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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Menos é Mais - o jornal digital do 10º B

 



A direção do Externato Cooperativo da Benedita propôs no início do ano letivo 2020/2021 que o tema central dos projetos do Domínio e Autonomia Curricular fosse a Sustentabilidade.

         Como resultado deste ano de trabalho, os alunos do 10º ano, turma B, de Ciências e Tecnologias, do Externato Cooperativo da Benedita elaboraram um Jornal Digital com o Tema “Menos é Mais”, integrado na temática global da escola.

         A apresentação deste jornal ocorreu no dia 24 de maio de 2021 e contou com a presença do Diretor, Dr. Nuno Rosa, dos professores da turma e dos alunos da turma A do 10º ano de Ciências e Tecnologias, aos quais agradecemos a presença.



O site a que devem aceder para conhecer e participar no nosso trabalho é o que se segue:

https://menosemais811493790.wordpress.com/

Muito Obrigada!

A Turma B, do 10º ano de CT


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

 


"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão."

Artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos


Comemora-se hoje o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, data proclamada em 1993, na 26ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO em Paris.

O dia 3 de Maio foi escolhido para assinalar o aniversário da Declaração de Windhoek, declaração aprovada durante um seminário organizado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura) e pelo MISA (Instituto para a Comunicação Social da África Austral) sobre a "Promoção da Independência e do Pluralismo da Imprensa Africana", que se realizou em Windhoek, Namíbia, de 29 de Abril a 3 de Maio de 1991.

O artigo V da Declaração de Windhoek, em harmonia com o artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, considera que “a tendência mundial para a democracia e a liberdade de informação e de expressão é um contributo fundamental para a realização das aspirações da humanidade” e que "o estabelecimento, manutenção e promoção de uma imprensa independente, pluralista e livre é essencial para o desenvolvimento e a manutenção da democracia numa nação, e para o desenvolvimento económico", isto é, a Liberdade, a Independência e o Pluralismo dos meios de comunicação social são princípios essenciais para a salvaguarda da Democracia e dos Direitos Humanos.


Com a comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pretende-se:

  • promover os princípios fundamentais da liberdade de imprensa;
  • sensibilizar os líderes políticos e a comunidade em geral para a defesa da liberdade de imprensa;
  • combater os ataques feitos aos media e impedir as violações à liberdade de imprensa;
  • lembrar os jornalistas que são vítimas de ataques, capturados, torturados ou a quem são impostas limitações no exercer da sua profissão;
  • prestar homenagem a todos os profissionais que faleceram vítimas de ataques terroristas ou que foram assassinados por organizações terroristas no desempenho das suas funções.

Portugal, desde a instauração do regime democrático em abril de 1974, após décadas de censura, é um país onde a liberdade de imprensa é garantida constitucionalmente. De acordo com o Artigo 38º da Constituição da República Portuguesa (sobre Liberdade de imprensa e meios de comunicação social):

1. É garantida a liberdade de imprensa.

2. A liberdade de imprensa implica:

a) A liberdade de expressão e criação dos jornalistas e colaboradores, bem como a intervenção dos primeiros na orientação editorial dos respetivos órgãos de comunicação social, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional;

b) O direito dos jornalistas, nos termos da lei, ao acesso às fontes de informação e à proteção da independência e do sigilo profissionais, bem como o direito de elegerem conselhos de redação;

c) O direito de fundação de jornais e de quaisquer outras publicações, independentemente de autorização administrativa, caução ou habilitação prévias.


No entanto, sabemos que a nível mundial a liberdade de imprensa está cada vez mais ameaçada pela proliferação da desinformação que grassa nas redes sociais, nos media e em outras plataformas de fácil acesso. Além disso, todos os anos vários jornalistas são capturados e mantidos prisioneiros em diversas regiões do mundo, com destaque para os países onde vigoram regimes ditatoriais.

A ONG internacional e independente Repórteres Sem Fronteiras (RSF) desenvolve esforços para proteger os profissionais de comunicação social em todo o mundo e alerta para os perigos a que estão sujeitos no desempenho do seu trabalho. Anualmente, avalia a situação mundial da liberdade de imprensa em 180 países e territórios e dá a conhecer o ranking.

