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quinta-feira, 1 de março de 2018

Autor do mês de março – Alexandre Herculano


Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa, no dia 28 de Março de 1810, e morreu na Quinta de Vale de Lobos, Santarém, em 18 de Setembro de 1877. Encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, para onde foi transladado em 6 de Novembro de 1978.
As invasões francesas (1807-1811), o consequente domínio inglês e a difusão das ideias liberais, vindas sobretudo de França e que conduziriam à Revolução de 1820, marcaram a sua infância e juventude, assim como toda a sua vida literária.
Se hoje é recordado e estudado principlamente como escritor, historiador, ensaísta e poeta do romantismo português, a sua vida passou também pelo combate político, destacando-se na luta contra o absolutismo e envolvendo-se nas guerras que opuseram liberais a miguelistas. Em 1831, participou na revolta de 21 de Agosto protagonizada pelo Regimento n.° 4 de Infantaria de Lisboa contra o governo de D. Miguel, o que o obrigará, após o fracasso daquela revolta militar, a exilar-se, primeiro em Inglaterra e, mais tarde em França; em 1832, de regresso a Portugal, junta-se ao exército liberal e participa na expedição militar comandada por D. Pedro IV que desembarcou, em 8 de Julho de 1832, na praia do Mindelo.
Identificando-se com a ala esquerda do Partido Cartista (defensor da Carta Constitucional de 1826, promulgada por D. Pedro IV), foi eleito deputado às Cortes pelo Partido Cartista em 1840, mas demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a atividade parlamentar. Foi preceptor do futuro Rei D. Pedro V e um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856.
Nomeado por D. Pedro IV como segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto, aí permaneceu até ter sido convidado a dirigir a revista O Panorama (1837-1868), revista de caráter artístico e científico de que era proprietária a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela própria rainha D. Maria II.
Recebeu uma formação de índole essencialmente clássica (Latim, Lógica e Retórica) e literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária. Com os estudos de Diplomática, empreendidos aos 18 anos na Torre do Tombo, aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Em 1839, o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, permitiu-lhe prosseguir trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados entre 1846-1853.
Herculano foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal, na senda do que haviam feito Walter Scott (1771-1832), poeta e romancista escocês que escreveu, entre outros, Ivanhoe, ou o francês Vitor Hugo (1802-1885), autor do romance histórico Nossa Senhora de Paris e que lhe terá servido também de modelo.
Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo no nosso país, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.
Em 1838, publicou o seu primeiro livro de poesia, A Harpa do Crente, e vê levada à cena, em Lisboa, a peça O Fronteiro de África ou três noites aziagas.



Em 1843 publicou O Bobo e, entre 1844 e 1848, O Monasticon, obra que integra aquele que é considerado a obra maior do romance histórico em Portugal no século XIX, Eurico o Presbítero, além de O Monge de Cister.



Em 1846, publica o primeiro volume de uma das suas obras mais notáveis, História de Portugal, obra que introduz a historiografia científica em Portugal. O prestígio que lhe advém desta publicação leva a Academia das Ciências de Lisboa a nomeá-lo seu sócio efetivo em 1852 e a encarregá-lo da recolha dos Portugaliae Monumenta Historica (coleção de documentos valiosos dispersos pelos cartórios conventuais do país), projeto que empreende em 1853 e 1854, e que começará a ser publicado em 1856. Publica ainda História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, entre 1854-1859.



Na obra Lendas e Narrativas, publicada em 1851 e composta por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas, Alexandre Herculano abordou vários períodos da história da Península Ibérica, sendo evidente a sua preferência pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa e escolha comum entre os românticos.



Também em 1851, publicou O Pároco de Aldeia.
Entre 1836 e 1860, publicou dez Opúsculos, dedicados ao que chamou Questões Públicas, Controvérsias e Estudos Históricos, Literatura.
Em 1867, após o seu casamento com D. Mariana Meira, e desiludido com a vida pública, retira-se definitivamente para a sua quinta de Vale de Lobos (Azoia de Baixo, Santarém) para se dedicar (quase) inteiramente à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual. Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, em 1871 interveio contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária

Em Vale de Lobos viria a morrer de pneumonia, em 13 de Setembro de 1877.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Autor do mês - Vergílio Ferreira


