menu

Mostrar mensagens com a etiqueta Inicio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inicio. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de junho de 2019

AS ARTES E A BIBLIOTECA: PROJETO FORMAR LEITORES



No final do ano letivo, apresentamos os trabalhos que os alunos do 3º Ciclo realizaram na disciplina de Educação Visual, no âmbito do Projeto "Formar Leitores", e que estiveram expostos na Biblioteca.


7º ano - A GRAMÁTICA DA BANDA DESENHADA
prancha, tiras, vinhetas ,balões e planos











8º ano - ILUSTRAÇÕES E CRIAÇÕES

A partir da leitura de livros como “Sexta-feira ou a vida selvagem”, de Miguel Tournier; “A história de Robinson Crusoé e do seu criado Sexta Feira” de Daniel Defoe; “As minas de Salomão” de Rider Haggard; “Cinco Semanas em Balão”, “Viagem à Lua”, “Volta ao Mundo em 80 dias” ou “Viagem ao Centro da Terra”, de Júlio Verne, os alunos do 8º ano apresentam uma ilustração de um excerto da história, representada em três vinhetas. Na primeira vinheta, o aluno narra o conteúdo do excerto, na segunda e na terceira será da imaginação do aluno.



9º ano - “EROS E PSIQUÊ”

Tendo como ponto de partida a escultura “Eros e Psiquê”, do artista italiano Antonio Canova, os alunos do 9º ano apresentaram na Biblioteca uma Exposição com várias reinterpretações desta obra do século XVIII e que se encontra exposta no Museu do Louvre, em Paris.
Escolhendo um pormenor da escultura, pretendia-se um desenho de observação feito num suporte de cartolina preta com várias durezas de grafite ou com um elemento riscador a lápis pastel, procurando assim o contraste.





Trabalhos realizados pelos alunos do Curso de Artes Visuais do Ensino Secundário, na disciplina de Desenho A, no âmbito do Projeto Formar Leitores, e que estiveram expostos na Biblioteca.

11º ano - LEVANTAMENTO DE UM PAINEL CERÂMICO

A partir do livro ANTONI GAUDÍ, de Rainer Zerbst, os alunos do 11º ano do curso de Artes realizaram uma desconstrução de um painel de azulejo português, aplicando a técnica do arquiteto catalão conhecida por “Trencadis”. Os trabalhos, executados a lápis de cor e aguarela sobre papel, estiveram expostos na Biblioteca do ECB.








12º ano - NARRATIVAS POÉTICAS

A partir da consulta e análise de livros de poesia disponíveis na Biblioteca, os alunos do 12º ano do Curso de Artes Visuais criaram, na disciplina de Desenho A, uma composição plástica tendo como suporte uma das páginas do livro. Desenvolvendo desenhos sobre as páginas fotocopiadas, utilizaram várias técnicas, como tachismo, palimpsesto, etc.







sábado, 1 de junho de 2019

Alice Vieira - autora do mês de junho



“A minha gargalhada é que me ajudou a sobreviver estes anos todos”
Alice Vieira, considerada uma das mais importantes escritoras portuguesas de literatura infanto-juvenil, nasceu em Lisboa, no dia 20 de março de 1943. Define-se profissionalmente como jornalista, mas tornou-se conhecida de todos nós pela publicação regular de livros infantis, romances juvenis, bem como poesia, teatro ou recolhas de histórias tradicionais.