A edição 2021 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mostra que o exercício da atividade jornalística está gravemente comprometido em mais de 130 países e que o jornalismo, a principal “vacina contra o vírus da desinformação”, como afirmou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, está total ou parcialmente limitado em 73% dos países avaliados.

No documento da RSF 2021 sublinha-se que houve uma "deterioração dramática" da liberdade de imprensa desde que a pandemia atingiu o planeta, verificando-se que alguns países utilizaram a pandemia do novo coronavírus "para bloquear o acesso dos jornalistas à informação, fontes e reportagens no terreno".

De acordo com os últimos dados, apenas 12 dos 180 países avaliados, ou seja, 7% (eram 8% em 2020), podem orgulhar-se de proporcionar um ambiente favorável à informação, aparecendo a Noruega, pelo quinto ano consecutivo, em primeiro lugar no ranking, seguida da Finlândia, da Suécia e da Dinamarca, confirmando o destaque do "modelo nórdico". No campo oposto, encontramos países como a Índia (142º), o México (143º), a Rússia (150º), ou a China (177º). Os últimos lugares do ranking são ocupados pelo Turquemenistão (178º), a Coreia do Norte (179º) e a Eritreia (180º).

Portugal, em 2021, aparece classificado em 9º lugar, verificando-se a subida de uma posição face aos dados de 2020.


No ano em que se comemoram os 30 anos da Declaração de Windhoek, a ONU escolheu o lema “A informação como um bem comum”, realçando a diferença entre a informação e outros tipos de conteúdos de comunicação, como a desinformação, o discurso de ódio ou o entretenimento. O objetivo é chamar a atenção para o papel da imprensa na produção de notícias como informação verificada de interesse público e como isto depende de um ecossistema mais amplo que transforma a informação num bem comum.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2021 enfatiza três imperativos para este ecossistema:

  • medidas para garantir a viabilidade económica dos meios de comunicação social;
  • mecanismos para garantir a transparência das empresas da Internet;
  • melhoria das capacidades de literacia mediática e informacional que permitam aos cidadãos reconhecer e valorizar, assim como defender e exigir, a imprensa como parte fundamental da informação como um bem comum.




sábado, 1 de maio de 2021

Aquilino Ribeiro - autor do mês de maio


Aquilino Ribeiro, considerado por muitos como um dos romancistas portugueses mais fecundos da primeira metade do século XX, uma referência da literatura portuguesa e um símbolo da liberdade, nasceu em Tabosa do Carregal, concelho de Sernancelhe, Viseu, a 13 de setembro de 1885 e morreu em Lisboa, a 27 de maio de 1963. Foi autor de uma das mais importantes obras literárias portuguesas do século XX, abrangendo ficção, crítica, biografia, evocação histórica, ensaio, teatro, etnografia, polémica, tradução e contos para crianças.

Em 1895, após concluir o ensino primário, ingressou no Colégio de Nossa Senhora da Lapa, em Sernancelhe, em 1900 entrou no Colégio de Lamego, sendo depois enviado  para o Seminário de Beja, para cumprir o desejo materno de ser ordenado padre. Aquilino acabaria por ser expulso do Seminário em 1904 e, dois anos mais tarde, partiria rumo a Lisboa.

A adesão à causa republicana reflete-se na escrita de Aquilino Ribeiro (nomeadamente, através da sua colaboração com o jornal republicano A Vanguarda) e no seu envolvimento e participação em atividades conspirativas contra a monarquia liberal desvirtuada por governos autoritários.

O ano de 1907 marcará a vida de Aquilino em duas vertentes: foi neste ano que iniciou a sua obra literária com o folhetim "A Filha do Jardineiro" escrito em parceria com José Ferreira da Silva, uma obra de ficção de propaganda republicana e de crítica às figuras do regime monárquico. É também em 1907 que Aquilino é preso, acusado de anarquista, na sequência do rebentamento de caixotes de explosivos guardados no seu quarto na Rua do Carrião, em Lisboa, na qual morreram dois correligionários ligados à Carbonária. Encarcerado na esquadra do Caminho Novo, Aquilino consegue evadir-se em janeiro de 1908. Após alguns meses de clandestinidade em Lisboa (onde mantém contacto com os que viriam a assassinar o rei D. Carlos e o Príncipe Real), segue para Paris em 1910, inscrevendo-se no curso de Filosofia da Sorbonne, onde contacta com intelectuais portugueses que, também por motivos políticos, se viam forçados a viver fora de Portugal.

