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terça-feira, 18 de abril de 2023

Seguindo "Os passos de Saramago" - trabalho de alunos do 11º D (1)


A visita à Exposição “Voltar aos passos que foram dados”, exposição evocativa da vida e obra de José Saramago que, durante o mês de março de 2023, esteve patente na Biblioteca do ECB, inspirou os alunos do 11º D na produção de excelentes trabalhos. Foram realizados na disciplina de Literatura Portuguesa, sob orientação da professora Luísa Rocha.


Isto é Matemática!

 "Isto é Matemática" pretende, de uma forma simples e realista, apresentar como a Matemática nos rodeia em grande parte da nossa vida.

A atual 13.ª temporada conta com o financiamento e apoio institucional da Fundação para a Tecnologia e Ciência, da Fundação Calouste Gulbenkian, da NOVA - New School of Science & Technology e do Novamath - Center For Mathematics + Aplications.

Apresentado por Rogério Martins, matemático e professor universitário, escrito e encenado por Tiago DaCunha Caetano, realizado por Tiger da Silva e com Produção Sigma 3, o programa "Isto é Matemática" é emitido pela SIC, SIC Notícias, SIC Radical e SIC Internacional.
O programa estreou a 13 de Outubro de 2012 e já vai na temporada 13.
Todos os programas estão disponíveis no Youtube no endereço https://www.youtube.com/@istoematematica.
Para mais informações visita o site http://istoematematica.com.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

As velas ardem até ao fim - uma sugestão de leitura

 


«Quem sobrevive ao outro é sempre traidor. [...] Sobreviver a alguém, a quem amámos tanto que teríamos sido capazes de matar por ela, sobreviver a alguém a quem estávamos ligados de tal maneira que quase morremos por isso, é um dos crimes mais misteriosos e inqualificáveis da vida.»

In As Velas Ardem até ao Fim


Para a maior parte dos leitores portugueses, Sándor Márai tornou-se conhecido a partir da publicação em Portugal do romance As Velas Ardem até ao Fim. Considerado por leitores e pela crítica como um dos melhores romances escritos no século XX, apresenta-nos a história de dois homens, amigos inseparáveis na juventude, que, depois de mais quarenta anos sem se verem, se sentam a jantar para uma conversa decisiva num pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Um dos homens, Konrád, o rapaz pobre, descendente de Chopin, que sonhava secretamente com uma carreira como músico, passou muito tempo no Extremo Oriente; o outro, Henrik, o militar de sucesso, filho abastado de uma família nobre, pelo contrário permaneceu na sua propriedade na Hungria. Mas ambos viveram à espera deste momento, e, no final da vida, vão falar de uma mulher e de um segredo, cuja força ditou uma separação irreparável.


sábado, 1 de abril de 2023

Sándor Márai – autor do mês de abril

 


Sándor Márai nasceu no dia 11 de abril de 1900, em Košice, uma pequena cidade da Hungria, hoje pertencente à Eslováquia. Filho de um advogado e de uma professora, é considerado um dos maiores escritores da língua húngara, tendo publicado mais de quarenta livros, sobretudo romances, mas também poesia e peças de teatro.

No início dos anos 20 do século passado, Miklós Horthy chega ao poder na Hungria, como regente do Reino da Hungria, lugar que ocupou até 1944. A sua política à frente de um governo nacional-conservador, que teve como grandes atos a proibição da existência de partidos comunistas e a adoção de uma política que visava recuperar os territórios perdidos pela Hungria após a Primeira Guerra Mundial, levou Sándor Márai a autoexilar-se, primeiro na Alemanha, vivendo em Berlim e em Frankfurt, cidade onde começou a trabalhar como jornalista; mais tarde, já em França, onde foi correspondente em Paris do Frankfurt Zeitung.

Publicou o seu primeiro romance quando tinha 24 anos. Tendo alcançado grande sucesso na Hungria, em 1945 foi eleito membro da Academia Húngara de Ciências.

Liberal acima de tudo, verdadeiro amante dos valores morais e civis, em 1948, em clara oposição ao regime comunista instaurado no país e com plena convicção de que jamais poderia experimentar o seu ideal de liberdade numa sociedade dominada pelo comunismo, Sándor Márai sai de Budapeste num novo autoexílio, tendo emigrado para os Estados Unidos e adquirido a cidadania americana.