Veio ter comigo hoje a poesia.
Há quanto tempo? Desde a juventude.
Veio num raio de sol, num murmúrio de vento.
E a ilusão que me trouxe de uma antiga alegria
reinventou-me a antiga plenitude
que já não invento.
In Conta Corrente I
Vergílio António Ferreira nasceu no dia 28 de janeiro de 1916, na aldeia de Melo, concelho de Gouveia, e morreu em Lisboa, no dia 1 de março de 1996.
A sua infância e adolescência foram passadas na região da Serra da Estrela e será essa a paisagem que percorre muitos dos seus romances.
Depois de concluir o curso liceal no Liceu da Guarda, entrou para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, licenciando-se em Filologia Clássica em 1940. Como professor de Português, Latim e Grego percorreu vários liceus do país: de Faro a Bragança, de Gouveia a Lisboa, cidade onde terminou a sua carreira docente, no Liceu Camões.
Em 1939, escreveu o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe, publicado em 1943.
Com cerca de 50 títulos publicados, a sua obra percorre vários géneros, da ficção (romance, conto) ao ensaio e diário e pode ser agrupada em dois períodos literários: o Neorrealismo (de 1939 a 1947) e o Existencialismo (de 1953 a 1996).

Manhã Submersa (1954) e Aparição (1959) são consideradas as obras que iniciam o período em que Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista.


Manhã Submersa retrata a passagem pelo Seminário do Fundão, onde entrou aos 12 anos.
“O despertar para a vida de uma criança, entre a austeridade da casa senhorial de D. Estefânia, a sensualidade da sua aldeia natal e o silêncio das paredes do seminário. Um jovem seminarista de 12 anos é obrigado a ir para o seminário. E a história desenrola-se em torno das vivências e sentimentos que o jovem seminarista vai experimentando. Num ambiente negro, triste, ríspido e severo do seminário, o jovem descobre-se e descobre o mundo que o rodeia: a repressão na educação, a pobreza da sua terra, as desigualdades sociais, o desejo do seu corpo, a camaradagem, a amizade, o amor” (in https://www.wook.pt/livro/manha-submersa-vergilio-ferreira/220796).
Em 1980, o realizador Lauro António adapta esta obra para o cinema, desempenhando o próprio Vergílio Ferreira um dos principais papéis, o de Reitor do Seminário, contracenando com grandes nomes do cinema português, como Eunice Muñoz, Canto e Castro, Jacinto Ramos e Carlos Wallenstein.


Em Aparição, o narrador-personagem Alberto Soares procura compreender a realidade da sua existência, buscando a descoberta da pessoa que há em cada um de nós e a revelação de si a si próprio (a aparição), através da memória do passado, um mais distante, da infância, e o outro, mais recente, de professor de língua e literatura que, recém-formado, vai trabalhar para Évora, a cidade dos pais. Em Évora conhece Sofia, a quem começa por dar lições de Latim e com quem se envolve numa relação como se fosse "o último amor de dois condenados" (cap.7), e as suas irmãs Ana, a mais velha, que o seduz pela sabedoria, e Cristina, criança ainda que, aos 7 anos, toca Chopin divinamente e cuja morte vai possibilitar a Alberto a exaltação integral da condição humana. Talvez Alberto, o herói que alcançou a sua aparição, possa ser visto como um alter-ego de Vergílio Ferreira, pois se o autor escreveu sobre estas teorias, é porque também ele pensou sobre elas.
Aparição é considerada “uma das obras mais emblemáticas do romance português do século XX - e um momento decisivo no percurso literário e filosófico do autor, personificado, de alguma maneira, pelo encontro entre Alberto e Cristina [...]. Em Aparição, o que está em jogo é o destino e a insatisfação diante do visível, ou seja, toda a nossa condição humana. Um romance inesquecível que atravessa o tempo e fixa as inquietações que nunca cessam” (in https://www.wook.pt/livro/aparicao-vergilio-ferreira/15429114).


Durante treze anos (entre 1981 e 1994), Vergílio Ferreira publicou nove volumes de diário, aos quais deu o título genérico de Conta-Corrente. Os textos contidos nesses volumes vão desde fevereiro de 1969 (altura em que iniciou a sua escrita) até dezembro de 1992 (altura em que terá abandonado o género). Os volumes, onde procura “o registo diário do que me foi afectando”, subdividem-se em duas séries: a primeira composta por cinco volumes e a segunda por quatro. Por várias vezes pensou abandonar este projeto, pois sentia que se estava a expor demasiado perante o leitor, mas, apesar deste conflito interior («Extremamente difícil continuar este diário. (…) Que me leiam um romance, não me perturba. Mas não que me leiam a mim.»), a escrita do diário prossegue.