Depois de frequentar o Liceu D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, Alice Vieira licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
A sua carreira de jornalista começou aos 18 anos, no “Diário de Lisboa”. Ainda adolescente, começara a colaborar no «Juvenil» deste Diário, suplemento que divulgou as primeiras tentativas literárias de muitos jovens talentos de então e que foi coordenado por Alice Vieira entre 1968 e 1970. Trabalhou mais tarde no "Diário Popular" e no "Diário de Notícias", a cuja redação pertenceu até 1990, quando decidiu deixar o jornalismo diário, para ficar como free-lancer e poder dedicar-se mais à escrita. Foi ainda colaboradora durante muitos anos da revista "Activa" e do "Jornal de Notícias". Atualmente está reformada do jornalismo, mas trabalha no Jornal de Mafra e na revista juvenil “Audácia”, dos missionários combonianos.
Trabalhou em vários programas de televisão para crianças (por exemplo, fez parte da equipa de escritores dos programas “Rua Sésamo”, “Jornalinho”, “Hora Viva”, “Arco-Íris”). Participou com o maestro Eurico Carrapatoso no conto musical A Arca do Tesouro (interpretada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa); o compositor Sérgio Azevedo musicou A Charada da Bicharada, editada em CD.
Orienta regularmente oficinas de escrita criativa e desloca-se quase diariamente a escolas e bibliotecas de todo o país – e também de países onde os seus livros estão traduzidos.
As suas obras, muitas das quais constam da lista do Plano Nacional de Leitura, foram traduzidas para várias línguas, como o alemão, o búlgaro, o espanhol, o galego, o catalão, o francês, o húngaro, o holandês, o russo, o italiano, o chinês, o servo-croata e o coreano.
A 7 de Março de 1997 recebeu a Comenda da Ordem do Mérito.

Alice Vieira nunca quis ser escritora. Mas desde pequena que dizia que queria ser jornalista. Começou a escrever porque a filha disse que já não tinha mais livros para ler. Foi em 1979. Era o Ano Internacional da Criança e a editora Caminho promoveu um concurso para o melhor texto para crianças e jovens desse ano. Alice Vieira enviou Rosa, Minha Irmã Rosa. E ganhou o “Prémio de Literatura do Ano Internacional da Criança”. Foi o seu primeiro livro. Como referiu numa entrevista, “a partir daí nunca mais teve sossego”.




Desde esse primeiro livro, publicado em 1979, tem escrito sobretudo literatura infanto-juvenil, com mais de 50 títulos publicados, incluindo os 15 da Coleção Macau. Ultimamente tem-se também dedicado à literatura para adultos, com três volumes de crónicas (Bica Escaldada, Pezinhos de Coentrada e O Que Se Leva Desta Vida), o romance histórico Os Profetas, uma biografia da escritora inglesa Enid Blyton, o livro autobiográfico Histórias da Avó Alice, três livros de poemas -- Dois Corpos Tombando na Água (Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho), O Que Dói às Aves e Os Armários da Noite — e o livro Tejo, juntamente com o fotógrafo brasileiro Neni Glock. Participou ainda, com mais seis autores, em romances coletivos como Novos Mistérios de Sintra, O Código de Avintes, Eça Agora, 13 Gotas ao Deitar e, mais recentemente, A Misteriosa Mulher da Ópera.







Entre os Prémios que recebeu, destacam-se o Prémio Calouste Gulbenkian em 1983 pelo seu livro Este Rei Que Eu Escolhi; o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da obra (1984); o Prix Octogone pela edição francesa de Os Olhos de Ana Marta (2000); Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, com o livro de poemas Dois Corpos Tombando na Água (2007); a “Estrela de Prata do Prémio Peter Pan” pela edição sueca de Flor de Mel (2010). Em 2016 recebeu o Prémio pelo Melhor livro em língua portuguesa editado no Brasil da Fundação Nacional para o Livro Infantil e Juvenil, com o livro Meia hora para mudar a minha vida. Foi várias vezes distinguida com o Prémio Corvo Branco, atribuído pela Biblioteca Internacional da Juventude de Munique.

