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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Dez dias que abalaram o mundo, relato de uma revolução




A 7 de novembro de 2017 assinalam-se os 100 anos da Revolução Soviética, revolução que fez da Rússia o primeiro Estado socialista do mundo. A este propósito, recordamos também uma das obras clássicas da literatura ocidental.

Em 1919, o jornalista, ativista e escritor norte-americano John Reed publica nos Estados Unidos da América a obra que o tornaria célebre e que ainda hoje é encarada como um dos principais relatos da que foi a primeira revolução socialista no mundo: em Dez dias que abalaram o mundo (Ten Days That Shook the World, no original) descreve em primeira mão os acontecimentos que testemunha e que constituíram a que ficou conhecida como “Revolução de Outubro”, quando os bolcheviques tomaram o poder na Rússia.



(John Reed)

Governada autocraticamente pelo czar Nicolau II e composta maioritariamente por uma população camponesa explorada pelos proprietários das terras, a Rússia era, nos inícios do século XX, um imenso Império territorial, agregando muitas nacionalidades e palco de inúmeras tensões sociais e políticas. A participação na Primeira Guerra Mundial desorganizou a economia russa e agravou as condições de vida da população, desencadeando manifestações e greves, o que também contribuiu para expor as fraquezas do regime: liberais e socialistas denunciavam a incompetência do czar e dos seus ministros, incapazes de resistir às investidas da Alemanha.
A 23 de fevereiro de 1917 (de acordo com o calendário juliano, que a Rússia seguiu até fevereiro de 1918 e que tinha um atraso de 13 dias relativamente ao calendário gregoriano, correspondendo por isso esta data a 8 de março segundo o calendário ocidental) começam em Petrogrado, a capital do Império Russo, grandes manifestações de mulheres, acompanhadas de greves dos operários da cidade. Reunidos numa assembleia popular denominada Soviete, os operários exigiam o derrube do czar e a retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial. O apoio dos soldados ao Soviete de Petrogrado resultou no assalto ao Palácio de Inverno, conduzindo dias depois à abdicação do czar e à transformação da Rússia numa República.
O Governo Provisório que então entrou em funções, dirigido pelo Príncipe Lvov e mais tarde por Kerensky, instaurou uma democracia parlamentar à maneira ocidental e manteve a Rússia na Primeira Guerra Mundial. Entretanto, em todo o território se constituíram sovietes de operários, camponeses, soldados e marinheiros que, descontentes com o caráter burguês da nova República e com a permanência do conflito com a Alemanha, apelavam a uma nova revolução que, destituindo o governo, lhes entregasse o poder, retirasse o país da guerra e procedesse à abolição da propriedade privada. Estas reivindicações aparecem plasmadas nas “Teses de abril”, documento redigido por Lenine (pseudónimo de Vladimir Ilitch Ulianov), fundador e dirigente do Partido Social-Democrata Russo (mais tarde designado por Partido Bolchevique ou Partido Comunista), que havia regressado do exílio em Zurique.
Em 24 e 25 de outubro (7 e 8 de março no calendário ocidental), Petrogrado assistiu a uma nova revolução, protagonizadas por milícias bolcheviques que controlaram pontos estratégicos da cidade, assaltaram o Palácio de Inverno e derrubaram o Governo Provisório. O poder foi então entregue ao Conselho dos Comissários do Povo, composto exclusivamente por bolcheviques, presidido por Lenine e com Trotsky na Pasta da Guerra e Estaline na das Nacionalidades.


(Estaline, Lenine e Trotsky)

São então publicados os primeiros decretos revolucionários: o decreto sobre a guerra (que determina a retirada da Rússia da guerra, efetivada em março de 1918, com a assinatura de uma paz separada com a Alemanha, pelo Tratado de Brest-Litovsk); o decreto sobre a terra (que aboliu sem indemnização a propriedade privada das terras, entregando-a aos sovietes camponeses); o decreto sobre o controlo operário (que atribuía aos operários a superintendência e a gestão da produção nas fábricas); e o decreto sobre as nacionalidades (que conferia a todos os povos do antigo Império Russo o estatuto de igualdade e o direito à autodeterminação).
Pela primeira vez na História, os representantes do proletariado conquistavam o poder político recorrendo à luta de classes e à revolução, tal como Karl Marx havia preconizado em 1848, na obra Manifesto do Partido Comunista, escrita em coautoria com Friedrich Engels.


Logo em 1917, chegaram a todo o mundo notícias de que o Czar fora deposto na Rússia e que uma revolução estava em marcha. John Reed, jornalista e ativista político, nascido em Portland a 22 de outubro de 1887, que havia já feito a cobertura de greves e manifestações operárias nos Estados Unidos e da Revolução Mexicana de Pancho Villa, em 1913 (a partir da qual escreveu o livro México Rebelde, em 1914), e que se encontrava na Europa como correspondente durante a Primeira Guerra Mundial, interessou-se pela Revolução Bolchevique e, em setembro de 1917, partiu para Petrogrado, acompanhado da mulher, a escritora Louise Bryant.