Algumas das suas obras forma publicadas a título póstumo: Cartas a Sandra (obra inacabada), em 1996; Espaço do Invisível V, em 1998; Escrever, em 2001, o último livro que escreveu e onde repensa e atualiza os grandes temas de sempre: a matéria da escrita e da arte, o corpo, a velhice e a doença, a morte, o abismo para onde, na sua opinião, a civilização caminha (não deixando de lado uma matéria que ultimamente tanto se discute: o poder perverso da televisão); e Diário Inédito, em 2010, correspondendo a um diário escrito entre 1944 e 1949, e que contém reflexões literárias e filosóficas, comentários de leituras e de episódios do dia-a-dia, evidenciando já algumas características que virão, anos mais tarde, a expandir-se em Conta-Corrente.

Foram vários os prémios que Vergílio Ferreira recebeu ao longo da vida.
A 3 de Setembro de 1979 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Entre os prémios literários, destacam-se o Prémio Camilo Castelo Branco, da Sociedade Portuguesa de Autores, pela obra Aparição (1960); Prémio D. Dinis (1981); o Prémio Literário Município de Lisboa (1983); Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1984 e 1991); Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB (1987), com Até ao Fim; Prémio Femina (França, 1990), com Manhã Submersa; Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB (1993);Prémio P.E.N. Clube Português de Ensaio (1993).
Em 1991, recebeu o Prémio Europália, em Bruxelas, pelo conjunto da sua obra. Na cerimónia em que o Prémio lhe é atribuído, lê o magnifíco texto «A Voz do Mar», de onde se extrai
“Uma língua é o lugar donde se vê o mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação. Assim o apelo que vinha dele foi o apelo que ia de nós.”

Em 1992 foi eleito para a Academia das Ciências de Lisboa e, pelo conjunto da sua obra, foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o mais importante prémio literário dos países da língua portuguesa.

Vergílio Ferreira morreu no dia 1 de março de 1996, em sua casa, em Lisboa, na freguesia de Alvalade O funeral foi realizado no cemitério de Melo, a sua terra-natal e, a seu pedido, o caixão fora enterrado virado para a Serra da Estrela.

O seu nome continua atualmente associado à literatura através da atribuição anual do Prémio Vergílio Ferreira pela Universidade de Évora, que distingue o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito da narrativa e/ou ensaio. No dia 21 de dezembro de 2017, Gonçalo M. Tavares venceu o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2018.

Obras de Vergílio Ferreira
1938 – A curva de uma vida (póstumo 2010, do espólio)
1943 – O Caminho Fica Longe
1944 – Onde Tudo Foi Morrendo
1946 – Vagão "J"
1947 – Promessa (póstumo 2010, do espólio)
1949 – Mudança
1953 – A Face Sangrenta
1954 – Manhã Submersa
1959 – Aparição
1960 – Cântico Final
1962 – Estrela Polar
1963 – Apelo da Noite
1965 – Alegria Breve
1971 – Nítido Nulo
1972 – Apenas Homens
1974 – Rápida, a Sombra
1976 – Contos
1979 – Signo Sinal
1983 – Para Sempre
1986 – Uma Esplanada Sobre o Mar
1987 – Até ao Fim
1990 – Em Nome da Terra
1993 – Na Tua Face
1995 – Do Impossível Repouso
1996 – (póstuma) Cartas a Sandra

Ensaios
1943 – Sobre o Humorismo de Eça de Queirós
1957 – Do Mundo Original
1958 – Carta ao Futuro
1963 – Da Fenomenologia a Sartre
1963 – Interrogação ao Destino, Malraux
1965 – Espaço do Invisível I
1969 – Invocação ao Meu Corpo
1976 – Espaço do Invisível II
1977 – Espaço do Invisível III
1981 – Um Escritor Apresenta-se
1987 – Espaço do Invisível IV
1988 – Arte Tempo
1998 – Espaço do Invisível V (póstumo)

Diários
1980 – Conta-Corrente I
1981 – Conta-Corrente II
1983 – Conta-Corrente III
1986 – Conta-Corrente IV
1987 – Conta-Corrente V
1992 – Pensar
1993 – Conta-Corrente-nova série I
1993 – Conta-Corrente-nova série II
1994 – Conta-Corrente-nova série III
1994 – Conta-Corrente-nova série IV
2001 – Escrever (póstumo)
2010 – Diário Inédito (póstumo, do espólio 1944-1949)

Algumas ligações para saber mais sobre a vida e a obra de Vergílio Ferreira








segunda-feira, 6 de novembro de 2017

João Botelho adapta ao cinema "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto




Depois de Frei Luís de Sousa (2001), de Almeida Garrett; A Corte do Norte (2009), de Agustina Bessa-Luís; Livro do Desassossego (2010), de Fernando Pessoa; e Os Maias (2014), de Eça de Queirós, o realizador português João Botelho regressa à literatura portuguesa com a adaptação cinematográfica de Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto.