Sándor Márai escreveu sempre em húngaro e produziu a maior parte das suas obras no período entre 1928 e 1948. Respeitado por todos e estimado como um dos maiores escritores da literatura centro-europeia, o facto de sempre se manifestar como um crítico inconformado com a ascensão do comunismo levou o regime húngaro a proibir toda a sua obra. Se na Hungria a obra de Márai acabou por cair no esquecimento, no Ocidente alguns emigrantes húngaros continuaram a publicá-lo.

Foi preciso esperar até à queda do regime comunista, para que este escritor fosse redescoberto no seu país e no mundo inteiro.

Em 1979, depois de passar algum tempo na Suíça, na Itália e em França, Sándor Márai muda-se para San Diego, Califórnia, onde se suicidou, em 1989, poucos meses antes da queda do muro de Berlim.

Nos seus últimos escritos, Diários 1984-1989 (ainda não publicados em Portugal), Sándor Márai conta como acompanhou a lenta morte da mulher, Lola, e decidiu comprar um revólver para evitar um fim semelhante e sofrido. A força da sua literatura esteve sempre na sua descrença e na aceitação do seu destino. Defensor da liberdade, incluindo a de escolher como morrer, talvez o seu suicídio seja a mensagem mais forte que nos deixou em defesa desse valor.

Em 1990, Sándor Márai recebeu postumamente o Prémio Kossuth, patrocinado pelo governo húngaro.


Obras de Sándor Márai publicadas em Portugal

(*) no catálogo da biblioteca do ECB

  • As velas ardem até ao fim (*)
  • Embers (versão em língua inglesa de As velas ardem até ao fim) (*)
  • A mulher certa (*)
  • A herança de Eszter (*)
  • A gaivota
  • A conversa de Bolzano
  • A irmã
  • A ilha
  • Divórcio em Buda
  • Rebeldes


terça-feira, 14 de março de 2023

Dia Internacional da Matemática

 O Dia Internacional da Matemática celebra-se todos os anos, desde 2019, no dia 14 de março.

Até 2019, o dia 14 de março era conhecido mundialmente como o Dia do Pi. A data é escrita como 3/14 em alguns países e 3,14 é o valor aproximado de Pi.

O Dia Internacional da Matemática é uma iniciativa da União Internacional de Matemática, organização dedicada à cooperação internacional no domínio da Matemática, e teve o apoio de várias sociedades científicas, incluindo a SPM (Sociedade Portuguesa de Matemática) e a APM (Associação de Professores de Matemática).

Neste ano letivo, a maioria das turmas do 3.º Ciclo desenvolveu um DAC com o tema “Matemática para todos”, envolvendo as disciplinas de Matemática, TIC, EV e Português e como produto final enfeitaram a porta da sua sala de aula.



Para conheceres um pouco da história da Matemática através de uma aplicação interativa, clica no seguinte link: 

https://view.genial.ly/6207d5b7619270001168e2ca/interactive-content-historia-da-matematica-or-g500-ecb

quinta-feira, 2 de março de 2023

Natália Correia – autora do mês de março

 


Natália Correia nasceu na Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, a 13 de setembro de 1923, e morreu em Lisboa, a 16 de março de 1993.

No ano em que se comemora o centenário do seu nascimento, recordamos este nome grande da literatura portuguesa, cuja obra percorreu vários géneros: poesia, romance, contos, ensaio, teatro, além da tradução e de colaborações com revistas e jornais nacionais e estrangeiros.

A viver em Lisboa desde os 11 anos, cidade onde inicia os estudos liceais, Natália Correia publicou a sua primeira obra em 1945, o romance infantil Grandes Aventuras de um Pequeno Herói. Depois de um segundo romance, Anoiteceu no Bairro, publicado em 1946, Natália Correia estreia-se na poesia, saindo em 1947, Rio de Nuvens. Afirma-se então como poetisa, como gostava de ser chamada: «...poetisa. Sim, chamar-lhe-ei poetisa. A homenagem que distingue o génio poético feminino com o prémio de lhe masculinizar o estro ultraja uma poesia que quer feminizar o mundo com a magia da sua claridade lunar» (do prefácio que escreveu à obra Diário do Último Ano, autobiografia de Florbela Espanca, publicada em 1981).