(John Reed)

Testemunhando todos os acontecimentos que tiveram início no dia 7 de novembro, correndo de cena para cena, Reed tomou notas a uma velocidade incrível, reuniu folhetos, pósteres e manifestos. No início de 1918, regressou aos EUA e escreveu a sua história, relatando os grandes momentos, descrevendo as assembleias, resumindo os discursos, transcrevendo entrevistas e registando em anexos os principais documentos divulgados pelas forças em luta, incorporando também entrevistas que fez pessoalmente aos principais líderes políticos, como as conversas que manteve com Lenine, que entretanto conheceu.
Dez dias que abalaram o mundo transformou-se no relatório clássico de uma testemunha ocular da Revolução Bolchevique.

Nos Estados Unidos, John Reed ia a todos os lugares do país para dar palestras e aulas sobre a guerra e sobre a Revolução Russa, e, em setembro de 1918, depois de ter falado para uma plateia de quatro mil pessoas, foi preso sob acusação de desencorajar os jovens para o recrutamento nas forças armadas.
Em 1919, Reed envolveu-se na formação do Partido Comunista dos Trabalhadores nos EUA e, em março, foi à Rússia como delegado aos encontros da Internacional Comunista (ou Komintern).
É neste contexto que adoece e, a 17 de outubro de 1920, morreu de tifo num hospital de Moscovo. O corpo de John Reed foi sepultado perto do Kremlin, na Praça Vermelha, com honras de herói, sendo o único americano a quem tal foi concedido.


Em 1981, o ator e realizador norte-americano Warren Beatty adaptou ao cinema a obra de John Reed, no filme a que atribuiu o nome Reds e onde desempenha o papel de John Reed. Do elenco fazem ainda parte a atriz Diane Keaton, que interpreta o papel de Louise Bryant, mulher de Reed, e o ator Jack Nicholson, no papel do escritor Eugene O'Neill. O filme foi galardoado com três Óscares da Academia de Hollywood: melhor realizador, melhor atriz secundária e melhor fotografia.


(Warren Beatty e Diane Keaton no filme Reds)

Em junho de 2008, o American Film Institute revelou o "Ten Top Ten" – os melhores 10 filmes americanos em 10 categorias cinematográficas. O filme Reds surge em nono lugar na categoria de filme épico.


(Trailer do filme Reds

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

João Botelho adapta ao cinema "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto




Depois de Frei Luís de Sousa (2001), de Almeida Garrett; A Corte do Norte (2009), de Agustina Bessa-Luís; Livro do Desassossego (2010), de Fernando Pessoa; e Os Maias (2014), de Eça de Queirós, o realizador português João Botelho regressa à literatura portuguesa com a adaptação cinematográfica de Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto.

João Botelho, que em abril de 2016 esteve no Externato Cooperativo da Benedita no âmbito da Semana Cultural e das atividades do Plano Nacional de Cinema, para conversar com os alunos sobre a sua adaptação de Os Maias, considera ter "o dever de pegar em textos importantes na Cultura e na Literatura portuguesas".

Peregrinação, impresso pela primeira vez em 1614, é um relato da presença dos portugueses no Oriente e uma crónica de viagens de duas décadas de vivência de Fernão Mendes Pinto naquelas paragens.
O filme de João Botelho, que estreou nas salas de cinema portuguesas no passado dia 1 de novembro, é uma evocação das viagens de Fernão Mendes Pinto, no século XVI, integrando a recriação de alguns temas do álbum “Por Este Rio Acima” (1982), de Fausto Bordalo Dias, "como se fosse uma introdução à leitura" da obra, disse o realizador à Agência Lusa, em abril passado, mês em que começaram as filmagens.



Apesar de a maior parte das filmagens ter sido feita em Portugal, João Botelho e uma equipa reduzida (produtor, diretor de fotografia e um assistente) estiveram "a filmar todos os fundos" em sete cidades chinesas, no Japão, na Malásia e no Vietname e o resultado final surge-nos como se tudo tivesse sido registado do outro lado do mundo.
O filme é protagonizado por Cláudio da Silva, que, além de Fernão Mendes Pinto, interpreta também a personagem de António Faria, "um corsário terrível que decapita, viola, rouba, tudo em nome de deus". Do elenco fazem ainda parte, entre outros, Catarina Wallenstein, Pedro Inês, Maya Booth, Cassiano Carneiro, Rui Morisson, Jani Zhao e Zia Soares.