João Botelho, que em abril de 2016 esteve no Externato Cooperativo da Benedita no âmbito da Semana Cultural e das atividades do Plano Nacional de Cinema, para conversar com os alunos sobre a sua adaptação de Os Maias, considera ter "o dever de pegar em textos importantes na Cultura e na Literatura portuguesas".

Peregrinação, impresso pela primeira vez em 1614, é um relato da presença dos portugueses no Oriente e uma crónica de viagens de duas décadas de vivência de Fernão Mendes Pinto naquelas paragens.
O filme de João Botelho, que estreou nas salas de cinema portuguesas no passado dia 1 de novembro, é uma evocação das viagens de Fernão Mendes Pinto, no século XVI, integrando a recriação de alguns temas do álbum “Por Este Rio Acima” (1982), de Fausto Bordalo Dias, "como se fosse uma introdução à leitura" da obra, disse o realizador à Agência Lusa, em abril passado, mês em que começaram as filmagens.



Apesar de a maior parte das filmagens ter sido feita em Portugal, João Botelho e uma equipa reduzida (produtor, diretor de fotografia e um assistente) estiveram "a filmar todos os fundos" em sete cidades chinesas, no Japão, na Malásia e no Vietname e o resultado final surge-nos como se tudo tivesse sido registado do outro lado do mundo.
O filme é protagonizado por Cláudio da Silva, que, além de Fernão Mendes Pinto, interpreta também a personagem de António Faria, "um corsário terrível que decapita, viola, rouba, tudo em nome de deus". Do elenco fazem ainda parte, entre outros, Catarina Wallenstein, Pedro Inês, Maya Booth, Cassiano Carneiro, Rui Morisson, Jani Zhao e Zia Soares.


Peregrinação relata a chegada e a estadia de Fernão Mendes Pinto no Oriente, apresentando a descrição das expedições dos descobridores e conquistadores portugueses. A imagem dos navegadores portugueses que perpassa nesta obra, e em particular a do próprio Fernão Mendes Pinto, é sobretudo picaresca, assumindo-se este como um anti-herói, capaz das piores façanhas para alcançar os seus objetivos (geralmente pilhar e roubar as populações nativas para enriquecer e regressar à pátria).
O autor é perito na descrição da geografia da Índia, China e Japão e da etnografia: leis, costumes, moral, festas, comércio, justiça, guerras, funerais, etc. Notável é também a previsão da derrocada do Império Português, corroído por vícios e abusos.
Fernão declara que são três os objetivos que o levaram a escrever o livro: dar a conhecer os seus trabalhos aos filhos (função autobiográfica), encorajar os desesperados e os que se veem em dificuldades (função moral), ter que dar graças a Deus (função religiosa).


Escrita entre 1570 e 1578, após o regresso de Fernão Mendes Pinto a Portugal, a obra só viria a ser publicada cerca de 30 anos após a morte do autor, receando-se que o original tenha sofrido alterações às quais não seriam alheios os Jesuítas. O texto original fora deixado à Casa Pia dos Penitentes que submete os escritos de Fernão Mendes Pinto ao crivo da Inquisição, que o aprova em 1603, o mesmo ano em que o processo de análise se iniciou. No entanto, somente em 1614 Pedro Craesbeeck, tipógrafo e impressor de origem flamenga, aceita a empreitada. O livro, organizado por Frei Belchior Faria, foi publicado com o seguinte título (na íntegra e em português clássico):

"Peregrinaçam de Fernam Mendez Pinto em que da conta de muytas e muyto estranhas cousas que vio & ouvio no reyno da China, no da Tartaria, no de Sornau, que vulgarmente se chama de Sião, no de Calaminhan, no do Pegù, no de Martauão, & em outros muytos reynos & senhorios das partes Orientais, de que nestas nossas do Occidente ha muyto pouca ou nenhua noticia. E também da conta de muytos casos particulares que acontecerão assi a elle como a outras muytas pessoas. E no fim della trata brevemente de alguas cousas, & da morte do Santo Padre Francisco Xavier, unica luz & resplandor daquellas partes do Oriente, & reitor nellas universal da Companhia de Iesus."



quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Autor do mês de novembro – Jorge de Sena




Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919, e faleceu na Califórnia, a 4 de Junho de 1978. Só em 2009 os seus restos mortais foram trasladados para Portugal, tendo a viúva doado o espólio literário à Biblioteca Nacional.
Cadete na Escola Naval, de onde foi expulso em 1938, formou-se em Engenharia Civil (1944), trabalhando na Junta Autónoma de Estradas entre 1948 e 1959. Exilado no Brasil, doutorou-se em Letras, lecionando em universidades do Brasil e, a partir de 1965, em consequência do golpe militar brasileiro, na universidade de Santa Bárbara, nos Estados Unidos, onde leciona até ao ano da sua morte.
Divide a sua vastíssima obra pela poesia – é um dos grandes poetas do século XX, introdutor da poesia da inteligibilidade que até hoje frutifica; pelo teatro, com O Indesejado e Mater Imperialis: Amparo de Mãe, entre outras peças; pela narrativa, com seis livros de contos, a admirável novela O Físico Prodigioso, e este romance, Sinais de Fogo; pelo ensaio crítico, sendo o inaugurador da crítica literária moderna em Portugal, especialmente no que se refere aos estudos camonianos.
O seu intenso labor intelectual levou-o ainda à crítica de cinema e à tradução de ficção e de poesia para português. Sem este admirável trabalho de tradução e divulgação, em que foi pioneiro absoluto, e de que ficou testemunho nas antologias Poesia de 25 séculos e Poesia do século XX, quantos de nós teriam podido ler, ou mesmo ter sabido da existência de grandes poetas de outras línguas, como Kavafis, Montale, Ezra Pound, Omar Kayyam ou Ana Akmàtova?
Conhecido também pelo seu génio irascível e pelo ressentimento amargo contra a pátria que ele amou e que o desprezou, Sena é um artista e um pensador a quem Portugal não fez ainda justiça.
«Sinais de fogo, os homens se despedem,
exaustos e tranquilos, destas cinzas frias.
E o vento que essas cinzas nos dispersa
não é de nós, mas é quem reacende
outros sinais ardendo na distância,
um breve instante, gestos e palavras,
ansiosas brasas que se apagam logo.»



Sinais de Fogo é um dos romances mais importantes da literatura portuguesa do séc. XX. Romance inacabado, por morte do autor aos cinquenta e nove anos, faria parte de uma trilogia a intitular “Monte Cativo”.
O primeiro romance desta trilogia, que não chegou a ser escrito, abarcaria a infância e parte da juventude do estudante do liceu, Jorge, até 1936; o segundo, este mesmo Sinais de Fogo, cuja ação decorre em escassos meses do ano de 1936, tem como pano de fundo a guerra civil espanhola; e o terceiro, não escrito pela mesma razão do primeiro, iria até 1959, ano em que Sena e a família tiveram de se exilar no Brasil, devido a uma conjura falhada para depor Salazar.
A ação de Sinais de Fogo decorre maioritariamente na Figueira da Foz, durante o verão. É talvez a única narrativa iniciática do nosso séc. XX: um romance de juventude da personagem central, da sua paixão amorosa por Mercedes e da progressiva consciencialização social e política que se consolidava também pela observação do drama dos espanhóis, apanhados em Portugal pelo eclodir da guerra civil no seu país. Iniciação, portanto, à vida adulta, à consciência de si no mundo, ao amor, à sexualidade, ao compromisso. E à poesia, esse outro sinal de fogo que, num deslumbramento quase rimbaudiano, fere o protagonista como uma revelação. A aprendizagem da poesia faz-se, ao longo da obra, indissociável de outras aprendizagens de vida – e tão essenciais como elas. Romance inaugural na literatura portuguesa, marca o início da viragem de toda uma época que, encetada com a guerra civil de Espanha, prossegue com a 2ª guerra mundial, com a da Coreia, do Vietname, e com as guerras pontualmente localizadas, como foi a colonial portuguesa, a qual fecha este ciclo.

Da extensa galeria de personagens do romance, inesquecível é a figura do tio de Jorge. E também as de alguns dos jovens companheiros deste, nos quais a sexualidade irrompe e se manifesta de forma aviltada e violenta.

[Professora Soledade Santos]

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Prémio Leya 2017


O Prémio Leya 2017, o maior para uma obra inédita escrita em Língua Portuguesa, foi hoje atribuído ao escritor João Pinto Coelho com o romance Os loucos da rua Mazur.
João Pinto Coelho, que nasceu em Londres, em 1967, já tinha sido finalista do Prémio Leya, em 2014, com o romance Perguntem a Sarah Gross.
Licenciado em Arquitetura, este escritor viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou várias temporadas nos Estados Unidos da América, onde chegou a trabalhar num teatro profissional, perto de Nova Iorque.

