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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Autor do mês de junho - Anne Frank



Anne Frank
20 de junho de 1942
Escrever um diário é uma experiência realmente estranha para uma pessoa como eu. Não só porque não escrevi nada antes, mas também porque me parece que, mais tarde, nem eu nem ninguém estará interessado nos devaneios de uma rapariga de treze anos. Oh, enfim, não importa. Apetece-me escrever e tenho uma necessidade ainda maior de desabafar todo o tipo de coisas.
No mês que começa com um dia dedicado à criança, queremos homenagear Anne Frank, a menina que se tornou um símbolo universal contra a intolerância, além de ter dado um "rosto" aos milhões de pessoas que morreram no Holocausto. Não chegando a ser uma verdadeira escritora (Anne morreu antes de completar os 16 anos e apenas nos deixou o seu Diário e alguns contos de fadas publicados na Holanda e na Alemanha como obra escrita), o testemunho pungente dos seus últimos anos de vida ainda hoje marca uma série de gerações e continua a ser uma leitura (quase) obrigatória nas escolas.

Annelies Marie Frank nasceu no dia 12 de junho de 1929, na cidade alemã de Frankfurt am Main, na República de Weimar, e morreu em fevereiro de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen, vítima do Holocausto.
A vitória do Partido Nazi na Alemanha, em 1933, e a consequente ascensão de Hitler ao poder deram início a um programa político de perseguição e exclusão dos judeus na sociedade alemã.
Anne Frank, nascida no seio de uma família judia liberal, ou seja, que não seguia todos os costumes e tradições do judaísmo, vivendo numa comunidade de cidadãos judeus e de outras religiões, viu a sua vida ser radicalmente alterada em 1934, quando o pai, Otto Frank, um empresário na área da indústria alimentar, decide mudar toda a família para a cidade holandesa de Amesterdão. Após a invasão da Holanda pelos alemães, em 1940, o governo da ocupação começou a perseguir a população judaica, implementando leis restritivas e discriminatórias; o registo obrigatório e a segregação aconteceram logo de seguida.

Quando fez treze anos, Anne recebeu de presente do pai um livro de autógrafos, com uma estampa vermelha e branca e com um pequeno cadeado na parte da frente. Anne Frank, que desde pequena gostava de escrever, decidiu que iria usá-lo como diário.
“Espero poder confiar-te tudo, como nunca pude confiar em ninguém, e espero que venhas a ser uma grande fonte de conforto e apoio.”
Esta é a frase inscrita na primeira página do diário, no dia 12 de junho de 1942.



A partir de 20 de junho, cada entrada é iniciada por “Querida Kitty”, pois Anne quis que o diário, mais do que um registo de factos, fosse como uma amiga a quem contaria a sua história.
E é a partir das páginas desse diário, escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, que o mundo ficou a conhecer a história de Anne Frank, não só aspetos do seu quotidiano, mas também sobre as mudanças que ocorreram na cidade onde morava após a ocupação alemã dos Países Baixos.
Em 20 de junho de 1942, por exemplo, a menina que sonhava ser atriz, que adorava ver filmes, mas que foi proibida de o fazer quando os judeus deixaram de ter acesso a salas de cinema, enumera muitas das restrições que haviam sido colocadas sobre a vida da população judaica holandesa, que acabam por afetar a sua família também.
Entretanto, Anne e a sua irmã Margot (dois anos mais velha) foram proibidas de estudar nas escolas que frequentavam, tendo direito apenas a frequentar instituições próprias para judeus.
Em julho de 1942, Margot recebeu um aviso do Escritório Central de Emigração Judaica, ordenando que se mudasse imediatamente para um campo de trabalho. Otto Frank decidiu então esconder a família nuns quartos que existiam numa parte superior recuada das instalações da empresa familiar Opekta (o Anexo Secreto), dividindo-o com mais quatro pessoas: a família van Pels (van Daan no Diário) – a mãe Auguste, o pai Hermann, sócio de Otto Frank, e o filho Peter; e Fritz Pfeffer (Albert Dussel no Diário), um dentista judeu que Otto Frank decide albergar no anexo. A ajuda de alguns dos seus colaboradores de confiança permitiu-lhe continuar a dirigir a empresa e abastecer regularmente a família, apesar das restrições do racionamento.
O Achterhuis (a palavra neerlandesa que designa a parte de trás de uma casa, ou seja, anexo secreto) era um espaço de três andares, com entrada a partir dos escritórios da Opekta. Dois quartos pequenos, com uma casa de banho no primeiro andar, e por cima uma grande sala, com uma outra pequena ao lado. Nesta menor, havia uma escada que levava ao sótão. A porta do esconderijo foi coberta por uma estante para garantir que o lugar permanecesse desconhecido.
Durante a permanência no anexo, a maior parte do tempo de Anne foi gasta a ler, a ler muito, e a estudar, fazendo exercícios de matemática e traduções de francês, e sobretudo a escrever no seu diário.