Obras de Alice Vieira
(*) constam do catálogo da Biblioteca do ECB
Literatura infanto-juvenil
1979 - Rosa, Minha Irmã Rosa-27ª ed. 2014 (*)
1979 - Paulina ao Piano-5ªed. 1999 (*)
1980 - Lote 12, 2º Frente-16ª ed. 2009 (*)
1981 - A Espada do Rei Afonso-13ª ed. 2010
1982 - Chocolate à Chuva-25ª ed. 2013 (*)
1983 - Este Rei que eu Escolhi-14ª ed 2009 (*)
1984 - Graças e Desgraças na Corte de El Rei Tadinho-20ªed. 2013 (*)
1985 - Águas de Verão-10ª ed. 2010 (*)
1986 - Flor de Mel-10ª ed. 2010 (*)
1987 - Viagem à Roda do meu Nome-11ª ed. 2010 (*)
1988 - Às Dez a Porta Fecha-8ª ed. 2015
1988 - A Lua Não Está à Venda (*)
1990 - Úrsula, a Maior-9ªed. 2011 (*)
1990 - Os Olhos de Ana Marta-7ª ed. 2010 (*)
1991 - Promontório da Lua--6ª ed. 2009
1992 - Leandro, Rei da Helíria-24ª ed. 2015 (*)
1997 - Se Perguntarem por mim, Digam que Voei-7ª ed. 2010 (*)
1999 - Um Fio de Fumo nos Confins do Mar-3ª ed. 2011 (*)
2001 - Trisavó de pistola à cinta e outras histórias-6ª ed. 2012 (*)
2002 – Contos e lendas de Macau (*)
2005 - Livro com Cheiro a Chocolate (*)
2005 - O Casamento da Minha Mãe (*)
2006 - Livro com Cheiro a Morango
2007 - Livro com Cheiro a Baunilha
2007 - O meu Primeiro Álbum de Poesia (*)
2008 - A Vida nas Palavras de Inês Tavares (*)
2008 - Livro com Cheiro a Caramelo
2008 - A Charada da Bicharada
2009 - Contos de Grimm Para Meninos Valentes
2009 - A Que Sabe Esta História?
2009 - Livro com Cheiro a Canela
2010 - Contos de Andersen para Crianças Sem Medo
2010 - Meia Hora Para Mudar a Minha Vida-2ª ed. 2015
2010 - Livro com Cheiro a Banana
2010 - A Arca do Tesouro (com CD, música de Eurico Carrapatoso, narração de Luís Miguel Cintra e ilustrações de João Fazenda).
2011 - Contos de Perrault para Crianças Aventureiras
2012 - Histórias da Bíblia
2012 - Expressões com História
2014 - A velha caixa; A bela moura ilustrações de João Fazenda
2016 - Diário de Um Adolescente na Lisboa de 1910
2018 - A Sopa da Pedra/Um Ladrão Debaixo da Cama

Coleção Macau
1988 - O que Sabem os Pássaros
1988 - As Árvores que Ninguém Separa (*)
1988 - Um Estranho Barulho de Asas (*)
1988 - O Templo da Promessa (*)
1990 - Macau: da Lenda à História
1991 - Corre, Corre, Cabacinha (*)
1991 - Um Ladrão debaixo da Cama (*)
1991 - Fita, Pente e Espelho (*)
1991 - A Adivinha do Rei (*)
1992 - Periquinho e Periquinha (*)
1992 - Maria das Silvas (*)
1993 - As Três Fiandeiras (*)
1993 - A Bela Moura (*)
1994 - O Pássaro Verde (*)
1994 - Eu Bem Vi Nascer o Sol (*)

Obras para Adultos
1964 - De Estarmos Vivos (poesia)
1997 - Praias de Portugal (com fotos de Maurício Abreu)
1999 - Esta Lisboa (com fotos de António Pedro Ferreira)
2004 - Bica Escaldada (crónicas) (*)
2006 - Pezinhos de Coentrada (crónicas) (*)
2007 - Dois Corpos Tombando na Água (poesia) (*)
2008 - Tejo (com fotos de Neni Glock)
2009 - O Que Dói às Aves (poesia)
2011 - O Que se Leva Desta Vida (crónicas)
2011 - Os Profetas (romance)
2012 - O Mundo de Enid Blyton (biografia)
2012 - O Livro da Avó Alice
2013 - Os Armários da Noite (poesia, finalista do Prémio PEN Clube
2017 - Só Duas Coisas Que, Entre Tantas, Me Afligiram
2018 - Olha-Me Como Quem Chove (poesia)

Obras em conjunto com outros escritores
2005 - Novos Mistérios de Sintra (romance)
2006 - O Código de Avintes (romance) (*)
2007 - Eça Agora! (romance) (*)
2009 - 13 Gotas ao deitar (romance)
2010 - Chocolate — Histórias de Ler e Chorar por Mais (contos)
2011 - Picante - Histórias Que Ardem na Boca (contos)
2013 - A Misteriosa Mulher da Ópera (romance)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Exposição Ilustrações e criações