Peregrinação relata a chegada e a estadia de Fernão Mendes Pinto no Oriente, apresentando a descrição das expedições dos descobridores e conquistadores portugueses. A imagem dos navegadores portugueses que perpassa nesta obra, e em particular a do próprio Fernão Mendes Pinto, é sobretudo picaresca, assumindo-se este como um anti-herói, capaz das piores façanhas para alcançar os seus objetivos (geralmente pilhar e roubar as populações nativas para enriquecer e regressar à pátria).
O autor é perito na descrição da geografia da Índia, China e Japão e da etnografia: leis, costumes, moral, festas, comércio, justiça, guerras, funerais, etc. Notável é também a previsão da derrocada do Império Português, corroído por vícios e abusos.
Fernão declara que são três os objetivos que o levaram a escrever o livro: dar a conhecer os seus trabalhos aos filhos (função autobiográfica), encorajar os desesperados e os que se veem em dificuldades (função moral), ter que dar graças a Deus (função religiosa).


Escrita entre 1570 e 1578, após o regresso de Fernão Mendes Pinto a Portugal, a obra só viria a ser publicada cerca de 30 anos após a morte do autor, receando-se que o original tenha sofrido alterações às quais não seriam alheios os Jesuítas. O texto original fora deixado à Casa Pia dos Penitentes que submete os escritos de Fernão Mendes Pinto ao crivo da Inquisição, que o aprova em 1603, o mesmo ano em que o processo de análise se iniciou. No entanto, somente em 1614 Pedro Craesbeeck, tipógrafo e impressor de origem flamenga, aceita a empreitada. O livro, organizado por Frei Belchior Faria, foi publicado com o seguinte título (na íntegra e em português clássico):

"Peregrinaçam de Fernam Mendez Pinto em que da conta de muytas e muyto estranhas cousas que vio & ouvio no reyno da China, no da Tartaria, no de Sornau, que vulgarmente se chama de Sião, no de Calaminhan, no do Pegù, no de Martauão, & em outros muytos reynos & senhorios das partes Orientais, de que nestas nossas do Occidente ha muyto pouca ou nenhua noticia. E também da conta de muytos casos particulares que acontecerão assi a elle como a outras muytas pessoas. E no fim della trata brevemente de alguas cousas, & da morte do Santo Padre Francisco Xavier, unica luz & resplandor daquellas partes do Oriente, & reitor nellas universal da Companhia de Iesus."



domingo, 5 de novembro de 2017

Dia Mundial do Cinema

O Dia Mundial do Cinema comemora-se anualmente a 5 de novembro.
O cinema, conhecido como a “sétima arte”, é considerado por muitos a arte mais mágica, pelo poder que exerce sobre as emoções humanas. O cinema inspira, faz sonhar, rir, chorar, gritar de medo.
A palavra Cinema vem do grego κίνημαkinema, que significa "movimento". Cinema é assim a técnica (e a arte) de fixar e de reproduzir imagens que suscitam a impressão de movimento.

Os filmes são produzidos através da gravação de imagens com câmara, ou da sua criação utilizando técnicas de animação ou efeitos visuais específicos. Os filmes são constituídos por fotogramas, uma série de imagens impressas em determinado suporte e alinhadas em sequência. Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de observar movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como persistência da visão ou persistência retiniana: o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a sua fonte ter saído do campo da visão, criando-se assim no espectador a ilusão de movimento. No entanto, a perceção do movimento acontece a nível neurológico, já posterior à fase da retina no processo de percepção visual.
O Cinema é conhecido como a “sétima arte”, termo usado pela primeira vez pelo teórico e crítico de cinema Ricciotto Canudo, ligado ao futurismo italiano, no "Manifesto das Sete Artes", escrito em 1912 e publicado apenas em 1923. Canudo pretendia aproximar e integrar o cinema na categoria das Belas Artes, como a música, a pintura, a escultura, a arquitetura, a poesia e a dança, para não ser visto apenas como um espectáculo para as massas. O ideal de Canudo seria ainda demonstrar que o Cinema é uma arte “síntese”, uma arte total, que concilia todas as outras artes.


As origens do cinema

O cinema existe graças à invenção do cinematógrafo pelos Irmãos Louis e August Lumière, nos finais do século XIX: um aparelho portátil que era, ao mesmo tempo, uma máquina de filmar, de revelar e projetar.
Vários “jogos óticos” inventados anteriormente, dos quais se podem destacar o thaumatrópio (inventado entre 1820 e 1825 por William Fitton), o fenacistoscópio (inventado em 1829 por Joseph-Antoine Ferdinand Plateau), o zootropo (em 1834 por Will George Horner) e o praxinoscópio (inventado em 1877, por Émilie Reynaud, que, em 1888, melhorou esta invenção e começou projetar imagens no Musée Grévin durante 10 anos), estão na origem do conceito de cinematógrafo.
Na sua origem estão também as invenções de William Kennedy Laurie Dickson (chefe engenheiro da Edison Laboratories, que inventou uma película de celuloide que continha uma sequência de imagens que seria a base para a fotografia e a projeção de imagens em movimento) e de Thomas Edison que, em 1891, inventou o cinetógrafo e posteriormente o cinetoscópio. O último era uma caixa movida a eletricidade que continha a película inventada por Dickson, mas com funções limitadas: o cinetoscópio não projetava o filme.
O cinematógrafo, instrumento capaz de capturar e reproduzir imagem em movimento, foi desenvolvido a partir de um conceito desenvolvido por León Bouley, em 1892. No entanto, foram os irmãos Lumière que, comprando a patente, aperfeiçoaram a máquina e, em 1895, apresentaram o seu próprio aparelho.