Até 1993, ano da sua morte, foram mais de 40 os títulos que deu à estampa, entre os quais se contam, além da poesia e do romance, antologias, ensaios, peças de teatro, o livro de viagens Descobri Que Era Europeia: impressões duma viagem à América (1951) e o diário Não Percas a Rosa. Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975), publicado em 1978.

Politicamente ativa e comprometida, com uma forte e polémica personalidade, livre de convenções sociais, ainda durante a ditadura do Estado Novo reunia na sua casa uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam destacadas figuras das artes, das letras e da política (oposicionista), quer portuguesas, quer internacionais. Tomou parte ativa nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no apoio às candidaturas à Presidência da República de Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969), liderada por Mário Soares.

Em 1966, foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes. Em 1972, foi processada por ter tido a responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, processo que ficaria conhecido como Três Marias.

Após o 25 de abril, foi eleita Deputada à Assembleia da República nas listas do PSD, em 1980, passando mais tarde a deputada independente ao entrar em conflito com o que considerava serem posições conservadoras do partido em matérias de costumes, acabando por sair do PSD:

Em 1985, deu apoio ao Partido Renovador Democrático, do general Ramalho Eanes, onde acreditou ver uma alternativa de reformismo progressista para o país. Voltou então a ser deputada, por este partido, entre 1987 e 1991.

As suas intervenções ao nível da cultura e do património, e sobretudo na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres não deixavam ninguém indiferente.

Nos anos 80, tornou-se conhecida do grande público através do programa televisivo Mátria, onde advogou uma forma especial de feminismo, o matricismo, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.

Em 1981, Natália Correia foi condecorada como Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e em 1991 foi feita Grande-Oficial da Ordem da Liberdade. Neste ano, recebeu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos.

Natália Correia morreu em casa, na madrugada de 16 de Março de 1993, vítima de um ataque cardíaco. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa) constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo obras de arte e a sua biblioteca privada.

Foi sepultada originalmente no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, e posteriormente trasladada para a ilha de São Miguel, nos Açores, em outubro de 2015.

 

Obra publicada

(*) presente no catálogo da Biblioteca do ECB

Poesia

Rio de Nuvens (poesia), 1947

Poemas (poesia), 1955

Dimensão Encontrada (poesia), 1957

Passaporte (poesia), 1958

Comunicação (poema dramático), 1959

Cântico do País Emerso (poesia), 1961

O Vinho e a Lira (Poesia), 1969

Mátria (Poesia), 1967

As Maçãs de Orestes (Poesia), 1970

Trovas de D. Dinis, [Trobas d'el Rey D. Denis] (Poesia), 1970

A Mosca Iluminada (Poesia), 1972

O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro (Poesia), 1973

(*) Poemas a Rebate, (poemas censurados de livros anteriores) (poesia), 1975

Epístola aos Iamitas (poesia), 1976

O Dilúvio e a Pomba (poesia), 1979

(*) O Armistício (poesia), 1985

Sonetos Românticos (poesia), 1990; 1991

(*) O Sol nas Noites e o Luar nos Dias (poesia completa), 1993; 2000

Memória da Sombra, versos para esculturas de António Matos (poesia), 1993

Ficção

Grandes Aventuras de um Pequeno Herói (romance infantil), 1945

Anoiteceu no Bairro (romance), 1946; 2004

(*) A Madona (Romance), 1968; 2000

(*) A Ilha de Circe (romance), 1983; 2001

Onde está o Menino Jesus? (contos), 1987

As Núpcias (romance), 1992

Literatura de viagens

Descobri Que Era Europeia: impressões duma viagem à América (viagens), 1951; 2002

Diário

Não Percas a Rosa. Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975) (Diário), 1978; 2003

Teatro

Sucubina ou a Teoria do Chapéu (teatro), em colab. com Manuel de Lima, 1952

O Progresso de Édipo (poema dramático), 1957

D. João e Julieta, peça escrita em 1959 (teatro), 1999

O Homúnculo, tragédia jocosa (teatro), 1965

O Encoberto (Teatro), 1969; 1977

Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente (teatro), 1981; 1991

(*) A Pécora, peça escrita em 1967 (teatro), 1983; 1990

Ensaio

Poesia de Arte e Realismo Poético (ensaio), 1959

A Questão Académica de 1907 (ensaio), 1962

Uma Estátua para Herodes (Ensaio), 1974

Notas para uma Introdução às Cantigas de Escárnio e de Mal-Dizer Galego-Portuguesas (ensaio), 1982