Vem a Portugal após o 5 de outubro de 1910 e regressa a Paris, casando-se entretanto com a alemã Grete Tiedemann. Em 1914, nasce o primeiro filho, Aníbal Aquilino Fritz Tiedemann Ribeiro. Nesse mesmo ano publicará novo livro, Jardim das Tormentas.

O início da Primeira Guerra Mundial obriga a família a regressar a Portugal. Aquilino continua a escrever, entre ficção e crónicas para a imprensa periódica (atividade que desenvolverá com enorme regularidade ao longo de toda a sua vida), ao mesmo tempo que dá aulas no Liceu Camões, onde é admitido mesmo sem ter concluído a licenciatura em Paris, aí ficando durante três anos.


(Aquilino Ribeiro em 1918)

Em 1918 publica A Via Sinuosa.

Entre 1919 e 1927, e a convite de Raul Proença, assumirá o cargo de segundo bibliotecário na Biblioteca Nacional.

Publica entretanto (1919) Terras do Demo e a primeira versão do seu conto "Valeroso Milagre" na Revista Atlântida (nº 32).

Em 1921 integra a direção da revista Seara Nova. Em 1922 publica O Malhadinhas integrado no livro Estrada de Santiago, o qual inclui também uma nova versão do "Valeroso Milagre".

Intransigente defensor da justiça e da liberdade, envolve-se em conspirações contra a Ditadura Militar instaurada em Portugal após o golpe de 28 de maio de 1926, participando na revolta de 7 de fevereiro de 1927, em Lisboa. Alvo de perseguições, é forçado a novo exílio em Paris. No fim do ano regressa a Portugal, clandestinamente, após a morte da mulher. Em 1928 entra na revolta do regimento de Pinhel. Encarcerado na prisão de Fontelo (Viseu), evade-se e volta a Paris.

Em 1929 casa com Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado (o presidente da República deposto por Sidónio Pais em 1917 e, em novo mandato, pelo golpe militar de 28 de maio de 1926). Do casal virá a nascer, em 1930, o segundo filho, Aquilino Ribeiro Machado.

Em 1931 vai viver para a Galiza. Em 1932 volta a Portugal clandestinamente. Em 1933 recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, pelo seu livro As Três Mulheres de Sansão.

Em 1935 é eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Após o último período de exílio, dedica-se afincadamente à escrita, continuando a participar em ações contra a ditadura salazarista. Aderiu ao MUD (Movimento de Unidade Democrática) e, em 1948, apoiou a campanha presidencial de Norton de Matos. Em 1958, militou na candidatura de Humberto Delgado à presidência da República.

Em 1946 publicara Aldeia, Terra, Gente e Bichos e, em 1951, publica Geografia Sentimental.

Em 1952 faz uma viagem ao Brasil onde é homenageado por escritores e artistas, na Academia Brasileira de Letras. Em 1956 é fundador e presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.

Em 1957 publica A Casa Grande de Romarigães e, em 1958, Quando os Lobos Uivam. Neste mesmo ano é nomeado sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa.




Em 1960 é proposto para o Prémio Nobel da Literatura por Francisco Vieira de Almeida, proposta subscrita por José Cardoso Pires, David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, José Gomes Ferreira, Maria Judite de Carvalho, Mário Soares, Vitorino Nemésio, Abel Manta, Alves Redol, Luísa Dacosta, Vergílio Ferreira, entre muitos outros.

Em 1962 nasce-lhe a primeira neta, Mariana, a quem dedica O Livro da Marianinha.