Em 2009 e 2011, integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Oświęcim, onde ficava o campo de concentração de Auschwitz, trabalhando de perto com diversos investigadores do Holocausto. Foi durante este período na Polónia que concebeu e implementou o projeto “Auschwitz in 1st Person/A Letter to Meir Berkovich” e que surgiu a ideia para o seu romance de estreia, Perguntem a Sarah Gross, sobre uma mulher carismática e misteriosa que dirige o colégio mais elitista da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América. “Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História”, refere a sinopse disponível no sítio da Leya.


Com o romance agora premiado Os loucos da rua Mazur, João Pinto Coelho regressa à Polónia, em dois tempos distintos: a Segunda Guerra Mundial e a atualidade.
O Presidente do Júri do Prémio Leya, Manuel Alegre, salientou que “Os loucos da rua Mazur” foi premiado «pela sua qualidade literária e também pela sua singularidade», uma vez que retrata a violência cometida numa «pequena comunidade da Polónia». Ao contrário de outras obras sobre a Segunda Guerra Mundial, o romance de João Pinto Coelho aborda a «crueldade cometida pela comunidade sobre a própria comunidade. [...] É uma das comunidades que extermina outra, não se passa em Auschwitz».

Ainda segundo Manuel Alegre, este é «um livro muito bem escrito, com muita força», que aborda a temática do extermínio dos judeus, acrescentando que o romance tem «personagens fortíssimas» e cujas «qualidades de efabulação e verosimilhança em episódios de violência brutal com motivações ideológico-políticas e étnico-religiosas, emergindo de uma convivência comunitária multissecular» foram as mais apreciadas pelos jurados. «De igual modo, o júri valorizou a criação de personagens com densa singularidade existencial, no triângulo perturbador de amizade e conflito amoroso dos protagonistas, tal como de figuras secundárias com valor simbólico». Para o júri, é ainda «de salientar a força humana de um protagonista, o velho livreiro cego, que irá ficar como uma figura inesquecível da nossa ficção mais recente».



domingo, 1 de outubro de 2017

Autor do mês de outubro - Agustina Bessa-Luís


Agustina Bessa-Luís
“A grandeza dum espírito está na pluralidade e plenitude da sua sensibilidade. Todo o vasto espírito é sempre um tanto santo e outro tanto demoníaco. Todo o artista exagera ou dilui, aviva ou simplifica.”
Agustina Bessa-Luís, nome literário de Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, nasceu em Amarante, Vila Meã, a 15 de outubro de 1922. Entre os mais de cinquenta títulos que publicou, encontram-se romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis.
A infância e adolescência passadas na região do Douro marcarão fortemente os ambientes da sua obra. Foram as primeiras leituras de escritores franceses e ingleses encontrados na biblioteca do avô materno que despertaram em Agustina o amor pela literatura, começando a escrever ainda na adolescência.
A sua estreia como romancista acontece em 1948, com a publicação da novela Mundo Fechado, a que se seguiu, em 1950, o romance Os Super-Homens. No entanto, seria com o romance A Sibila, publicado em 1954, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea.
Surgindo numa altura em que o panorama literário português se caracterizava pela oposição entre o neorrealismo e o modernismo do movimento da Presença, o seu interesse pela vida e obra de um dos grandes expoentes da escola romântica, Camilo Castelo Branco, cuja herança se faz sentir quer a nível temático (inúmeras das suas obras têm como protagonista a sociedade de Entre Douro e Minho), quer a nível da técnica narrativa (explorou ficcionalmente a própria vida de Camilo), leva o ensaísta Eduardo Lourenço a associar Agustina à corrente neorromântica.
Também podemos encontrar na sua obra influências de autores como Raul Brandão, Proust ou Bergson. A preocupação de Agustina pela condição social e cultural dos portugueses leva-a a recorrer à ficção para problematizar o conhecimento histórico e vivencial.
Além da atividade literária, a escritora envolveu-se noutros projetos. Foi membro do Conselho Diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma); colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido entre 1986 e 1987 diretora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto); entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa). Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social e da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras).
Em 1981, foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, tendo sido elevada ao grau de Grã-Cruz da mesma ordem em 26 de Janeiro de 2006. Em 2004, aos 81 anos, recebeu o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões. Em 2005 foi-lhe atribuído o título de doutor honoris causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Vários dos seus romances foram adaptados ao cinema pelo realizador Manuel de Oliveira, com quem manteve uma relação de amizade e de colaboração próxima. Exemplos desta parceria são Fanny Owen (Francisca, 1981), Vale Abraão (filme homónimo, 1993), As Terras do Risco (O Convento, 1995) ou A Mãe de um Rio (Inquietude, 1998).
Agustina Bessa-Luís deixou de escrever em Julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, A Ronda da Noite, retirando-se da vida pública devido a razões de saúde.
“Fim - o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa.”