Somos Todos Hispanos (ensaio), 1988; 2003

Antologias

Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade (Antologia), 1965; 2000

(*) Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses (Antologia), 1970; 1998

O Surrealismo na Poesia Portuguesa (Antologia), 1973; 2002

A Mulher, antologia poética (Antologia), 1973

Antologia de Poesia do Período Barroco (antologia), 1982

A Ilha de Sam Nunca: atlantismo e insularidade na poesia de António de Sousa (antologia), 1982

A Ibericidade na Dramaturgia Portuguesa (ensaio), 2000

Breve História da Mulher e outros escritos (antologia de textos de imprensa), 2003

A Estrela de Cada Um (antologia de textos de imprensa), 2004


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Eugénio de Andrade - centenário do nascimento

 


"Eu nem sequer gosto de escrever. Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida."

Rosto Precário


Nasceu a 19 de janeiro de 1923, em Póvoa de Atalaia, pequena aldeia da Beira Baixa. Filho de camponeses, deram-lhe o nome de José Fontinhas. Após a separação dos pais, viveu com a mãe em Castelo Branco, mudando-se em 1932 para Lisboa, onde frequentou o Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro. Em 1936 começou a escrever os primeiros poemas. Em 1938, enviou alguns desses poemas ao escritor António Botto que o incentivou a publicar: em 1940, aparecia assim Narciso, o seu primeiro livro de poesia, assinado ainda com o seu verdadeiro nome, que mais tarde viria a rejeitar. No segundo livro, Adolescente, publicado em 1942, é como Eugénio de Andrade que se dá a conhecer.
Depois de prestar serviço militar em Coimbra, onde conviveu com Miguel Torga e Eduardo Lourenço (foi Eduardo Lourenço quem disse que a poesia de Eugénio de Andrade era a “primeira poesia da poesia da nossa literatura”), regressou a Lisboa, em 1947, passando a exercer funções de inspetor administrativo do Ministério da Saúde.
Em 1948 publicou As Mãos e os Frutos, livro que o consagrou e mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio.
Em 1950 foi transferido para o Porto, cidade onde viverá até ao fim da vida, sempre distanciado da vida social, literária ou mundana, justificando as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Publicou mais de vinte livros de poesia, obras em prosa, antologias, livros infantis e traduziu poetas como Federico García Lorca, Jorge Luís Borges, René Char ou a poetisa grega clássica Safo, entre outros.
Eugénio de Andrade foi elemento da Academia Mallarmé (Paris) e membro fundador da Academia Internacional "Mihail Eminescu" (Roménia).
Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética.
O prestígio nacional e internacional granjeou-lhe diversas distinções e prémios, entre os quais, o Grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada (1982), o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), o Prémio D. Dinis da Fundação Casa Mateus (1988), o Grande Prémio da Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), o Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996), a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (1989) e o Prémio Camões (2001).
Em maio de 2001, recebeu o primeiro prémio de poesia "Celso Emilio Ferreiro" atribuído em Orense, na Galiza. Ainda em maio de 2001, foi homenageado na Universidade de Bordéus por altura da realização do "Carrefour des Littératures", tendo sido considerado um dos mais importantes escritores do século XX. Em 2003, com a obra Os Sulcos da Sede, recebeu o Prémio de Poesia do Pen Clube Português.
Em 1991, foi criada no Porto a Fundação Eugénio de Andrade, extinta em 2011. Para além de ter servido de residência ao poeta, esta instituição teve como principais objetivos o estudo e a divulgação da obra do autor assim como a organização de diversos eventos como lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia.
Eugénio de Andrade faleceu em Porto, a 13 de junho de 2005, após uma doença neurológica prolongada. Encontra-se enterrado no Cemitério do Prado do Repouso, no Porto. A sua campa é rasa em mármore branco, desenhada pelo arquiteto amigo Siza Vieira, com versos do seu livro As Mãos e os Frutos gravados.

Obra
(*) Disponível na Biblioteca do ECB

Poesia
Narciso, José Fontinhas. Lisboa: ed. do Autor, 1940.

Adolescente, 1942.