A partir da leitura de livros como "As crónicas de Narnia", de C. S. Lewis; "Sexta-feira ou a vida selvagem", de Miguel Tournier; "A história de Robinson Crusoé e do seu criado Sexta Feira", de Daniel Defoe; "As minas de Salomão" de Rider Haggard; "Cinco Semanas em Balão", "Viagem à Lua", "Volta ao Mundo em 80 dias" ou "Viagem ao Centro da Terra", de Júlio Verne, os alunos do 8º ano apresentam uma ilustração de um excerto da história, representada em três vinhetas. Na primeira vinheta, o aluno narra o conteúdo do excerto, na segunda e na terceira a ilustração será da imaginação do aluno.
O resultado deste trabalho foi realizado na disciplina de Educação Visual, no âmbito do Projeto Formar Leitores, e a Exposição está patente na Biblioteca do ECB.




quarta-feira, 1 de maio de 2019

Romance policial: um género literário menor ou um nicho de culto?



Considerado por alguns como um género menor da literatura, o romance policial ganhou nos últimos anos um novo fulgor e reconhecimento com a chamada “literatura policial nórdica”. Nomes como os dos suecos Stieg Larsson, Henning Mankell, Camilla Läckberg ou Lars Kepler (pseudónimo do casal formado pelo sueco Alexander Ahndoril e pela portuguesa Alexandra Coelho Ahndoril); dos noruegueses Jo Nesbø e Jørn Lier Horst, ou ainda dos islandeses Arnaldur Indridason e Yrsa Sigurdardóttir tornaram-se conhecidos de grande parte dos leitores deste género literário que esperam ansiosamente pela publicação ou reedição de mais um dos seus romances.





O romance policial terá surgido em abril de 1841, nas colunas de um jornal de Filadélfia, o Graham's Magazine, com a publicação de Os Crimes da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, a história do assassinato brutal de duas mulheres em Paris, investigados pelo detetive C. Auguste Dupin. A este, seguiram-se O Mistério de Marie Roget (publicado entre 1842 e 1843, a partir da história verídica do assassinato de uma jovem em Nova Iorque) e A Carta Roubada (publicado em 1844, o último caso do detetive Dupin, sobre o roubo de uma carta dos aposentos privados da rainha e cujo conteúdo seria muito comprometedor se revelado).


Edgar Allan Poe

O surgimento deste tipo de narrativa no século XIX (as chamadas “narrativas de enigma”) tem sido associado à explosão urbana, ao aumento do crime, à ascensão da ideologia burguesa e ao aumento do público leitor ocorridos nesse século.
[A este propósito, recomenda-se a leitura das obras O crime em lisboa, 1850-1910 e Crime e sociedade. Portugal na segunda metade do século XIX, da historiadora portuguesa Maria João Vaz.]


O universo do romance policial clássico caracteriza-se, em termos estruturais, pela presença de elementos como o crime/a vítima, a investigação/revelação do culpado, a que se acrescenta uma dose de medo, mistério, investigação, curiosidade, espanto e inquietação, procurando sempre uma completa verossimilhança.
O foco do romance policial remete, assim, para o processo do esclarecimento do mistério, geralmente a cargo de um detetive, seja ele profissional ou amador, adotando muitos detetives, como por exemplo, Sherlock Holmes, criado por Arthur Conan Doyle, métodos científicos em busca da verdade. O romance ou conto policial tenta sempre responder às questões: Quem é o culpado? Qual a razão do crime? Que processos se utilizaram para resolver esse mesmo crime?
Entre os grandes nomes da literatura policial clássica, em que a identidade do culpado só é revelada nas últimas páginas do livro, contam-se, além dos dos já referidos Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle, Agatha Christie, P. D. James, Raymond Chandler, Erle Stanley Gardner, Dashiell Hammett ou Georges Simenon, mas também o italiano Andrea Camilleri ou o espanhol Manuel Vásquez Montalbán.


Num registo diferente, entrando naquilo que alguns críticos classificam como romance policial psicológico, destacam-se os já referidos autores nórdicos, mas também a norte-americana Patricia Highsmith ou a inglesa Ruth Rendell (que também publicou sob o pseudónimo Barbara Vine), que terão sido as percursoras deste estilo, que, mantendo a estrutura clássica da trilogia crime/investigação/revelação, dá mais importância à narrativa em si mesma, com a descrição da personalidade e do tipo psicológico do ou dos suspeitos, criando entre o leitor e o criminoso uma empatia, como a que vivenciamos com o falsário sedutor Tom Ripley, de Highsmith, chegando muitas vezes o leitor a esperar que o crime compense e o suspeito seja absolvido.