Além de narrar os eventos do dia-a-dia, as dificuldades da vida em comum daquelas oito pessoas, escreveu sobre os seus sentimentos (por exemplo, por Peter van Pels, o jovem de 16 anos a quem dá o primeiro beijo), as suas crenças e ambições, coisas que não poderia discutir com ninguém. Ao mesmo tempo, ia acompanhando as notícias que chegavam sobre a Guerra e o destino dos judeus.
“Se as coisas estão tão más na Holanda, como será nesses locais distantes e incivilizados para os alemães os estão a mandar? Partimos do princípio de que a maioria está a ser assassinada. A rádio inglesa diz que estão a ser gaseados. Talvez seja a forma mais rápida de morrer. Sinto-me terrivelmente. Os relatos de Miep destes horrores são tão dilacerantes.” (9 de outubro de 1942)

Perto do fim da guerra, em 4 de agosto de 1944, o grupo foi traído em circunstâncias pouco claras e o anexo secreto foi assaltado pela polícia uniformizada alemã. A família Frank e os outros quatro ocupantes do anexo foram levados durante a noite para interrogatório, ficando numa casa de detenção, a Huis van Bewaring. Dois dias depois, foram transportados para Westerbork, campo de concentração de trânsito para judeus do norte da Holanda, onde já havia mais de 100 mil judeus, principalmente holandeses e alemães. Considerados criminosos por viverem clandestinamente, foram enviados para campos de concentração.
Em 3 de setembro de 1944, Anne e Margot foram deportadas para o campo de concentração de Auschwitz, ali permanecendo até 28 de outubro, quando foram levadas para o campo de Bergen-Belsen. O pai já tinha sido separado da família e a mãe, Edith Frank, não foi selecionada e ficou em Auschwitz, morrendo de fome e exaustão em janeiro de 1945.
Anne e Margot Frank morreram, provavelmente de tifo, em Bergen-Belsen, num dia desconhecido no final de fevereiro ou início de março de 1945. Em abril, o campo seria libertado pelas tropas britânicas.
Otto Frank foi o único sobrevivente entre os que habitavam o anexo. Regressou a Amesterdão e descobriu que o diário da filha, bem como fotografias da família e outros bens pessoais, tinham sido salvos por Miep Gies, uma das secretárias que trabalhava na empresa e uma das pessoas que ajudaram a família durante o tempo em que viveram escondidos no anexo.
Após muito esforço, em 1947 Otto conseguiu publicar o diário que é, desde então, um dos livros mais traduzidos do mundo e também dos mais polémicos, pois sabe-se que Otto retirou algumas partes do texto e provavelmente alterou outras deliberadamente, criando uma versão “editada” ou “autorizada” do diário da filha. Entre 1982 e 2001, foram publicadas as versões definitivas, reunindo os textos originais que continham “versões” manuscritas que a própria Anne Frank tinha escrito e que foram sendo descobertos ao longo dos anos.
Em 1959, foi lançado um filme sobre a vida de Anne Frank, com o título The Diary of Anne Frank. Aclamado pela crítica, foi vencedor de três Óscares.
Em 3 de maio de 1957, um grupo de cidadãos, incluindo Otto Frank, estabeleceram a Instituição Anne Frank, num esforço para resgatar o edifício Prinsengracht da demolição e torná-lo acessível ao público. A Casa de Anne Frank foi aberta em 3 de maio de 1960; é composta pelo armazém e os escritórios da Opekta e o Anexo Secreto, todos sem mobília para que os visitantes possam andar pelas várias divisões. Alguns objetos pessoais dos antigos ocupantes permaneceram, como fotografias de estrelas de cinema coladas por Anne Frank numa parede, noutra parede as marcas que Otto fazia do crescimento das filhas, além de um mapa onde gravou o avanço das Forças Aliadas da Segunda Guerra Mundial. A partir do quarto mais pequeno, que foi o quarto de Peter van Pels, uma passagem liga o edifício aos dos seus vizinhos, que foram comprados pela Instituição. Estes outros edifícios são usados para albergar o Diário, bem com exposições temporárias sobre aspetos do Holocausto e exemplos da intolerância racial no mundo. Em 2014, tornou-se uma das principais atrações turísticas de Amesterdão, recebendo mais de 1 milhão de visitantes. Desde então, o museu disponibiliza exposições que já viajaram para 32 países na Europa, Ásia, América do Sul e do Norte.

