre III: La Bête dans la jungle, d'après H. James, adaptation de J. Lord et M. Duras,-Les Papiers d'Aspern,d'après H. James, adaptation de M. Duras et R. Antelme,-La Danse de mort, d'après A. Strindberg, adaptation de M. Duras, 1984.
  • O amante, 1984.
  • A dor, 1985
  • La Musica deuxième, 1985.
  • Olhos azuis, cabelo preto, 1986
  • La Pute de la côte normande, 1986.
  • A vida material, 1987
  • Emily L, 1987
  • La Pluie d'été, 1990
  • O amante da China do Norte, 1991
  • Yann Andréa Steiner, 1992
  • Escrever, 1993
  • É tudo, 1995

Filmes
  • La Musica (1967)
  • Détruire, dit-elle (1969)
  • Jeune le soleil (1972)
  • Nathalie Granger (1972)
  • La Femme du Gange (1974)
  • India Song (1975)
  • Son nom de Venise dans Calcutta désert (1976)
  • Des journées entières dans les arbres (1976)
  • Le Camion (1977)
  • Baxter, Vera Baxter (1977)
  • Les Mains négatives (1978)
  • Cesarée (1978)
  • Le Navire Night (1979)
  • Aurelia Steiner (Melbourne) (1979)
  • Agatha et les lectures illimitées (1981)
  • L'Homme atlantique (1981)
  • Il Dialogo di Roma (1982)
  • Les Enfants (1984)















quarta-feira, 14 de março de 2018

Dia do Pi



O Dia do Pi celebra-se em todo o mundo a 14 de março.
A escolha desta data para o Dia do Pi prende-se com o facto de a notação americana das datas ser MM/DD e não DD/MM. Assim, nos EUA, a notação do dia 14 de março é 3/14, a aproximação mais conhecida de Pi (3,141592653589793238462643383...).
A primeira comemoração do Dia do Pi aconteceu em 1988, em São Francisco, no Museu Exploratorium, por proposta do físico norteamericano Larry Shaw, considerado por muitos o "Príncipe do Pi". Em 2009, o Congresso dos Estados Unidos ratificou a designação do dia 14 de março como o “National Pi Day”. Desde então, esta comemoração tornou-se internacional.

Para celebrar o dia com a NASA, clique em:


Especialmente para estudantes, a NASA, através do Jet Propulsion Laboratory, do California Institute of Technology, propõe alguns desafios onde, usando o Pi, se podem resolver problemas de matemática estelares enfrentados pelos cientistas e engenheiros da NASA. Conheça-os em:











quinta-feira, 8 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


O tempo é agora!

“Alcançar a igualdade de género e capacitação das mulheres e das meninas é a tarefa inacabada do nosso tempo e o maior desafio dos direitos humanos no nosso mundo.”
António Guterres, Secretário Geral da ONU

Desde 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher a 8 de março.

Em 2018, ano em que questões como o assédio sexual, a violência e a discriminação contra as mulheres captaram as atenções e o discurso público, ocorrendo um movimento global sem precedentes por direitos, igualdade e justiça para as mulheres, a ONU Mulheres decidiu que o tema do Dia Internacional da Mulher deste ano é “O tempo é agora: ativistas rurais e urbanas transformam a vida das mulheres”.
Iniciativas como os movimentos #MeToo, nos Estados Unidos; #EuTambém, no México, Espanha e América Latina; #QuellaVoltaChe, na Itália; #BalanceTonPorc, na França; #Ana_kaman, nos Estados Árabes; e “Ni Una Menos”, na Argentina, mobilizam pessoas em todo o mundo através de protestos e campanhas globais.