Em Portugal, um dos primeiros livros policiais publicados terá sido O Mistério da Estrada de Sintra, um romance da autoria conjunta de Eça de Queirós e de Ramalho Ortigão, publicado no Diário de Notícias, de Lisboa, sob a forma de cartas anónimas, entre 24 de Julho e 27 de Setembro de 1870, recebendo a primeira versão em livro em 1884.

Outros nomes se distinguem, entre os quais o de Dennis McShade, pseudónimo de Dinis Machado, criado em 1967, Francisco José Viegas, Pedro Garcia Rosado, Francisco Moita Flores ou Nuno Nepumoceno.


E que dizer de Quaresma, Decifrador, título geral que se atribuiu ao conjunto das treze novelas policiárias escritas por Fernando Pessoa e que a editora Assírio & Alvim publicou em maio de 2014?


Para Fernando Pessoa, a literatura policial seria um dos «poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que resta de intelectual na humanidade». Para além de um leitor entusiasta de todas as novidades que as editoras inglesas publicavam nesta área, Pessoa foi também, ao longo da sua vida literária, escritor de histórias policiais, dedicando a esta vertente da sua obra muito tempo e atenção.
O fio condutor das novelas de Quaresma, Decifrador é a figura de Abílio Fernandes Quaresma, médico sem clínica, raciocinador e decifrador de charadas, sua leitura preferida, e das da vida real, uma figura paradoxal pelo contraste criado entre a debilidade física e o fulgor do raciocínio dedutivo. Raciocinador minucioso e analítico, tal como o autor, Quaresma é apresentado no «Prefácio» das novelas como um amigo de longa data, recentemente falecido, alguém que realmente conduz os seus passos pelas Ruas de Lisboa, tal como outros alter-egos pessoanos.

[Temos consciência de que muitos são os nomes que faltam nesta breve resenha sobre romance policial: clássicos americanos como Rex Stout, Ellery Queen ou Ed McBain, ou os mais recentes Dennis Lehane, James Patterson, Daniel da Silva ou  Stephen King; as britânicas Robert Galbraith (pseudónimo de J. K. Rowling), Paula Hawkings ou Val McDermid; os espanhóis Arturo Pérez-Reverte, Domingo Villar ou  Antonio Muñoz Molina; o suiço Joel Dicker; ou ainda o improvável zimbabweano Alexander McCall Smith, com a detetive Preciosa Ramotswe, fundadora da Agência Nº 1 de Mulheres Detetives, no Botswana.
Aqui fica apenas um piscar de olhos a todo um mundo por descobrir... 

Para saber mais sobre romance policial, consultar: 

literatura policial in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$literatura-policial. [consult. 2019-04-28].





Sir Arthur Conan Doyle - Autor do mês de maio


Arthur Conan Doyle, criador do famoso detetive Sherlock Holmes, nasceu em Edimburgo, no dia 22 de maio de 1859, e morreu em Crowborough, a 7 de julho de 1930. Médico de formação, as suas 60 histórias protagonizadas pelo detetive Sherlock Holmes foram consideradas uma grande inovação no campo da literatura criminal. O seu trabalho literário incluiu também histórias de ficção científica, novelas históricas, peças e romances, poesias e obras de não-ficção.

Educado numa família tradicionalmente católica, Conan Doyle fez os seus estudos iniciais no colégio jesuíta da vila de Hodder Place, Stonyhurst (em Lancashire) e no Colégio Stonyhurst. Em 1875, rejeitou o cristianismo e afirmou-se como agnóstico, talvez por influência do escritor Thomas Babington Macauley ou do médico Dr. Bryan Charles Waller, ambos agnósticos e críticos do catolicismo. Literariamente, foi fortemente marcado por Walter Scott e Edgar Allan Poe, além do referido Thomas Macauley.