[Os excertos aqui transcritos foram retirados de
O Diário de Anne Frank, versão definitiva. Porto: Livros do Brasil/Porto Editora, 2015]

Para saber mais sobre Anne Frank, clique em


terça-feira, 9 de maio de 2017

Dia da Europa


A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam.
Robert Schuman, 9 de maio de 1950
O Dia da Europa ou Dia da União Europeia é uma data comemorativa celebrada anualmente na Europa no dia 9 de Maio. A data escolhida reflete o dia em que o então ministro francês dos Negócios Estrangeiros Robert Schuman avançou com a proposta de criação de uma entidade europeia supranacional incumbida de gerir as matérias-primas que nessa altura constituíam a base do poderio militar, o carvão e o aço, e que traria consigo os valores de paz, solidariedade, desenvolvimento económico e social, equilíbrio ambiental e regional, particularmente entre a França e a Alemanha Ocidental. Essa proposta ficou conhecida como a “Declaração Schuman” e é considerada o embrião da atual União Europeia.


Robert Schuman

Em 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, as nações europeias continuavam a braços com a devastação causada pelo conflito e receosas de que a guerra regressasse ao continente europeu.
A “Declaração Schuman”, partindo do pressuposto de que a colocação em comum da produção de carvão e de aço iria tornar a guerra entre a França e Alemanha, países historicamente rivais, «não só impensável, mas materialmente impossível», e que a fusão dos interesses económicos contribuiria para melhorar o nível de vida e constituiria o primeiro passo para uma Europa mais unida, levará, em 1952, à fundação da CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), juntando-se a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo, a Itália, a França e a Alemanha Ocidental. A Comunidade estabelecia a livre circulação de carvão, ferro e aço entre os países-membros, e defendia políticas para a instalação de indústrias siderúrgicas.
Esta organização abriu o caminho para a CEE, fundada em 1957, pelo Tratado de Roma, e, mais tarde, para a União Europeia, em 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht.
Por se considerar que esse dia foi o marco inicial da União Europeia, os Chefes de Estado e de Governo, na Cimeira de Milão de 1985, decidiram consagrar o dia 9 de maio como "Dia da Europa", comemorando-se a paz e unidade na Europa e assinalando o aniversário da “Declaração Schuman”.
O Dia da Europa é, juntamente com a bandeira, o hino, a divisa (Unida Na Diversidade) e o euro, um dos símbolos da identidade comum da União Europeia.
Para conhecer a Declaração Schuman, clique em