Em 1963 é homenageado em várias cidades do país por ocasião dos cinquenta anos de vida literária. Morre em Lisboa no dia 27 de maio do mesmo ano. Nessa mesma hora, a Censura comunicava aos jornais não ser mais permitido falar das homenagens que lhe estavam a ser prestadas. É sepultado no Cemitério dos Prazeres.

Num número considerável de obras, Aquilino reflete, ainda que distorcidas pela imaginação, cenas da sua vida: o convívio com as gentes do campo, a educação ministrada pelos sacerdotes, as conspirações políticas, as fugas rocambolescas, os exílios.

Até 1932, ano em que fixa residência na Cruz Quebrada, todos os ambientes, contextos e personagens que Aquilino cria remetem para a sua Beira natal, os seus costumes, tradições e modos de falar típico, como se observa em O Malhadinhas, Andam Faunos pelos Bosques ou Terras do Demo. 

Em 1974, o livro de memórias Um Escritor Confessa-se é publicado postumamente.

Em 1982, a 14 de Abril, recebe a título póstumo o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.

Em 2007, por decisão unânime, a Assembleia da República decide homenagear a sua memória e conceder aos seus restos mortais honras de Panteão Nacional, ocorrendo a cerimónia de trasladação no dia 19 de setembro, apesar de objeções por parte de alguns grupos de cidadãos, devido ao seu assumido envolvimento no Regicídio de 1908.

Obras literárias

(*) Na Biblioteca do ECB

1907 - A filha do jardineiro (folhetim)

1915 - Jardim das Tormentas (contos). (*)

1918 - A Via Sinuosa (romance).

1919 - Terras do Demo (romance). (*)

1919 - Valeroso milagre (contos)

1920 - Filhas de Babilónia (novelas).

1922 - Estrada de Santiago (novelas); incluía O Malhadinhas.

1922 - Recreação Periódica (tradução de Amusement Périodique, do Cavaleiro de Oliveira).

1924 - Romance da Raposa (literatura infanto-juvenil). (*)

1926 - Andam Faunos pelos Bosques (romance). (*)

1930 - O Homem que Matou o Diabo (romance).

1931 - Batalha sem Fim (romance). (*)

1932 - As Três Mulheres de Sansão (novelas). (*)

1933 - Maria Benigna (romance).

1934 - É a Guerra (diário). (*)

1934 - Sonhos de uma noite de Natal (contos).

1935 - Alemanha Ensanguentada (caderno dum viajante). (*)

1935 - Quando ao Gavião Cai a Pena (contos). (*)

1936 - O Galante Século XVIII (compilação e tradução de textos do Cavaleiro de Oliveira).

1936 - Anastácio da Cunha, o Lente Penitenciado (vida e obra).

1936 - Arca de Noé (contos para as crianças).

1936 - Aventura Maravilhosa de D. Sebastião Rei de Portugal depois da batalha com o Miramolim (romance). (*)

1937 - S. Banaboião Anacoreta e Mártir (romance).

1938 - A Retirada dos Dez Mil (tradução da Anábase, de Xenofonte). (*)

1939 - Mónica (romance). (*)

1939 - Por Obra e Graça (estudos).

1940 - Oeiras (monografia).

1940 - Em Prol de Aristóteles (tradução do texto latino de André de Gouveia).

1940 - O Servo de Deus e a Casa Roubada (novelas).

1942 - Os Avós dos Nossos Avós (história).

1943 - Volfrâmio (romance). (*)

1945 - Lápides Partidas (romance). (*)

1945 - O Livro do Menino Deus (o Natal na história religiosa e na etnografia) (literatura infanto-juvenil)

1946 - Aldeia (terra, gente e bichos). (*)

1947 - O Arcanjo Negro (romance).

1947 - Caminhos Errados (novelas). (*)

1947 - Constantino de Bragança, VII Vizo-Rei da Índia (história).

1948 - Cinco Réis de Gente (romance). (*)

1948 - Uma Luz ao Longe (romance).

1949 - Camões, Camilo, Eça e Alguns Mais (estudos de crítica histórico-literária). (*)

1949 - O Malhadinhas (edição autónoma). (*)

1950 - Luís de Camões, Fabuloso, Verdadeiro (ensaio). (*)

1951 - Geografia Sentimental (história, paisagem, folclore).