Louis e August Lumière

Em 28 de dezembro de 1895, na cave do Grand Café, em Paris, realizaram a primeira exibição pública da arte do cinema: uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada (os primeiros rolos de película tinham apenas quinze metros de comprimento).
Os filmes até hoje mais conhecidos desta primeira sessão chamavam-se Le Sortie de l'usine Lumière à Lyon (A saída dos operários da Fábrica Lumière) e A chegada do comboio à Estação Ciotat (A chegada do comboio à Estação de Ciotat).

Em Le Sortie de l'usine Lumière à Lyon, uma câmara aponta para as portas da fábrica Lumière, situada nos arredores de Lyon, as portas abrem-se, os operários – principalmente mulheres – saem para a rua, como se tivessem acabado um dia de trabalho. As portas voltam a fechar. O filme acaba. Foi o primeiro audiovisual exibido na história, dirigido e produzido por Louis Lumière.



A chegada do comboio à Estação de Ciotat, sem nenhum movimento de câmara aparente intencional, é um filme mudo com 50 minutos de duração, composto por um disparo contínuo em tempo real, que apresenta a entrada de um comboio puxado por uma locomotiva a vapor numa estação de caminho de ferro na cidade costeira francesa de La Ciotat. No dia 6 de janeiro de 1896, foi exibido no Salão Indiano (uma saleta nos fundos de um café em Paris), naquela que entrou para a história como a primeira exibição pública comercial de um filme. O bilhete custou 1 franco.






Apesar de também existirem notícias de projeções um pouco anteriores de outros inventores, a sessão dos Lumière é considerada pela maioria da literatura cinematográfica como o marco inicial da nova arte.

Na mesma época, o mágico ilusionista francês o Georges Méliès, dono de um teatro nas vizinhanças do local da primeira exibição dos Lumière, à qual assistira, quis comprar-lhes um cinematógrafo para o utilizar nos seus espetáculos. Os Lumière não quiseram vender-lhe o aparelho: o pai dos irmãos inventores argumentava que o cinematógrafo tinha unicamente finalidade científica e que o mágico teria, por certo, prejuízo se gastasse dinheiro com a máquina para fazer entretenimento. Frustrado, Méliès conseguiu, no entanto, adquirir um aparelho semelhante em Inglaterra, fabricado por Robert William Paul, tornando-se o primeiro grande produtor de filmes de ficção, destinados ao grande público, criando os primeiros efeitos especiais da história do cinema.


Georges Méliès

Méliès começou a exibir filmes em 1896, quando adquiriu uma máquina de filmar, tornando-se com o filme "Le Voyage dans la Lune", pioneiro em alguns efeitos especiais. Foi ele o criador da fantasia na produção e realização de filmes.



Em suma, os irmãos Lumière e Meliès deram origem a dois géneros fundamentais de cinema: o cinema documental e o cinema de ficção.

Em Portugal, o primeiro cineasta português, Aurélio Paz dos Reis, produziu e realizou uma réplica do primeiro filme dos Irmãos Lumière, em 1896, Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança, gravado na cidade do Porto, e que viria a ser considerado o primeiro filme português. É um filme de curta-metragem, mudo e a preto e branco, com uma duração total de aproximadamente um minuto.


Aurélio da Paz dos Reis







Os primeiros filmes não tinham ainda som. Desde o início, inventores e produtores tentaram conjugar a imagem com um som sincronizado e amplificado. No entanto, nenhuma técnica teve sucesso até à década de 20 do século XX: durante 30 anos os filmes eram praticamente silenciosos, sendo acompanhados muitas vezes de música ao vivo, outras vezes de efeitos especiais e narração e diálogos escritos presentes entre cenas.

Em 1926, a Warner Brothers introduziu o sistema de som Vitaphone (gravação de som sobre um disco). Em 1927, foi esta produtora que lançou o filme The Jazz Singer, um musical que pela primeira vez na história do cinema tinha alguns diálogos e canções sincronizados, aliados a partes totalmente sem som; em 1928 o filme The Lights of New York, também da Warner, tornar-se-á o primeiro filme com som totalmente sincronizado.
O Beijo, lançado em 1929 e protagonizado pela atriz sueca Greta Garbo, foi o último filme mudo da MGM e da história de Hollywood, com exceção de dois filmes de Charles Chaplin, considerado uma das figuras mais importantes no cinema mudo: Luzes da Cidade e Tempos Modernos.