Obra (assinalam-se a negrito os títulos que integram o catálogo da Biblioteca do Externato Cooperativo da Benedita)
Ficção
1948 - Mundo Fechado (novela)
1950 - Os Super-Homens (romance)
1951-1953 - Contos Impopulares (romance)
1954 - A Sibila (romance)
1956 - Os Incuráveis (romance)
1957 - A Muralha (romance)
1958 - O Susto (romance)
1960 - Ternos Guerreiros (romance)
1961 - O Manto (romance)
1962 - O Sermão do Fogo (romance)
1964 - As Relações Humanas: I - Os Quatro Rios (romance)
1965 - As Relações Humanas: II - A Dança das Espadas (romance)
1966 - As Relações Humanas: III - Canção Diante de uma Porta Fechada (romance)
1967 - A Bíblia dos Pobres: I - Homens e Mulheres (romance)
1970 - A Bíblia dos Pobres: II - As Categorias (romance)
1971 - A Brusca (contos)
1975 - As Pessoas Felizes (romance)
1976 - Crónica do Cruzado OSB (romance)
1977 - As Fúrias (romance)
1979 - Fanny Owen (romance histórico)
1980 - O Mosteiro (romance)
1983 - Os Meninos de Ouro (ação)
1983 - Adivinhas de Pedro e Inês (romance histórico)
1984 - Um Bicho da Terra (romance histórico, biografia de Uriel da Costa)
1984 - Um Presépio Aberto (narrativa)
1985 - A Monja de Lisboa (romance histórico, biografia de Maria de Visitação)
1987 - A Corte do Norte (romance histórico)
1988 - Prazer e Glória (romance)
1988 - A Torre (conto)
1989 - Eugénia e Silvina (romance)
1991 - Vale Abraão (romance)
1992 - Ordens Menores (romance)
1994 - As Terras do Risco (romance)
1994 - O Concerto dos Flamengos (romance)
1995 - Aquário e Sagitário (narrativa)
1996 - Memórias Laurentinas (romance)
1997 - Um Cão que Sonha (romance)
1998 - O Comum dos Mortais (romance)
1999 - A Quinta Essência (romance)
1999 - Dominga (conto)
2000 - Contemplação Carinhosa da Angústia (antologia)
2001 - O Princípio da Incerteza: I — Jóia de Família (romance)
2002 - O Princípio da Incerteza: II — A Alma dos Ricos (romance)
2003 - O Princípio da Incerteza: III — Os Espaços em Branco (romance)
2004 - Antes do Degelo (romance)
2005 - Doidos e Amantes (romance)
2006 - A ronda da noite (romance)
Biografias
1979 - Santo António
1979 - Florbela Espanca
1981 - Sebastião José
1982 - Longos Dias Têm Cem Anos — Presença de Vieira da Silva
1986 - Martha Telles: o Castelo Onde Irás e Não Voltarás (ensaio e biografia)
Teatro
1958 - Inseparável ou o Amigo por Testamento
1986 - A Bela Portuguesa
1992 - Estados Eróticos Imediatos de Soren Kierkegaard
1996 - Party: Garden-Party dos Açores — Diálogos
1998 - Garret: O Eremita do Chiado
Crónicas, memórias, textos ensaísticos
1961 - Embaixada a Calígula (relato de viagem)
1979 - Conversações com Dimitri e Outras Fantasias (crónicas)
1980 - Arnaldo Gama — “Gente de Bem”
1981 - A Mãe de um Rio (texto e fotografia)
1981 - Dostoievski e a Peste Emocional
1981 - Camilo e as Circunstâncias
1982 - António Cruz, o Pintor e a Cidade
1982 - D.Sebastião: o Pícaro e o Heroíco
1982 - O Artista e o Pensador como Minoria Social
1984 - ”Menina e Moça” e a Teoria do Inacabado
1986 - Apocalipse de Albrecht Dürer
1987 - Introdução à Leitura de “A Sibila”
1988 - Aforismos
1991 - Breviário do Brasil (diário de viagem)
1994 - Camilo: Génio e Figura
1995 - Um Outro Olhar sobre Portugal (relato de viagem), com fotografias de Pierre Rossollin e ilustrações de Maluda
1996 - Alegria do Mundo I: escritos dos anos de 1965 a 1969
1997 - Douro (texto e fotografia), em colaboração com Mónica Baldaque