Pureza, 1945.
As Mãos e os Frutos, 1948, 21ª edição, 2000.
Os Amantes sem Dinheiro, 1950, 16ª edição, 2000.
As Palavras Interditas, 1951, 13ª edição, 2002.
Até Amanhã, 1956, 13ª edição, 2002.
Coração do Dia, 1958, 12ª edição, 1994.
Mar de Setembro, 1961, 12ª edição, 1994.
Ostinato Rigore, 1964, 11ª edição, 1997.
Obscuro Domínio, 1971, 8ª edição, 2000.
O Inverno
Véspera de Água, 1973, 6ª edição, Limiar, 1990.
Escrita da Terra, 1974, 7ª edição, 2002.
Homenagens e outros Epitáfios, 1974, 8ª edição, 1993.
Limiar dos pássaros, 1976, 7ª edição, 1994.
Primeiros Poemas, 1977, 10ª edição, 2000.
Memória Doutro Rio, 1978, 4ª edição, Limiar, 1985.
Matéria Solar, 1980, 5ª edição, 2000. (*)
O Peso da Sombra, 1982, 3ª edição, Limiar, 1989.
Branco no Branco, 1984, 5ª edição, 19.
Vertentes do Olhar, 1987, 5ª edição, 2003.
O Outro Nome da Terra, 1988, 2ª edição, Limiar, 1989.
Contra a Obscuridade, 1988, 5ª edição, 1993.
Rente ao Dizer, 1992, 4ª edição, 2002.
Ofício de Paciência, 1994, 2ª edição, 2000.
O Sal da Língua, 1995, 4ª edição, Associação Portuguesa de Escritores, 2001.
Pequeno Formato, 1997, 2ª edição, 1997.
Os Lugares do Lume, 1998, 2ª edição, 1998.
Os Sulcos da Sede, 2001, 3ª edição, 2002.

Antologias poéticas
Antologia [1945-1961], Delfos, 1961.
Poemas (1945-1966), 3ª edição, 1971.
Poesia e prosa (1940-1979), 2 vol., 1980. (*)
Poesia e prosa (1940-1980), 1981; 2a ed. e aumentada.
Poesia e prosa (1940-1986). Lisboa: Círculo de Leitores, 1987, 3 vol.
Poesia e Prosa (1940-1989), 4ª edição, O Jornal/Limiar, 1990.
Poemas de Eugénio de Andrade, select., est. e notas de Arnaldo Saraiva, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1999.
Poesia, 2000.

Prosa
Os afluentes do silêncio. Porto: Inova, 1968.
Rosto precário. Porto: Limiar, 1979. (*)
À sombra da memória. Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 1993.

Antologias
Daqui Houve Nome Portugal, 1968, 4ª edição, Edições Asa, 2000.
Memórias da Alegria, 1971, 2ª edição, Campo das Letras, 1996.
Antologia Breve, 1972, 7ª edição, 1999.
A Cidade de Garrett, 1993, 3ª edição, 1997.
Fernando Pessoa, Poesias Escolhidas, 1995, 6ª edição, Campo das Letras, 2001.
Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões, 1972, 5ª edição, Campo das Letras, 1996.
Erros de Passagem, seleção e prefácio, 1982, 3ª edição, Campo das Letras, 1998.
Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, 1999, 7ª edição, Campo das Letras, 2002. (*)
Sonetos de Luís de Camões, Assírio & Alvim, 2000.
Poemas Portugueses para a Juventude, Edições Asa, 2002.

Literatura Infantil
História de égua branca. Porto: Asa, 1976. Com ilustrações de Manuela Bacelar.
Aquela Nuvem e Outras, 1986, 10ª edição, Campo das Letras, 2002.

Tradução
Poemas de García Lorca, 1946, 5ª edição, 2000.
Cartas Portuguesas, 1969, 9ª edição, Assírio & Alvim, 1998.
Poemas e Fragmentos de Safo, 1974, 5ª edição, 1995.
Trocar de Rosa, 1980, 5ª edição, 1995.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Prémio de Escrita & Ilustração Gonçalves Sapinho

 


Está lançada a edição 2022-2023 do Prémio de Escrita & Ilustração Gonçalves Sapinho, este ano sob o mote “Carta ao Futuro”.