Se durante os primórdios do cinema este foi, acima de tudo, uma produção europeia, destacando-se o cinema francês e italiano, com a Primeira Guerra Mundial também a indústria europeia de cinema foi arrasada. Os EUA começaram então a destacar-se no mundo do cinema, fazendo e importando diversos filmes. Thomas Edison tentou tomar o controle dos direitos sobre a exploração do cinematógrafo. Alguns produtores independentes emigraram de Nova Iorque para a costa oeste, para um pequeno povoado chamado Hollywoodland. Lá encontraram condições ideais para filmar: dias de sol quase todo o ano e diferentes paisagens que puderam servir como cenário. Assim nasceu a chamada "Meca do Cinema": Hollywood transformou-se no mais importante centro da indústria cinematográfica do mundo e empresas como a 20th Century Fox, a Universal, a Paramount, a Metro Goldwyn Meyer ou a Warner Brothers tornam-se as grandes produtoras do cinema norte-americano.








quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Autor do mês de novembro – Jorge de Sena




Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919, e faleceu na Califórnia, a 4 de Junho de 1978. Só em 2009 os seus restos mortais foram trasladados para Portugal, tendo a viúva doado o espólio literário à Biblioteca Nacional.
Cadete na Escola Naval, de onde foi expulso em 1938, formou-se em Engenharia Civil (1944), trabalhando na Junta Autónoma de Estradas entre 1948 e 1959. Exilado no Brasil, doutorou-se em Letras, lecionando em universidades do Brasil e, a partir de 1965, em consequência do golpe militar brasileiro, na universidade de Santa Bárbara, nos Estados Unidos, onde leciona até ao ano da sua morte.
Divide a sua vastíssima obra pela poesia – é um dos grandes poetas do século XX, introdutor da poesia da inteligibilidade que até hoje frutifica; pelo teatro, com O Indesejado e Mater Imperialis: Amparo de Mãe, entre outras peças; pela narrativa, com seis livros de contos, a admirável novela O Físico Prodigioso, e este romance, Sinais de Fogo; pelo ensaio crítico, sendo o inaugurador da crítica literária moderna em Portugal, especialmente no que se refere aos estudos camonianos.
O seu intenso labor intelectual levou-o ainda à crítica de cinema e à tradução de ficção e de poesia para português. Sem este admirável trabalho de tradução e divulgação, em que foi pioneiro absoluto, e de que ficou testemunho nas antologias Poesia de 25 séculos e Poesia do século XX, quantos de nós teriam podido ler, ou mesmo ter sabido da existência de grandes poetas de outras línguas, como Kavafis, Montale, Ezra Pound, Omar Kayyam ou Ana Akmàtova?
Conhecido também pelo seu génio irascível e pelo ressentimento amargo contra a pátria que ele amou e que o desprezou, Sena é um artista e um pensador a quem Portugal não fez ainda justiça.
«Sinais de fogo, os homens se despedem,
exaustos e tranquilos, destas cinzas frias.
E o vento que essas cinzas nos dispersa
não é de nós, mas é quem reacende
outros sinais ardendo na distância,
um breve instante, gestos e palavras,
ansiosas brasas que se apagam logo.»



Sinais de Fogo é um dos romances mais importantes da literatura portuguesa do séc. XX. Romance inacabado, por morte do autor aos cinquenta e nove anos, faria parte de uma trilogia a intitular “Monte Cativo”.
O primeiro romance desta trilogia, que não chegou a ser escrito, abarcaria a infância e parte da juventude do estudante do liceu, Jorge, até 1936; o segundo, este mesmo Sinais de Fogo, cuja ação decorre em escassos meses do ano de 1936, tem como pano de fundo a guerra civil espanhola; e o terceiro, não escrito pela mesma razão do primeiro, iria até 1959, ano em que Sena e a família tiveram de se exilar no Brasil, devido a uma conjura falhada para depor Salazar.
A ação de Sinais de Fogo decorre maioritariamente na Figueira da Foz, durante o verão. É talvez a única narrativa iniciática do nosso séc. XX: um romance de juventude da personagem central, da sua paixão amorosa por Mercedes e da progressiva consciencialização social e política que se consolidava também pela observação do drama dos espanhóis, apanhados em Portugal pelo eclodir da guerra civil no seu país. Iniciação, portanto, à vida adulta, à consciência de si no mundo, ao amor, à sexualidade, ao compromisso. E à poesia, esse outro sinal de fogo que, num deslumbramento quase rimbaudiano, fere o protagonista como uma revelação. A aprendizagem da poesia faz-se, ao longo da obra, indissociável de outras aprendizagens de vida – e tão essenciais como elas. Romance inaugural na literatura portuguesa, marca o início da viragem de toda uma época que, encetada com a guerra civil de Espanha, prossegue com a 2ª guerra mundial, com a da Coreia, do Vietname, e com as guerras pontualmente localizadas, como foi a colonial portuguesa, a qual fecha este ciclo.

Da extensa galeria de personagens do romance, inesquecível é a figura do tio de Jorge. E também as de alguns dos jovens companheiros deste, nos quais a sexualidade irrompe e se manifesta de forma aviltada e violenta.