Segundo a agência das Nações Unidas para as mulheres (ONU Mulheres), “o Dia Internacional da Mulher de 2018 é assim uma oportunidade para transformar esse impulso em medidas concretas de capacitação de mulheres de todos os ambientes — rural e urbano — e de reconhecer as ativistas que sem descanso reivindicam direitos e desenvolvimento pleno”.
Neste ano, o Dia Internacional da Mulher chama também a atenção para os direitos e o ativismo das mulheres rurais, que constituem mais de 25% da população mundial e que, cultivando as terras e plantando sementes para alimentar as populações, garantem a segurança alimentar das suas comunidades e geram resiliência face às alterações climáticas. Apesar disso, se a diferença mundial de salário entre mulheres e homens se situa em 23%, nas áreas rurais pode chegar até 40%. Em praticamente todos os indicadores de desenvolvimento, as mulheres rurais estão atrasadas em relação aos homens rurais e às mulheres urbanas, devido à permanência das desigualdades de género e da discriminação.
As mulheres rurais lutam hoje pelo seu direito a um nível de vida adequado, uma vida sem violência ou práticas nocivas, assim como o seu acesso à terra e aos bens produtivos, à segurança alimentar e à nutrição, ao trabalho decente, à educação e à saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva.
Segundo a ONU Mulheres, “Este é um momento em que milhares de mulheres valentes da indústria cinematográfica, do teatro e das artes começaram a elevar as suas vozes contra o abuso e as agressões sexuais por parte de homens poderosos do setor. No âmbito das mulheres rurais, estas vozes encontram um poderoso aliado na Aliança Nacional de Camponesas, uma organização norte-americana de camponesas que conhece bem o abuso de poder”.
Assim, uma vez mais no dia 8 de março, a ONU Mulheres e ativistas em todo o mundo unem-se para aproveitar a oportunidade, celebrar os avanços, tomar medidas e transformar a vida das mulheres. O tempo é agora!, conclui a agência das Nações Unidas.

Vídeo sobre o International Women’s Day 2018: The Time is Now:





História do Dia Internacional da Mulher:





quinta-feira, 1 de março de 2018

Autor do mês de março – Alexandre Herculano


Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa, no dia 28 de Março de 1810, e morreu na Quinta de Vale de Lobos, Santarém, em 18 de Setembro de 1877. Encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, para onde foi transladado em 6 de Novembro de 1978.
As invasões francesas (1807-1811), o consequente domínio inglês e a difusão das ideias liberais, vindas sobretudo de França e que conduziriam à Revolução de 1820, marcaram a sua infância e juventude, assim como toda a sua vida literária.
Se hoje é recordado e estudado principlamente como escritor, historiador, ensaísta e poeta do romantismo português, a sua vida passou também pelo combate político, destacando-se na luta contra o absolutismo e envolvendo-se nas guerras que opuseram liberais a miguelistas. Em 1831, participou na revolta de 21 de Agosto protagonizada pelo Regimento n.° 4 de Infantaria de Lisboa contra o governo de D. Miguel, o que o obrigará, após o fracasso daquela revolta militar, a exilar-se, primeiro em Inglaterra e, mais tarde em França; em 1832, de regresso a Portugal, junta-se ao exército liberal e participa na expedição militar comandada por D. Pedro IV que desembarcou, em 8 de Julho de 1832, na praia do Mindelo.
Identificando-se com a ala esquerda do Partido Cartista (defensor da Carta Constitucional de 1826, promulgada por D. Pedro IV), foi eleito deputado às Cortes pelo Partido Cartista em 1840, mas demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a atividade parlamentar. Foi preceptor do futuro Rei D. Pedro V e um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856.
Nomeado por D. Pedro IV como segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto, aí permaneceu até ter sido convidado a dirigir a revista O Panorama (1837-1868), revista de caráter artístico e científico de que era proprietária a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela própria rainha D. Maria II.
Recebeu uma formação de índole essencialmente clássica (Latim, Lógica e Retórica) e literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária. Com os estudos de Diplomática, empreendidos aos 18 anos na Torre do Tombo, aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Em 1839, o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, permitiu-lhe prosseguir trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados entre 1846-1853.
Herculano foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal, na senda do que haviam feito Walter Scott (1771-1832), poeta e romancista escocês que escreveu, entre outros, Ivanhoe, ou o francês Vitor Hugo (1802-1885), autor do romance histórico Nossa Senhora de Paris e que lhe terá servido também de modelo.
Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo no nosso país, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.
Em 1838, publicou o seu primeiro livro de poesia, A Harpa do Crente, e vê levada à cena, em Lisboa, a peça O Fronteiro de África ou três noites aziagas.



Em 1843 publicou O Bobo e, entre 1844 e 1848, O Monasticon, obra que integra aquele que é considerado a obra maior do romance histórico em Portugal no século XIX, Eurico o Presbítero, além de O Monge de Cister.



Em 1846, publica o primeiro volume de uma das suas obras mais notáveis, História de Portugal, obra que introduz a historiografia científica em Portugal. O prestígio que lhe advém desta publicação leva a Academia das Ciências de Lisboa a nomeá-lo seu sócio efetivo em 1852 e a encarregá-lo da recolha dos Portugaliae Monumenta Historica (coleção de documentos valiosos dispersos pelos cartórios conventuais do país), projeto que empreende em 1853 e 1854, e que começará a ser publicado em 1856. Publica ainda História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, entre 1854-1859.