1951 - Portugueses das Sete Partidas (viajantes, aventureiros, troca-tintas).

1952 - Leal da Câmara (vida e obra). (*)

1952 - O Príncipe Perfeito (tradução da obra Kirou Paideia, de Xenofonte).

1952 - Príncipes de Portugal. Suas grandezas e misérias (história).

1952 - Fernão Mendes Pinto: aventuras extraordinárias de um português no Oriente (literatura infanto-juvenil) (*)

1953 - Arcas Encoiradas (estudos, opiniões, fantasias). (*)

1954 - O Homem da Nave (serranos, caçadores e fauna vária).

1954 - Humildade Gloriosa (romance).

1955 - Abóboras no Telhado (crónica e polémica). (*)

1957 - A Casa Grande de Romarigães (crónica romanceada). (*)

1957 - O Romance de Camilo (biografia e crítica). (*)

1958 - Quando os Lobos Uivam (romance). (*)

1958 - A mina de diamantes (Nota: Edição conjunta com "O Malhadinhas")

1959 - Dom Frei Bertolameu. As três desgraças teologais (legenda). (*)

1959 - D. Quixote de la Mancha (versão da obra de Cervantes). (*)

1959 - Novelas Exemplares (versão da obra de Cervantes).

1960 - No Cavalo de Pau com Sancho Pança (ensaio). (*)

1960 - De Meca a Freixo de Espada à Cinta (ensaios ocasionais). (*)

1962 - Arcas encoiradas: estudos, opiniões, fantasias (ensaio). (*)

1963 - Tombo no Inferno. O Manto de Nossa Senhora (teatro).

1963 - Casa do Escorpião (novelas).

1967 - O Livro de Marianinha (lengalengas e toadilhas em prosa rimada) (literatura infanto-juvenil).

1974 - Um Escritor Confessa-se (memórias) (edição póstuma). (*)

1988 - Páginas do Exílio. Cartas e crónicas de Paris (recolha de textos e organização de Jorge Reis).


terça-feira, 6 de abril de 2021

OS CENSOS VÃO ÀS ESCOLAS

 

Em abril de 2021 começa o XVI Recenseamento Geral da População Portuguesa e o VI Recenseamento Geral da Habitação. Até hoje, efetuaram-se, em Portugal, quinze recenseamentos da população e cinco recenseamentos da habitação, segundo as recomendações internacionais, iniciadas em 1853. A primeira realização simultânea dos dois tipos de recenseamento (população e habitação) aconteceu em 1970.

Os Recenseamentos da População e da Habitação – CENSOS – são as maiores operações estatísticas realizadas em qualquer país do mundo; destinam-se a obter informação sobre toda a população residente, as famílias e o parque habitacional.

Os Princípios e Recomendações da Organização das Nações Unidas entendem os Censos como “processos normalizados de recolha, tratamento, avaliação, análise e difusão de dados, referenciados a um momento temporal específico e respeitantes a todas as unidades estatísticas (indivíduos, agregados, alojamentos e edifícios) de uma zona geográfica bem delimitada, normalmente o país”.

Este ano, a iniciativa “OS CENSOS VÃO ÀS ESCOLAS”, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estatística em colaboração com a Equipa do ALEA (Área Local de Estatística Aplicada), tem como objetivos:

  • Convocar a comunidade educativa para a divulgação da importância em responder aos Censos 2021.
  • Dar a conhecer aos alunos dos diversos graus de ensino o que são, para que servem e como se fazem os Censos;
  • Mobilizar e incentivar os alunos e familiares na resposta aos Censos 2021 pela Internet e em segurança.

A resposta aos Censos 2021 pela Internet inicia-se no dia 19 de abril.