[Professora Soledade Santos]

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O fantasma dos Canterville, de Oscar Wilde


“- Não durmo há trezentos anos – disse, tristemente, e Virgínia abriu os seus lindos olhos de espanto; - há trezentos anos que não durmo e estou tão cansado!”
Virgínia ficou muito séria e tremeram-lhe os lábios como pétalas de rosa. Chegou-se ao pé dele e, ajoelhando ao seu lado, olhou para o seu velho rosto embranquecido.
“- Meu pobre Fantasma! - murmurou. Não tem sítio onde possa dormir?”
“-Para além dos pinhais - respondeu numa voz baixa e sonhadora - há um jardim. As ervas crescem aí muito, há aí as grandes flores brancas de cicuta e o rouxinol canta pela noite fora. Pela noite fora canta ele e a lua fria e cristalina olha para baixo e o teixo estende os seus braços gigantescos sobre os que dormem.
Os olhos de Virgínia encheram-se de lágrimas e escondeu o rosto nas mãos.
“- Está a falar do Jardim da Morte – disse ela baixinho.
“- Sim, da Morte. A morte deve ser tão linda! Deitar-se na terra macia e castanha com as ervas a acenar por cima das nossas cabeças e a ouvir o silêncio. Nem ontem nem amanhã. Esquecer o tempo, esquecer a morte, estar em paz. Você pode ajudar-me. Pode abrir-me os portais da Morte da casa, pois o Amor está em si e o Amor é mais forte do que a Morte.
Virgínia estremeceu, correu por um momento um calafrio por ela abaixo e houve um silêncio de alguns minutos. Parecia-lhe estar num sonho horrível.
Então o Fantasma voltou a falar e a sua voz parecia um gemido do vento.
“- Já alguma vez leu a velha profecia que está na vidraça da biblioteca?”
“- Ah Muitas vezes! – exclamou a rapariga, e levantou a cabeça. – Conheço-a muito bem. Está pintada numas letras pretas muito estranhas e é difícil de ler. São só seis versos:
Quando uma menina loura conseguir
Preces dos lábios do pecado,
Quando a velha amendoeira florir,
E houver choros de criança,
Toda a casa fica em paz
Que volta enfim a Canterville.”

In O Fantasma dos Canterville,
de Oscar Wilde (Editorial Estampa, 1973, pp. 37-38)





Halloween ou o Dia das Bruxas





A festa do Halloween celebra-se em vários países no dia 31 de outubro, véspera da festa cristã do Dia de Todos os Santos.
Alguns estudiosos do assunto defendem que a sua origem remonta às tradições celtas do festival Samhain, celebrado na Irlanda, Escócia e Ilha de Man entre 30 de outubro e 2 de novembro, e que marcava o fim do verão (samhain significa "fim do verão"), associado também às festas das colheitas e ao culto dos mortos. Outros afirmam que a festa do Halloween começou independentemente do Samhain e tem raízes cristãs. Pensa-se que o primeiro registo do termo "Halloween" seja de cerca de 1745, uma contração do termo escocês All Hallows' Eve, que significa “véspera [do Dia de] Todos os Santos”, o que dá mais força à teoria da origem cristã da festa.
A romanização e consequente cristianização das Ilhas Britânicas terão contribuído para a fusão das duas tradições, a pagã e a cristã, e já em finais da Idade Média surge o costume dos "disfarces", muito possivelmente nascido na França por altura do flagelo da Peste Negra, que criou entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte.
No entanto, se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um caráter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso, foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos, a maior parte com origem nos Estados Unidos da América (onde a tradição da celebração do Halloween terá chegado com os colonos irlandeses), tais como as lanternas feitas de abóbora, o jogo do "doce ou travessura", contar histórias assustadoras, assistir a atrações "assombradas” ou a filmes de terror. Na verdade, tornou-se uma celebração mais comercial e secular, perdendo parte do seu cariz religioso.

Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da fusão de muitas tradições, levadas pelos colonos britânicos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa, onde hoje, por colonização cultural dos Estados Unidos, aparece o Halloween, enquanto desaparecem algumas tradições locais.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

24 de outubro de 1929: a “quinta-feira negra” nos Estados Unidos da América e uma sugestão de leitura