Entre 1876 e 1881, estudou medicina na Universidade de Edimburgo, passando também um tempo na cidade de Aston e em Sheffield. Em 1878, por exemplo, trabalhou por três semanas, em troca de casa e comida, como médico aprendiz nos subúrbios de Sheffield, de cuja experiência relatou em carta: "Esta gente de Sheffield preferiria ser envenenada por um homem com barba do que ser salva por um homem imberbe".



Foi enquanto estudava que começou a escrever pequenas histórias; a sua primeira obra foi publicada no Chambers’s Edinburgh Journal, ainda não tinha completado 20 anos. Foi também durante o seu tempo de estudante de medicina que teve a sua primeira experiência naval, como médico numa baleeira que navegava no Oceano Ártico, onde ficou sete meses.

Após a sua formação universitária, serviu como médico de bordo no navio "Mayumba" em viagem à costa Oeste da África.
Em 1882, Conan Doyle e o seu antigo colega de curso George Budd riaram uma sociedade numa clínica médica em Plymouth, mas a relação entre os dois tornou-se difícil, optando Doyle por trabalhar de forma independente, em Portsmouth. O consultório não teve muito sucesso e, enquanto aguardava por pacientes, voltou a escrever.
A sua primeira obra notável foi Um Estudo em Vermelho, publicada no Beeton’s Christmas Annual de 1887, e foi a primeira vez que apareceu a personagem Sherlock Holmes, que terá sido parcialmente inspirado num professor da universidade, Joseph Bell, a quem Conan Doyle escreveu: "É mais do que certo que é a você que eu devo Sherlock Holmes… Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que o ouvi inculcar, tentei construir um homem.". Outros autores outras sugerem influências, como o personagem de Edgar Allan Poe, C. Auguste Dupin.


Em fevereiro de 1890, Conan Doyle publicou a segunda história com Sherlock Holmes, intitulada O Sinal dos Quatro, publicada na revista Lipincott’s Magazine.


Resultado de imagem para o sinal dos quatro

O verdadeiro sucesso dos contos de Arthur Conan Doyle teve início em julho de 1891, quando a revista Strand Magazine publicou Um Escândalo na Boémia.
Outra personagem de grande destaque nas suas histórias é o doutor “Watson”, um médico leal, porém intelectualmente mais fraco, que acompanha Sherlock e escreve as suas aventuras.
Em 1893 Arthur Conan Doyle publicou O Problema Final, quando resolveu matar Sherlock Holmes, juntamente com o vilão Moriarty, o seu inimigo mortal, no entanto, as manifestações de desagrado e a pressão dos leitores, fizeram o escritor trazer de volta o detetive na história A Casa Vazia, com a explicação de que apenas Moriarty tinha caído nas Cataratas de Reichenbach. O conto foi publicado no livro O regresso de Sherlock Holmes (1905), uma coletânea de treze contos originalmente publicados na revista Strand Magazine, entre 1903 e 1904.

Em 9 de agosto de 1902, Arthur Conan Doyle foi condecorado com o título de Cavaleiro pela sua participação na Guerra dos Bóeres. Trabalhou na linha da frente da batalha como cirurgião e foi elogiado pelos compatriotas pela coragem e determinação na prestação de socorro. Após o regresso a Inglaterra, e tendo em conta as críticas vindas de todo o mundo por causa da conduta do Reino Unido na África do Sul, escreveu um livro com o título A Grande Guerra Boer (1900) e também um pequeno panfleto intitulado “A Guerra na África do Sul: Causa e Conduta”, justificando o papel do Reino Unido nessa guerra. Este panfleto foi traduzido para vários idiomas e Conan Doyle acreditava que foi por sua causa que recebeu o título de Cavaleiro e foi indicado como deputado-tenente de Surrey.
Nas suas causas públicas e políticas, Conan Doyle envolveu-se também na campanha pela reforma do Estado Livre do Congo, liderada pelo jornalista E. D. Morel e pelo diplomata Roger Casement. Em 1909, escreveu “O Crime do Congo”, um grande panfleto no qual denunciava os horrores daquele país. Tornou-se grande amigo de Morel e Casement e é possível que estes, juntamente como Bertram Fletcher Robinson, tenham servido de inspiração para vários personagens do livro O Mundo Perdido, publicado em 1912. Rompeu relações com ambos quando Morel se tornou um dos líderes do movimento pacifista da Primeira Guerra Mundial, e quando Casement foi acusado de traição contra o Reino Unido durante a revolta da Páscoa. Conan Doyle tentou, sem sucesso, salvar Casement da pena de morte, alegando que ele estava louco e não era responsável por suas ações.