Na obra Lendas e Narrativas, publicada em 1851 e composta por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas, Alexandre Herculano abordou vários períodos da história da Península Ibérica, sendo evidente a sua preferência pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa e escolha comum entre os românticos.



Também em 1851, publicou O Pároco de Aldeia.
Entre 1836 e 1860, publicou dez Opúsculos, dedicados ao que chamou Questões Públicas, Controvérsias e Estudos Históricos, Literatura.
Em 1867, após o seu casamento com D. Mariana Meira, e desiludido com a vida pública, retira-se definitivamente para a sua quinta de Vale de Lobos (Azoia de Baixo, Santarém) para se dedicar (quase) inteiramente à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual. Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, em 1871 interveio contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária

Em Vale de Lobos viria a morrer de pneumonia, em 13 de Setembro de 1877.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

20 de fevereiro – Dia Mundial da Justiça Social




"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade".

Paulo Freire, pedagogo e filósofo brasileiro (1921-1997)

Em novembro de 2007, a Organização das Nações Unidas instituiu o dia 20 de Fevereiro como o Dia Mundial da Justiça Social, com o objetivo de promover a reflexão sobre a necessidade de existir Justiça Social em todos os países do mundo. As principais metas para a realização da Justiça Social são a eliminação da pobreza, o acesso a emprego digno, a eliminação de todo o tipo de discriminações e também melhorar o bem-estar da população. Para tal, a Organização das Nações Unidas aposta em iniciativas para a difusão e o incentivo de políticas de inclusão social e proteção dos mais pobres e desafortunados, garantindo assim que os que têm menos acesso sejam incluídos no ciclo do desenvolvimento.
A falta de justiça social afeta ainda hoje muitos países no mundo e de forma mais grave aqueles que enfrentam regimes de governo não democráticos, onde os esforços têm sido intensificados para melhorar as condições de vida da população.
Do ponto de vista da ética e justiça social, o respeito pelos direitos humanos deve ser uma das bases de qualquer sociedade, pois somente a partir dele se pode garantir a vida com dignidade e a eliminação dos abusos e, por consequência, da desigualdade.
A educação é uma das bases para a promoção da Justiça Social pois é através da educação que os seres humanos se desenvolvem como cidadãos e adquirem condições de acesso a um emprego digno, garantia também de uma vida plena e realizada.

Em 2108, a Organização Internacional do Trabalho (organismo especializado da ONU) celebra o Dia Mundial da Justiça Social lembrando os cerca de 150 milhões de trabalhadores migrantes em todo o mundo.


Saiba mais em

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Dia dos Namorados - uma exposição na Biblioteca


 O Beijo (1907/1908) - Gustav Klimt

“Qualquer um que desejar saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas e procurar reconhecer nelas o que eu sou e o que eu quero”.
Gustav Klimt
Talvez a obra mais famosa do pintor austríaco Gustav Klimt, O Beijo foi a inspiração para os alunos do 9º ano do ECB comemorarem o Dia dos Namorados.

Exposição patente na Biblioteca do ECB.










Gustav Klimt nasceu em Viena, a 14 de julho de 1862, e morreu na mesma cidade, em 6 de fevereiro de 1918.


Gustav Klimt

Em O Beijo, executado entre 1907 e 1908 e originalmente nomeado Casal de Namorados, Klimt comunica uma sexualidade latente, retratando sensualidade e erotismo: um homem e uma mulher abraçados sob um tapete de flores; o homem inclinado a beijá-la. Críticos e historiadores de arte afirmam que o casal retratado é o próprio Klimt com Emilie Flöge, a sua eterna companheira e musa, que aqui aparece como mulher fatal e submissa. O contorno do homem, definido por ornamentos retangulares, simbolizará a sua masculinidade, impondo movimento no pescoço forte. A mulher, pelo contrário, através de contornos arredondados, é representada de forma passiva - ajoelhada em frente ao homem - num gesto claro de subordinação.
Esta obra integra-se na fase dourada do artista (da qual fazem parte pinturas como O Retrato de Adele Bloch-Bauer I, Judith ou Danaë) e contém na sua composição elementos de ouro, além de detalhes que simulam ametistas, safiras, rubis, opalas e esmeraldas.
Em 1988, 70 anos após a morte do artista, expiraram os direitos de autor da obra e O Beijo passou a ser comercializado de forma massiva, tornando-se estampa dos mais diversos produtos da indústria cultural. A obra original, executada em óleo sobre tela e medindo 180x180 centímetros, está exposta na Galeria do Palácio Belvedere, em Viena, que abriga a maior coleção do mundo com obras do artista.

Para saber mais sobre a obra e o artista, clique em