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho


O dia 8 de maio é comemorado internacionalmente como o Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Neste dia, realizam-se atividades que enaltecem a importância e o valor da ajuda humanitária, assim como se planeiam as melhores respostas em caso de emergência e catástrofe.
A escolha da data deve-se ao facto de o dia 8 de maio ser a data de nascimento de Henry Dunant, o suíço que, em 1863, fundou a Cruz Vermelha, a maior organização humanitária do mundo.
Henri Dunant nasceu em Genebra, em 1828, oriundo de uma família próspera, respeitada e preocupada com os problemas sociais e o bem-estar da comunidade. Em 1853, iniciou a sua carreira profissional como banqueiro.
Em 1859, necessitando de autorização de direitos de utilização de água para o seu projeto de produção de farinha na Argélia, resolve falar diretamente com o Imperador Napoleão III e expor-lhe o seu negócio. O Imperador encontrava-se com as suas tropas no campo de batalha no norte de Itália e Dunant parte ao seu encontro, deparando-se com uma das mais sangrentas batalhas do século XIX, a Batalha de Solferino.
Horrorizado com a carnificina a que assistiu (cerca de 40 mil soldados morreram ou ficaram feridos e foram largados à mercê do seu destino), rapidamente reúne mulheres das aldeias vizinhas para prestar assistência aos feridos de ambos os lados, sem distinção pelo uniforme ou nacionalidade, com o intuito apenas de ajudar homens que precisavam de socorro.
De regresso a Genebra, Henry Dunant passa a escrito as memórias da experiência que viveu, publicando Recordação de Solferino, em 1862, lançando duas ideias no livro:
  • A criação de sociedades voluntárias de socorro para prestarem assistência aos feridos em tempo de guerra.
  • A formulação de um acordo internacional que assegurasse a proteção dos soldados feridos e do pessoal médico no campo de batalha.

O sucesso do livro levou Dunant a viajar pela Europa para obter o maior número de apoios para as suas propostas.
Em 1863, com o apoio de quatro cidadãos de Genebra, fundou o Comité Internacional de Socorro aos Militares Feridos em Tempo de Guerra (desde 1875, designado por Comité Internacional da Cruz Vermelha). Nesta altura é, também, adoptada como emblema uma Cruz Vermelha em fundo branco (inverso da bandeira da Suíça).
Sendo a maior organização humanitária do mundo, conta com cerca de 97 milhões de voluntários, em 190 países, e tem como missão prestar assistência humanitária e social, em especial aos mais vulneráveis.
É uma instituição universal, no seio da qual todas as sociedades nacionais têm direitos iguais e o dever da entre-ajuda.
Os 7 princípios da Cruz Vermelha são: Humanidade, Imparcialidade, Neutralidade, Independência, Voluntariado, Unidade, Universalidade.

Em 1929 surgiu oficialmente o Movimento Internacional do Crescente Vermelho, depois de a Turquia ter solicitado a utilização do símbolo do crescente vermelho pelos países muçulmanos. No entanto, este havia sido já utilizado anteriormente pelos voluntários internacionais da Cruz Vermelha, no conflito armado ocorrido de 1876 a 1878 entre a Turquia e a Rússia . Mais de três dezenas de nações muçulmanas adotaram este símbolo, que continua a ser em vermelho sobre fundo branco, substituindo apenas a cruz por um crescente lunar.
Esta organização humanitária não governamental federou-se com a Cruz Vermelha Internacional, surgindo, em 1983, a Liga das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e, em 1991, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, nome que subsistiu desde então.
Os princípios fundamentais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho são a imparcialidade (ajuda a pessoas de qualquer religião, raça, orientação política ou condição social), a independência do movimento (autonomia para atuar de acordo com os princípios do movimento), o serviço voluntário (não remunerado), a unidade (existência de uma só entidade central do movimento em cada país, que é acessível a todas as pessoas), a humanidade (com o objetivo principal de prevenir e aliviar o sofrimento de todas as pessoas em qualquer circunstância), a universalidade (todas as sociedades têm os mesmos direitos e o dever de se ajudar mutuamente) e a neutralidade (não toma partido político, ideológico, racial e religioso).

Em 1997 fez-se em Sevilha um acordo sobre a Organização das Atividades Internacionais dos Componentes do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Desde 8 de dezembro de 2005 o Cristal ou Diamante Vermelho (em forma de losângulo) juntou-se como símbolo oficial à Cruz Vermelha e ao Crescente Vermelho.

Cruz Vermelha Portuguesa
A Cruz Vermelha Portuguesa foi criada em 11 de Fevereiro de 1865, sob a designação de “Comissão Provisória para Socorros e Feridos e Doentes em Tempo de Guerra”, pelo médico militar José António Marques que, no ano anterior, tinha representado o rei D. Luís I na conferência internacional que deu origem à I Convenção de Genebra.
Desde então, a Cruz Vermelha Portuguesa tem prestado auxílio em todas as guerras e grandes catástrofes em que Portugal esteve envolvido, bem como em situações de catástrofes e guerras no estrangeiro.
A sede nacional da Cruz Vermelha Portuguesa está instalada no Palácio da Rocha do Conde D'Óbidos, em Lisboa.