Para conhecer este projeto, clique em

https://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpgid=censos21&xpid=CENSOS21&xlang=pt#censos_estao


Para saber mais sobre os Censos, clique em:

https://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpgid=censos21_sobre_censos&xpid=CENSOS21&xlang=pt



sexta-feira, 2 de abril de 2021

Dia Internacional do Livro Infantil

 


(Cartaz  do ilustrador Bernardo P. Carvalho)

No dia 2 de abril, comemora-se em todo o mundo o Dia Internacional do Livro Infantil, data escolhida em 1967, por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), para assinalar o nascimento de Hans Christian Andersen, um dos mais conhecidos autores de livros para os mais pequenos. Esta comemoração tem sido alargada a todas as instituições que chamam a atenção para a importância da leitura e dos livros para a infância e em Portugal as iniciativas são da responsabilidade da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.


Hans Christian Andersen nasceu no dia 2 de abril de 1805, na cidade de Odense, Dinamarca.

Crescendo num lar humilde, mas, mesmo sem saber ler e escrever, foi o seu pai que fomentou no pequeno Hans Christian a imaginação e a criatividade, contando-lhe histórias, apresentando-lhe obras como As Mil e Uma Noites e fabricando-lhe um teatrinho de marionetas. Muitas das histórias que viria a escrever ficaram marcadas pela infância pobre e pelas dificuldades do quotidiano

Aos onze anos, a morte do pai obrigou-o a abandonar a escola, começando a trabalhar como aprendiz de tecelão e, mais tarde, para um alfaiate. Aos catorze anos, mudou-se para Copenhaga para procurar emprego como ator, começando a trabalhar no Teatro Real da Dinamarca, até que a sua voz mudou com o avançar da puberdade. Um colega do teatro aconselhou-o a escrever poesia. Começou a dedicar-se à escrita e, em 1822, publicou o seu primeiro conto, O Fantasma da Tumba de Palnatoke, começando uma carreira dedicada à escrita de contos infantis, que terminaria em 1872, ano em ficou gravemente ferido ao cair da sua própria cama. Com a saúde cada vez mais debilitada, Hans Christian Andersen morreu a 4 de agosto de 1875, em Copenhaga.

Apesar de ter escrito diversos romances para adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos de fadas que tornaram Hans Christian Andersen famoso, especialmente numa altura em que eram muito raros livros destinados especificamente a crianças.

Para alguns estudiosos, Hans Christian Andersen foi a "primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças", nas quais procurava passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela sociedade, apontando os confrontos entre "poderosos" e "desprotegidos", "fortes" e "fracos", "exploradores" e "explorados", demonstrando a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais.

Foi graças ao contributo de Hans Christian Andersen para a literatura juvenil que, em 1967, o Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY) decretou a data do seu nascimento como Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil, chamando a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

O mais importante prémio internacional atribuído à literatura infanto-juvenil tem o seu nome. Criado em 1956, e considerado o “pequeno Nobel” da Literatura, o Prémio Hans Christian Andersen é concedido de dois em dois anos pela International Board on Books for Young People (filiada da UNESCO). Desde 1966, o prémio é também atribuído na categoria de ilustração.

Em 1956, a escritora britânica foi a primeira a receber o Prémio Hans Christian Andersen, seguida no ano seguinte pela sueca Astrid Lindgren. A título de curiosidade, em 2010, foi a escritora inglesa J.K. Rowling a merecer esta distinção.

Em 2020, Jacqueline Woodson, dos Estados Unidos, foi a última escritora a receber este prémio, enquanto a suiça Albertine Zullo ganhou o prémio de ilustração.

Todos os anos o IBBY internacional convida um país a dar o mote e a escrever um texto alusivo à literatura para a infância. Este ano, os Estados Unidos são o país convidado e o texto é da autoria da escritora cubano-americana Margarita Engle.


(Margarita Engle)

A música das palavras

Quando lemos, crescem-nos asas na mente

Quando escrevemos, cantam os dedos.

Palavras são batuques e flautas na página

altos trinados, elefantes bramindo,

rios que correm, águas caindo,

pirueta de borboleta

longe no céu!

As palavras convidam à dança – ritmos, rimas, batidas

das asas, do coração, dos cascos no chão, contos velhos e recentes,

fantasias e verdades.

Quer estejas quentinho em casa

ou a atravessar o mundo para uma terra diferente

e uma língua estranha, as histórias e poemas

pertencem-te.