Uma das facetas mais enigmáticas da personalidade de Arthur Conan Doyle relaciona-se com o seu envolvimento com o Espiritualismo. No ano de 1887, travou o seu primeiro contacto com o Espiritualismo, iniciando neste mesmo ano, com o seu amigo Ball, arquiteto de Portsmouth, sessões mediúnicas que o fizeram rever alguns dos seus conceitos.
Após as mortes da primeira mulher (1906), do seu filho Kingsley (1918), do seu irmão Innes (1919), de dois cunhados e de dois netos, também após a Primeira Guerra Mundial, Conan Doyle mergulhou num profundo estado de depressão. Terá então encontrado conforto e consolação no Espiritualismo, e esse envolvimento levou-o a escrever sobre o assunto, tornando-se um dos seus maiores divulgadores e defensores. No auge da fama, em 1918, enfrenta todos os céticos e publica "A Nova Revelação", obra em que manifesta a sua convicção na explicação espírita para as manifestações paranormais estudadas durante o século XIX, e inicia uma série de outras, dando também palestras sobre o tema. Em "A Chegada das Fadas" (1921) reproduziu teorias sobre a natureza e a existência das fadas e de espíritos. Posteriormente, em "The History of Spiritualism" (1926), aborda a história do movimento espiritualista anglo-saxónico e do Espiritismo (codificado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido pelo pseudónimo Allan Kardec). Além desses movimentos, Conan Doyle enfatizou igualmente os movimentos espiritualistas alemão e italiano, com destaque para os fenómenos físicos e as materializações espirituais produzidas por Eusápia Paladino e Mina "Margery" Crandon. Este assunto foi retomado em "The Land of Mist" (1926), de natureza ficcional, com o personagem "Professor Challenger".
Por algum tempo, Conan Doyle foi amigo do mágico Harry Houdini, que se tornaria um grande opositor do movimento moderno espiritualista na década de 1920. Embora Houdini insistisse que os médiuns da época faziam truques de ilusionismo (e expunha tais médiuns como fraudes), Conan Doyle já estava convencido de que o próprio Houdini possuía mediunidade ativa. Aparentemente, Houdini não foi capaz de convencer Conan Doyle de que os seus feitos eram puras ilusões, levando a uma amarga e pública quebra de relações entre ambos.
A sua convicção foi ao ponto de rejeitar o título de Par (Peer) do Reino Britânico, oferecido sob condição de renunciar às suas crenças. Confrontando todos, permaneceu fiel à fé que abraçara e que acompanhou até aos seus últimos dias. Foi Presidente Honorário da International Spiritualist Federation, Presidente da Aliança Espírita de Londres e Presidente do Colégio Britânico de Ciência Espírita.

Conan Doyle morreu de ataque cardíaco aos 71 anos, na sua casa em Crowborough, East Sussex, no dia 7 de julho de 1930.

A 27 de março de 1990, foi fundado em Londres o Museu Sherlock Holmes, situado na Baker Street, a mesma rua onde Arthur Conan Doyle fez residir Holmes, no fictício prédio 221B. Atualmente o museu, que atrai um grande número de visitantes de várias partes do mundo, é gerido pela Sherlock Holmes Society of England, uma organização privada sem fins lucrativos.







Obras de Arthur Conan Doyle no catálogo da Biblioteca do ECB:
Um Estudo em Vermelho / Os sete mistérios
O Signo dos Quatro
As Aventuras de Sherlock Holmes
O Cão de Baskervilles
O regresso de Sherlock Holmes
O Vale do Terror / A caixa macabra
As nódoas de sangue / O último adeus
A ciclista solitária / A escola do priorado / Pedro Negro

Edições em inglês:
Sherlock Holmes: the original ilustrated strand (edição facsimilada)
The return of Sherlock Holmes
Sherlock Holmes: the complete novels and stories