Para saber mais,




segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia do Trabalhador


“Oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de repouso!”: foi em nome destas reivindicações que, no dia 1 de maio de 1886, milhares de trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, se manifestaram nas ruas da cidade e iniciaram uma greve geral que se estendeu a todo o país.
No século XIX, o horário laboral podia estender-se até às 18 horas por dia, os sindicatos eram proibidos e não existia qualquer noção de respeito pelos direitos laborais, pelo que muitos dos manifestantes e grevistas acabaram por sucumbir às mãos das forças policiais que violentamente agiram contra eles.
Em 1889, a Segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de continuar a luta pelas 8 horas de trabalho diário, escolhendo o primeiro dia de maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago.
Apesar de até hoje nos Estados Unidos não se reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores norteamericanos conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.
A pouco e pouco, os direitos dos trabalhadores foram sendo colocados na agenda política de diversos governos. Por exemplo, no dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e uns anos depois a Rússia fez o mesmo.
Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, acompanhando a realização internacional. Inicialmente, as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.
Durante a I República, a luta operária transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. O 1.º de Maio adquiriu também características de ação de massas. Em 1919, após muitas manifestações da luta do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.
Ao longo do Estado Novo, apesar das limitações à liberdade individual e associativa, apesar das proibições e da repressão, que impediram as comemorações do dia 1 de maio, houve manifestações, como, por exemplo, em 1962, as dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF, ou as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo.
Apenas após o 25 de abril de 1974 se retomaram as comemorações do dia do Trabalhador e o dia 1 de Maio passou a ser feriado nacional. Na memória de muitos ficaram as imagens e o significado do primeiro 1º de maio.






Autor do mês de maio - Mário de Sá-Carneiro



Mário de Sá-Carneiro, poeta, contista e ficcionista português, um dos expoentes do Modernismo em Portugal, nasceu em Lisboa, no dia 19 de Maio de 1890, e morreu em Paris, a 26 de Abril de 1916.
Depois de, aos 21 anos, ter ido para Coimbra estudar Direito, não concluindo o primeiro ano, segue para Paris a fim de prosseguir os estudos superiores na Sorbonne. No entanto, também aqui deixou de frequentar as aulas, dedicando-se a uma vida boémia, na companhia de escritores e artistas, entre os quais o português Guilherme de Santa-Rita (Santa-Rita Pintor).
Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Fernando Pessoa, que conhecera em 1912.
Com Fernando Pessoa e Almada Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português, com forte influência das vanguardas culturais europeias, e foi um dos responsáveis pela edição da revista literária Orpheu, um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho de 1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado).