Assente numa frágil prosperidade que vinha desde o fim da Primeira Guerra Mundial, que elevou os Estados Unidos à categoria de primeira potência mundial, nos finais da década de 1920 a economia americana enfrentou uma crise sem precedentes que rapidamente se propagou a todos os países que com eles tinham laços económicos e financeiras e que se arrastou pelos primeiros anos da década de 1930, originando o que ficou conhecido na História como a Grande Depressão.
Favorecidos por uma conjuntura bélica que afastou do seu território os efeitos devastadores da Grande Guerra, ao mesmo tempo que abasteciam a Europa e os mercados mundiais de bens essenciais, os Estados Unidos saíram economicamente beneficiados do conflito, apresentando, em 1919, uma imagem de sucesso, assente na sua prodigiosa capacidade de produção e na prosperidade da sua balança de pagamentos. Sob o lema de uma produção em massa para um consumo de massa, viveram-se os anos da prosperidade americana e os “loucos anos 20” na Europa, caracterizados por um clima de otimismo e de confiança no capitalismo liberal.
No entanto, essa era de prosperidade era afinal precária. A mecanização da produção fez crescer o desemprego crónico ou tecnológico, que chegou a atingir cerca de 2 milhões de pessoas; a produção excedentária na agricultura originou a queda de preços e a queda de lucros; a maior parte do consumo era realizada com recurso a créditos bancários, incluindo a aquisição de ações, pois, acreditando na solidez da sua economia, muitos americanos investiam na Bolsa, fazendo crescer a especulação financeira e elevando cada ação a um valor que não era real.
A descida dos preços e dos lucros industriais alarmou os grandes acionistas, que rapidamente começaram a dar ordem de venda dos seus títulos.
A 21 de outubro de 1929, essas ordens de venda começaram a acumular-se na Bolsa de Nova Iorque. A 24 de outubro, o pânico instalou-se, quando 13 milhões de títulos foram colocados à venda a preços baixíssimos e sem encontrarem comprador. Começava assim o crash de Wall Street e nos meses que se seguiram centenas de milhares de acionistas conheceram a ruína, o que significou também a ruína de todo o sistema bancário sobre o qual assentava a aquisição da maior parte das ações. Entre 1929 e 1933, mais de 10 mil bancos encerraram devido à falência, arrastando consigo toda a economia, com a falência de empresas, a contração da produção e a queda dos preços. Da indústria à agricultura, todo o aparelho produtivo dos Estados Unido ruiu e, em 1933, mais de 12 milhões de americanos estavam desempregados.

Em 1939, o escritor norte-americano John Steinbeck publicou As Vinhas da Ira, romance que é ainda hoje universalmente considerado a obra-prima de John Steinbeck, premiado com o Prémio Pulitzer em 1940 e que haveria de justificar a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em 1962, a este autor.
Passado durante a Grande Depressão dos inícios dos anos 30, o romance centra-se nos Joads, uma família pobre de rendeiros expulsos da sua quinta no Oklahoma pela seca, pelas dificuldades económicas e pela execução de dívidas pelos bancos, que forçaram o abandono pelos rendeiros do seu modo de vida. Numa situação desesperada, os Joads, procurando emprego, terra, dignidade e um futuro e acompanhando cerca de meio milhão de "Okies” sem casa, partiram para oeste, rumo à Califórnia, o que provocou um dos maiores êxodos verificados no país. Este romance é ainda o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estoica de uma mulher.
Em 1940, John Ford realizou um filme homónimo, que contou com Henry Fonda numa magnífica interpretação do papel de Tom Joad.

“[...] e nos olhos dos famintos há uma ira crescente. Nas almas das pessoas, as vinhas da ira estão engrossando e ficando mais pesadas, ficando mais pesadas para a vindima.”


As Vinhas da Ira é uma obra intemporal, que ainda hoje nos faz refletir sobre a fragilidade dos seres humanos e sobre a sua capacidade de reinvenção de uma nova vida.


Dia das Nações Unidas



Em 24 de outubro de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, foi fundada a Organização das Nações Unidas, uma organização intergovernamental criada com os objetivos de promover a cooperação internacional, manter a segurança e a paz mundial, promover os direitos humanos, auxiliar no desenvolvimento económico e no progresso social, proteger o meio ambiente e prover ajuda humanitária em casos de fome, desastres naturais e conflitos armados.
Face aos insucessos da Sociedade das Nações (SDN, organização criada em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, igualmente com o objetivo de manter a paz e a harmonia entre as nações, e que, contudo, não conseguiu evitar a invasão japonesa da Manchúria em 1931, a Segunda Guerra Ítalo-Etíope e as expansões alemãs sob o comando de Adolf Hitler, que culminaram na Segunda Guerra Mundial), nas conferências interaliados realizadas entre 1941 e 1945 com o intuito de definir a nova ordem internacional após o conflito, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, defendeu a criação de um novo organismo, mais consistente e forte do que havia sido a SDN.
Assim, o primeiro plano concreto para a criação de uma nova organização mundial surgiu ainda durante a Segunda Guerra Mundial, quando o presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill se reuniram na Casa Branca, em 29 de dezembro de 1941 e começaram a discutir a criação de uma agência que sucederia à Sociedade das Nações. Oficialmente, a ONU nasceu na Conferência de São Francisco, em abril de 1945, quando foi elaborada a Carta das Nações Unidas, a qual entrou em vigor a 24 de outubro de 1945.
Em 1948, a ONU reforçou a sua feição profundamente humanista, com a aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que passou a integrar os documentos fundamentais da organização.
Na altura da sua fundação, a ONU tinha 51 estados-membros; hoje, são 193. Com exceção do Vaticano, todos os países do Mundo fazem parte da ONU. A sua sede está localizada em Manhattan, Nova Iorque, e possui extraterritorialidade.
O período da Guerra Fria, iniciado após a Segunda Guerra Mundial, tornou difícil e complicada a missão da ONU nas suas primeiras décadas de existência. O clima de tensão e antagonismo entre os Estados Unidos e a União Soviética e respetivos aliados, a corrida aos armamentos, a proliferação de conflitos localizados e as crises militares em diversas zonas do mundo fragilizaram a atuação da ONU, que não conseguiu impedir a Guerra da Coreia, as guerras do conflito israelo-árabe ou a Guerra do Vietname.
Os órgãos principais que compõem as Nações Unidas são:
  • a Assembleia Geral: assembleia deliberativa, formada pela generalidade dos Estados e que funciona como um parlamento mundial;
  • o Conselho de Segurança: responsável pela manutenção da paz e da segurança (composto por 15 membros, cinco dos quais permanentes: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e República Popular da China);
  • o Secretariado-Geral, à frente do qual se encontra o secretário-geral eleito pela Assembleia, por proposta do Conselho de Segurança; compete-lhe coordenar o funcionamento burocrático da Organização e disponibilizar os seus serviços diplomáticos como mediador das questões mais delicadas. O secretário-geral representa a ONU e, com ela, todos os povos do mundo; desde 2017, este cargo, o mais alto na estrutura da organização, é ocupado pelo português António Guterres;
  • o Conselho Económico e Social: encarregado de promover a cooperação económica, social e cultural entre as nações; atua através de comissões especializadas;
  • o Tribunal Internacional de Justiça: órgão máximo da justiça internacional, resolve, à luz do direito internacional, os litígios entre Estados; tem sede em Haia;
  • o Conselho de Direitos Humanos: para promover e fiscalizar a proteção dos direitos humanos e propor tratados internacionais sobre esse tema.