De acordo com o Regulamento, os textos a concurso devem ser enviados até dia 24 de fevereiro de 2023. A inscrição dos ilustradores deve ser feita entre os dias 27 de fevereiro e 10 de março de 2023.

Para mais informações, consultar a página do ECB ou clicar em

Regulamento Prémio de Escrita & Ilustração

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Annie Ernaux - Prémio Nobel da Literatura 2022


A Academia Sueca distinguiu hoje, 6 de outubro, a escritora francesa Annie Ernaux com o Prémio Nobel da Literatura 2022.

Entre os 119 laureados da história do prémio, Annie Ernaux é a 17.ª mulher a receber esta distinção nesta categoria.

Annie Ernaux nasceu em 1940, em Lillebonne, na Normandia, e estudou nas universidades de Rouen e de Bordéus, sendo formada em Letras Modernas. Professora universitária de Literatura, com cerca de 20 livros publicados, é hoje uma das vozes mais importantes da literatura francesa, destacando-se por uma escrita onde se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história dos eventos recentes, abordando temas como o aborto, a igualdade de género e as classes sociais.


Antes deste prémio, Annie Ernaux havia já sido galardoada com o Prémio Renaudot (1984), o Prémio de Língua Francesa (2008), Prémio Europeu Strega (2016), o Prémio Marguerite Yourcenar (2017), o Prémio Formentor de las Letras (2019) e o Prémio Prince Pierre do Mónaco (2021).

Em Portugal, em 1987 foi publicada a obra O lugar, pela editora Fragmentos (esgotado). Recentemente, a chancela Livros do Brasil, do grupo editorial Porto Editora, publicou "Os anos" (2020), "Uma paixão simples" (2020) e "O acontecimento" (2022).





terça-feira, 4 de outubro de 2022

Dia Mundial do Animal - sugestões de leitura

 


Calvin Esparguete: Diário de um gato citadino

Filomena Lança, Publicações Dom Quixote, 2018

Os gatos não têm dono. Pelo contrário, sempre que podem, eles tornam-se donos de vários humanos que não se importem de lhes dar comida e um sítio para passar a noite.

Eis a filosofia do gato desta história, que se recusa a ficar em casa, a dormir no sofá, e que passa os dias em animados passeios pela cidade de Lisboa.

Calvin Esparguete era um gato cinzento, gordo e muito independente, que gostava de fugir de casa e de passear pelas ruas de Lisboa. A sua dona, a jornalista Filomena Lança, decidiu contar a sua história no livro, Calvin Esparguete: Diário de um gato citadino. Uma história contada na primeira pessoa, num exercício divertido: o que é que um gato pensaria disto tudo?

Passeava-se alegremente pelas ruas de Lisboa, andava de autocarro, ou de Metro, ficava meses fora de casa, alguns dias com novas famílias, perdia-se nos subúrbios, foi estrela na Internet e fez amigos entre os turistas. Mas regressava sempre a casa.

As aventuras de Calvin Esparguete terminaram em março de 2021, depois de 18 anos intensos, um enorme privilégio para quem com ele as partilhou.

A sua página de Facebook continua ativa.

https://pt-pt.facebook.com/PaginaDoCalvin/



Cão como nós

Manuel Alegre, Publicações Dom Quixote, 2002

Quase todos nós já tivemos um animal de estimação: cão, gato, periquito, peixinho, tartaruga, já fizeram parte da nossa vida e já foram "um de nós".

Na novela Cão como nós, Manuel Alegre apresenta-nos o Kurika, um épagneul-breton que acompanhou o escritor e a sua família ao longo de anos.

"Cão bonito, dizia eu, em momentos raros. E era um acontecimento lá em casa. Os filhos como que se reconciliavam comigo, minha mulher sorria, o cão começava por ficar surpreendido e depois reagia com excesso de euforia, o que por vezes me fazia arrepender da expressão carinhosa.

[…] Digamos que aquele cão era quase um especialista nas relações com os humanos. […] Deixava-se dominar pela emoção, o que não era vulgar num cão que fazia o possível e o impossível para não o ser.

[…] Um grande chato, sim, um cão rebelde, caprichoso, desobediente, mas um de nós, o nosso cão, ou mais que o nosso cão, um cão que não queria ser cão e era cão como nós."

Manuel Alegre, Cão como nós, Publicações Dom Quixote, 2002