Colaborou também em diversas publicações periódicas, nomeadamente no semanário Azulejos; na II série da revista Alma Nova e na revista Contemporânea; pode ainda encontrar-se colaboração da sua autoria, embora publicada postumamente, nas revistas Pirâmide e Sudoeste.
Em 1914, Mário Sá-Carneiro viaja para Portugal, devido à deflagração da I Guerra Mundial. Em julho de 1915 regressa a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a evolução e maturidade do seu processo de escrita, mas também a imagem lancinante de um homem perdido no «labirinto de si próprio».
Este estado de alma viria a conduzir Mário Sá-Carneiro ao suicídio, perpetrado no Hôtel de Nice, no bairro de Montmartre, em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniato de estricnina.
Numa «carta de despedida» para Fernando Pessoa, revela as razões para se suicidar:
Paris - 31 Março 1916
Meu Querido Amigo.
A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas "cartas de despedida"... Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui... Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos da sua Ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente, às mil maravilhas: mas não tenho dinheiro. [...]
Mário de Sá-Carneiro
O seu poema Fim foi musicado pelo grupo Trovante no final dos anos 1980.
Fim
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!
Mário de Sá Carneiro, Paris, 1916
Mais tarde, o poema O Outro foi musicado pela cantora brasileira Adriana Calcanhotto.
O Outro
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
Mário de Sá-Carneiro, in Indícios de Oiro, 1914
Contava apenas vinte e cinco anos quando morreu. A carreira literária de Mário de Sá-Carneiro começou em 1912 e terminou em 1916 (o ano da sua morte).
No segundo número da revista Athena, Pessoa dedicou-lhe um texto, apelidando-o de «génio não só da arte como da inovação dela», e dizendo dele que «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur, um aforismo de Plauto):
Génio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felicidade nesta vida. Só a arte, que fez ou que sentiu, por instantes o turbou de consolação. São assim os que os Deuses fadaram seus. Nem o amor os quer, nem a esperança os busca, nem a glória os acolhe. Ou morrem jovens, ou a si mesmos sobrevivem, íncolas da incompreensão ou da indiferença. Este morreu jovem, porque os Deuses lhe tiveram muito amor.
Mas para Sá-Carneiro, génio não só da arte mas da inovação nela, juntou-se, à indiferença que circunda os génios, o escárnio que persegue os inovadores, profetas, como Cassandra, de verdades que todos têm por mentira. In qua scribebat, barbara terrafuit. Mas, se a terra fora outra, não variara o destino. Hoje, mais que em outro tempo, qualquer privilégio é um castigo. Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza. As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim.
Fernando Pessoa, Athena, n.º 2, Lisboa, Novembro, 1924.

Em 1929, Pessoa escreveu o famoso texto que começa com a frase: “Morre jovem o que os Deuses amam, é preceito da sabedoria antiga” e, no décimo aniversário do suicídio do escritor, o poema “Se te queres matar, porque não te queres matar?”, sob a pena de Álvaro de Campos. Em 1935, o ano em que morreu, escreveu um último poema, Sá-Carneiro, para ser publicado “nesse número de Orpheu que há-de ser feito com sóis e estrelas em um mundo novo“:
“Por isso, embora num comboio expresso
Seguisses, e adiante do que eu vou,
No térmitus de tudo, ao fim lá vou
Nessa ida que afinal é regresso.
Porque na enorme gare onde Deus manda
Grandes acolhimentos se darão
Para cada prolixo coração
Que com seu próprio ser vive em demanda.”
Fernando Pessoa, 1935.

Da obra que Mário de Sá-Carneiro publicou em vida, constam:
Amizade (1912) – teatro
Princípio (1912) – novelas
A Confissão de Lúcio (1914) – romance
Dispersão (1914) – poesia
Céu em Fogo (1915) – novelas
Obra póstuma:
Indícios de Oiro (1937) – publicada pela revista Presença, reúne o conjunto dos trabalhos mais significativos do conjunto da sua obra.
Correspondência – Cartas a Fernando Pessoa (2 vols., 1958-1959), Cartas de Mário de Sá-Carneiro a Luís de Montalvor, Cândida Ramos, Alfredo Guisado e José Pacheco (1977), Correspondência Inédita de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa (1980).
Toda a obra de Mário de Sá-Carneiro pode se consultada no espólio online da Biblioteca Nacional:


Para mais informação, consultar também

http://sacarneiro.sdsu.edu/paginas/envelopes.html


domingo, 23 de abril de 2017

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor



“O livro é uma extensão da memória e da imaginação. [...] é a grande memória dos séculos. Se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem.”
Jorge Luís Borges
A UNESCO instituiu em 1995 o dia 23 de abril como Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor: foi neste dia que, em 1616, morreu Miguel de Cervantes e, em 1899, nasceu Vladimir Nabokov, romancista de origem russa, nascido em 1899 e naturalizado norte americano em 1945. O dia 23 de abril é também recordado como o dia em que nasceu e morreu William Shakespeare.

De acordo com o artigo 27º da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
  1. Todo o ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e dos seus benefícios.
  2. Todo o ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.

Assim, com a comemoração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, pretende-se defender e cumprir estes direitos, promovendo, sobretudo junto dos mais jovens, o prazer da leitura e da descoberta dos livros e a proteção dos direitos autorais e da propriedade intelectual.