1998 - Alegria do Mundo II: escritos dos anos de 1970 a 1974
1998 - Os Dezassete Brasões (texto e fotografia)
1999 - A Bela Adormecida
2000 - O Presépio: Escultura de Graça Costa Cabral (texto e fotografia), em colaboração com Pedro Vaz
2001 - As Meninas (texto e pintura)
2002 - O Livro de Agustina (autobiografia)
2002 - Azul (divulgação), em colaboração com Luísa Ferreira
2002 - As Estações da Vida (texto e fotografia), fot. Jorge Correia Santos
2004 - O Soldado Romano, com ilustrações de Chico
2016 - Ensaios e artigos
Literatura infantil
1983 - A Memória de Giz, com ilustrações de Teresa Dias Coelho
1987 - Contos Amarantinos, com ilustrações de Manuela Bacelar
1987 - Dentes de Rato, com ilustrações de Martim Lapa
1990 - Vento, Areia e Amoras Bravas, com ilustrações de Mónica Baldaque
2007 - O Dourado, com ilustrações de Helena Simas
Adaptações cinematográficas
1981 - Francisca, realizado por Manoel de Oliveira (adaptação do romance Fanny Owen)
1993 - Vale Abraão, realizado por Manoel de Oliveira (adaptação do romance Vale Abraão)
1995 - O Convento, realizado por Manoel de Oliveira, com Catherine Deneuve e John Malkovich (adaptação do romance As Terras do Risco)
1996 - Party, realizado por Manoel de Oliveira (adaptação da peça Party: Garden-Party dos Açores)
1998 - Inquietude, realizado por Manoel de Oliveira (adaptação do conto A Mãe de um Rio), Prémio Globo de Ouro (1999) para a melhor realização
2002 - O Princípio da Incerteza, realizado por Manoel de Oliveira (adaptação do romance O Princípio da Incerteza)
2005 - Espelho Mágico, realizado por Manoel de Oliveira (adaptação do romance A Alma dos Ricos)
2001 - Porto da minha infância, realizado por Manoel de Oliveira
2009 - A Corte do Norte, realizado por João Botelho
Prémios
Prémios à autora
1975 - Prémio "Adelaide Ristori" (Centro Cultural Italiano de Roma)
1982 - Prémio da Cidade do Porto
1988 - Prémio Seiva de Literatura (Companhia de Teatro Seiva Trupe), Porto
1993 - Medalha de Mérito Cultural
1996 - Prémio Bordalo de Literatura (Casa da Imprensa)
2004 - Prémio Camões - o mais importante prémio literário da língua portuguesa
2004 - Prémio Vergílio Ferreira (Universidade de Évora)
2005 - Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, Turim (Itália)
Prémios às obras
1953 - Prémio Delfim Guimarães (Guimarães Editores) (A Sibila)
1954 - Prémio Eça de Queirós (Secretariado Nacional de Informação) (A Sibila)
1966 - Prémio Ricardo Malheiros (Academia das Ciências de Lisboa) (Canção Diante de uma Porta Fechada)
1967 - Prémio Nacional de Novelística (Secretariado Nacional de Informação) (Homens e Mulheres)
1977 - Prémio Ricardo Malheiros (Academia das Ciências de Lisboa) — Prémio Literário (As Fúrias)
1980 - Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção (O Mosteiro)
1980 - Prémio D. Dinis (Fundação Casa de Mateus) (O Mosteiro)
1983 - Prémio de Romance e Novela, Associação Portuguesa de Escritores (Os Meninos de Ouro)
1988 - Prémio RDP Antena 1 da Literatura (Ex-aequo) (Prazer e Glória)
1993 - Prémio da Crítica (Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários) (Ordens Menores)
1994 - Prémio Municipal Eça de Queirós (Câmara Municipal de Lisboa) — Prémio de Prosa de Ficção (As Terras do Risco)
1996 - Prémio Máxima de Literatura (Memórias Laurentinas e Party)
1997 - Prémio Internacional União Latina, Itália (Um Cão que Sonha)

2001 - Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (Jóia de Família)