Além destes, há organismos especializados, complementares de todas as outras agências do Sistema das Nações Unidas, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa Alimentar Mundial (PAM), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Banco Mundial (BIRD – Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) ou a Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Para conhecer mais sobre esta organização e a sua missão e atividades:

24 de outubro – Dia das Nações Unidas

Mensagem do Secretário-Geral das Nações Unidas

Nações Unidas: 72 anos de desafios e conquistas

Dia das Nações Unidas 2017 - Factos

História da Carta das Nações Unidas

ONU – Portugal e CPLP

Centro Regional de Informação das Nações Unidas




sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Prémio Leya 2017


O Prémio Leya 2017, o maior para uma obra inédita escrita em Língua Portuguesa, foi hoje atribuído ao escritor João Pinto Coelho com o romance Os loucos da rua Mazur.
João Pinto Coelho, que nasceu em Londres, em 1967, já tinha sido finalista do Prémio Leya, em 2014, com o romance Perguntem a Sarah Gross.
Licenciado em Arquitetura, este escritor viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou várias temporadas nos Estados Unidos da América, onde chegou a trabalhar num teatro profissional, perto de Nova Iorque.

Em 2009 e 2011, integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Oświęcim, onde ficava o campo de concentração de Auschwitz, trabalhando de perto com diversos investigadores do Holocausto. Foi durante este período na Polónia que concebeu e implementou o projeto “Auschwitz in 1st Person/A Letter to Meir Berkovich” e que surgiu a ideia para o seu romance de estreia, Perguntem a Sarah Gross, sobre uma mulher carismática e misteriosa que dirige o colégio mais elitista da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América. “Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História”, refere a sinopse disponível no sítio da Leya.


Com o romance agora premiado Os loucos da rua Mazur, João Pinto Coelho regressa à Polónia, em dois tempos distintos: a Segunda Guerra Mundial e a atualidade.
O Presidente do Júri do Prémio Leya, Manuel Alegre, salientou que “Os loucos da rua Mazur” foi premiado «pela sua qualidade literária e também pela sua singularidade», uma vez que retrata a violência cometida numa «pequena comunidade da Polónia». Ao contrário de outras obras sobre a Segunda Guerra Mundial, o romance de João Pinto Coelho aborda a «crueldade cometida pela comunidade sobre a própria comunidade. [...] É uma das comunidades que extermina outra, não se passa em Auschwitz».

Ainda segundo Manuel Alegre, este é «um livro muito bem escrito, com muita força», que aborda a temática do extermínio dos judeus, acrescentando que o romance tem «personagens fortíssimas» e cujas «qualidades de efabulação e verosimilhança em episódios de violência brutal com motivações ideológico-políticas e étnico-religiosas, emergindo de uma convivência comunitária multissecular» foram as mais apreciadas pelos jurados. «De igual modo, o júri valorizou a criação de personagens com densa singularidade existencial, no triângulo perturbador de amizade e conflito amoroso dos protagonistas, tal como de figuras secundárias com valor simbólico». Para o júri, é ainda «de salientar a força humana de um protagonista, o velho livreiro cego, que irá ficar como uma figura inesquecível da nossa ficção mais recente».