Todos os anos são organizados eventos para celebrar este dia, com o objetivo de chamar a atenção para a importância do livro como bem cultural, essencial para o desenvolvimento da literacia e para o desenvolvimento económico.

sábado, 22 de abril de 2017

Dia da Terra



“A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. (...) é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica (...) um pálido ponto azul. (...)
Gostemos ou não, por enquanto, a Terra é o único lugar onde podemos viver (...).”

Carl Sagan (1990)
Quando, em 12 de abril de 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin, a bordo da nave Vostok-1, completou uma volta em torno da Terra numa órbita a 315 km de altitude, sendo o primeiro ser humano a viajar pelo espaço, terá comentado, fascinado: "A Terra é azul!".
Desde então, o nosso planeta é conhecido como “o planeta azul”, fazendo sentido as palavras de Carl Sagan.

Em 2009, a ONU reconheceu a importância do tema da preservação do Planeta Terra e instituiu o dia 22 de abril como Dia Internacional da Mãe Terra, celebrado hoje em mais de 190 países, com a participação de cerca de 1 bilião de pessoas.
principal objetivo  deste dia é consciencializar todos os povos sobre a importância e a necessidade de conservar os recursos naturais do planeta e defender a harmonia entre todos os seres vivos. Só assim será possível assegurar às gerações presentes e futuras qualidade de vida ambiental, social, económica, cultural, estética.
Para o ano de 2017, o tema das atividades é "Instrução ambiental e climática".
Como afirmou o professor universitário e coordenador de vários movimentos cívicos em torno de questões ambientais nacionais e internacionais Viriato Seromenho Marques, em 2016, “um dos mais seguros sinais de civilização que hoje existe é o da qualidade do ambiente e das respetivas políticas. Um país que trata bem da sua paisagem e dos seus recursos naturais é um país que respeita a sua população, não só na saúde ambiental, mas também na esfera social e dos direitos humanos em geral. Não admira que nos índices internacionais de desenvolvimento humano, os indicadores ambientais surjam com enorme destaque”.
Por isso, a literacia ambiental e climática deve ser uma das competências adquiridas e trabalhadas nas escolas, tendo em vista o estudo e a preservação do meio ambiente, da qualidade da água para consumo humano, a proteção do litoral e dos oceanos, passando pelo ordenamento do território, por políticas urbanas, de conservação da natureza e da biodiversidade, energia e alterações climáticas.


Porquê comemorar o Dia da Terra?
As origens desta celebração remontam a 1970, quando o senador e ativista ambiental norte-americano Gaylord Nelson propôs que o dia 22 de abril fosse consagrado à defesa do Planeta Terra, depois de verificar as consequências do desastre petrolífero de Santa Bárbara.
Este desastre ocorreu no dia 28 de janeiro de 1969, depois de a rutura de um oleoduto em Santa Bárbara, Califórnia provocar aquele que foi considerado na altura o maior desastre ambiental de que se tinha conhecimento. Durante cerca de 10 dias, mais de 80 000 barris de petróleo (16 000 m3) foram derramados no canal de Santa Bárbara, com consequências dramáticas para o ambiente e toda a vida marinha da região (aves, golfinhos, elefantes e leões marinhos).
Em abril de 1970, Gaylord Nelson organizou uma campanha de protesto, com o objetivo de colocar o tema da preservação da Terra na agenda política norte-americana. Nesta manifestação participaram duas mil universidades, dez mil escolas primárias e secundárias e centenas de comunidades, num total de mais de 20 milhões de americanos que aderiram à causa a favor da preservação da Terra e do ambiente. A pressão social teve efeitos e o governo dos Estados Unidos criou a Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) e aprovou uma série de leis destinadas à proteção do meio ambiente.
Em 1972 realizou-se, em Estocolmo, a primeira conferência internacional sobre o meio ambiente, com o objetivo de sensibilizar os líderes mundiais sobre a magnitude dos problemas ambientais e que se instituíssem as políticas necessárias para erradicá-los.
No entanto, ao longo dos anos, continuámos a ser surpreendidos com notícias de desastres ambientais, na maior parte das vezes causados pelo homem e, por isso, evitáveis, embora também decorram de causas naturais. Destes, os mais dramáticos e cujas consequências se revelam mais perduráveis são os que derivam de acidentes que envolvem navios transportadores de petróleo.
A 24 de março de 1989, o navio petroleiro Exxon Valdez encalhou na Enseada do Príncipe Guilherme (Prince William Sound), na costa do Alasca, derramando cerca de 750 000 barris de petróleo (41 000 m3) e provocando a morte a mais de 260 000 pássaros marinhos, 2800 lontras, 250 águias e 22 orcas, além da perda de biliões de ovos de salmão. Foi o segundo maior derramamento de petróleo da história dos Estados Unidos.
Em 20 de abril de 2001, a plataforma petrolífera Deepwater Horizon explodiu no Golfo do México, derramando 4,9 milhões de barris (780 000 m3) e causando a morte de 11 pessoas, sendo até hoje considerado o maior desastre petrolífero da História. Não foi possível extinguir o incêndio provocado e, dois dias depois, a 22 de abril, a plataforma afundou-se. Depois de muitas tentativas infrutíferas para estancar o fluxo petrolífero, só em 2010 o poço foi declarado encerrado. Apesar disso, em 2013 ainda foram retiradas cerca de 2200 toneladas de crude das praias e continuou a registar-se a morte ou a deformação genética de muitos animais marinhos como consequência do derrame.
Bem perto de Portugal, na costa da vizinha Galiza, em novembro de 2002 começou a maior catástrofe ambiental até então registada nesta costa atlântica: o afundamento do petroleiro Prestige e posterior derramamento de milhares de toneladas de fueloil. O navio transportava cerca de 77 mil toneladas de fueloil e um dos seus 12 tanques rebentou durante uma tempestade nas costas da Galiza. A partir daquele momento, e até ao seu afundamento, estima-se que foram derramadas mais de 5000 toneladas de fueloil.
O governo espanhol, temendo uma rutura no tanque e um derramamento de petróleo na costa da Galiza, decidiu manter o Prestige ao largo da costa galega. Durante cinco dias o navio fica à deriva no Oceano Atlântico, deixando, atrás de si, um rasto de combustível.
Na manhã de 19 de Novembro, o barco partiu-se em dois, a cerca de 250 km da costa da Galiza, tendo-se afundado, o que provocou um incremento no volume da mancha negra.
Após o afundamento, o Prestige continuou a libertar cerca de 125 toneladas de fueloil por dia, contaminando o fundo do mar e a linha de costa, especialmente ao longo da Galiza. No leito do Atlântico, a 3600 metros abaixo do nível do mar, o Prestige continuou a largar combustível até agosto de 2003.
Um ano depois do acidente, um relatório da organização ambientalista internacional WWF - World Wildlife Fondation quantificou em pelo menos 64 mil toneladas a quantia de fuelóleo libertada para o mar e, dessas, entre cinco a dez mil continuavam à deriva.
Só nos três meses a seguir ao acidente foram recolhidas em Portugal 439 aves marinhas atingidas pela maré negra, das quais 186 ainda vivas, que foram enviadas para tratamento.
A pesca foi também prejudicada pelo desastre ecológico, não só em Espanha, mas também em Portugal, pois muitos consumidores recearam que o peixe e marisco pudessem estar contaminados e a procura diminuiu consideravelmente, afetando em muito a economia da região.


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A Carta da Terra

Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas idealizou um documento para defender os interesses sustentáveis, a paz e a justiça socioeconómica, uma espécie de código de ética planetário, semelhante à Declaração Universal dos Direitos Humanos, só que voltado à sustentabilidade, à paz e à justiça socioeconómica. Este documento, conhecido como a Carta da Terra, ganhou impulso na Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro, em 1992. O documento ficou concluído em 2000, foi traduzido para 40 idiomas e é atualmente apoiado por 4,6 mil organizações em todo o mundo.
A erradicação da pobreza, com acesso à água potável, ao ar puro e à segurança alimentar, e a construção de sociedades democráticas, sustentáveis e justas são dois princípios expressos pela Carta da Terra, que também defende a promoção de uma cultura de tolerância e não-violência e a distribuição equitativa dos recursos da Terra. 

Para conhecer a Carta da Terra, consultar:




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