Quando partilhamos palavras, a nossa voz

torna-se a música do futuro,

alegria, amizade e paz,

a melodia

da esperança.

Margarita Engle

(Tradução de Ana Castro)


Em Portugal, e como já é tradição, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) disponibiliza um cartaz para assinalar este dia. Este ano o cartaz é da autoria do ilustrador Bernardo P. Carvalho (vencedor do Prémio Nacional de Ilustração em 2020), que se inspirou nos versos do poema de Margarita Engle, «Quando lemos, crescem-nos asas na mente». Porque cada livro que uma criança espreita com emoção desperta nela sensações únicas e traz-lhe «a melodia da esperança».


Entre os melhores contos de Hans Christian Andersen destacam-se:

O Patinho Feio

A Caixinha de Surpresas

Os Sapatos Vermelhos

O Pequeno Cláudio e o Grande Cláudio

O Soldadinho de Chumbo

A Pequena Sereia

A Princesa e a Ervilha

O Rei Vai Nu

O Abeto de Natal

O Rouxinol

A Vendedora de Fósforos

A Polegarzinha

A Rainha da Neve

A Pastora e o Limpa-chaminés


Na Biblioteca do ECB estão disponíveis várias coletâneas de contos de Hans Christian Andersen.




quinta-feira, 1 de abril de 2021

Luis Sepúlveda - autor do mês de abril

 


Luis Sepúlveda (outubro de 1949 - abril de 2020)

“- Olha, com toda a confusão do morto já quase me esquecia. Trouxe-te dois livros.

Os olhos do velho iluminaram-se.

- De amor?

O dentista fez que sim.

António José Bolívar Proaño lia romances de amor, e em cada uma das suas viagens o dentista abastecia-o de leitura.

- São tristes? – perguntava o velho.

- De chorar rios de lágrimas – garantia o dentista.

- Com pessoas que se amam mesmo?

- Como nunca ninguém amou.”

(O velho que lia romances de amor, págs. 24-25)

Deixou-nos há um ano o escritor chileno que em 1989 surpreendia o mundo com O Velho Que Lia Romances de Amor. Desde então, passaram-se mais de 30 anos e de 25 livros publicados e traduzidos em todo o mundo. E todos, dos mais novos aos mais velhos, aprendemos a ser melhores através dos seus romances ou das suas fábulas que nos chamaram a atenção para temas como o amor, a amizade, a preservação da natureza ou a luta contra as injustiças. Fomos conquistados por uma gaivota e pelo gato que a ensinou a voar, com as rosas de Atacama percorremos paisagens da Lapónia e da Patagónia, num mundo do fim do mundo reencontrámos Moby Dick, enquanto uma outra baleia branca nos levou a uma praia chilena no Sul do Mundo, onde vive o Povo do Mar.




Com milhões de leitores em todo o mundo, foi no Chile, na localidade de Ovalle, a mais de 300 km a norte da capital, Santiago, que a 4 de outubro de 1949 nasceu Luis Sepúlveda, que além de romancista foi realizador, guionista, jornalista e ativista político, filho de um proprietário de um restaurante e militante do Partido Comunista Chileno, e de uma enfermeira de origens mapuche (povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina).

Se apenas em 1989 publicou o primeiro romance (O Velho Que Lia Romances de Amor), foi ainda muito jovem, quando frequentava o Instituto Nacional, que começou a escrever, por influência de uma professora de História. Em 1969 publicou Crónicas de Pedro Nadie, uma compilação de contos que em 1970 lhe valeu o Prémio Literário da Casa das Américas.

A sua carreira como ativista político começou cedo: aos 15 anos ingressou na Juventude Comunista do Chile, da qual foi expulso em 1968. Em 1973 aderiu ao Partido Socialista Chileno.

No golpe militar do dia 11 de Setembro de 1973, que levou ao poder o ditador general Augusto Pinochet, Luís Sepúlveda encontrava-se no Palácio de La Moneda pois era membro da guarda pessoal do presidente Salvador Allende.

Foi feito prisioneiro e julgado por um tribunal militar em fevereiro de 1975, que o acusou de traição à pátria e conspiração subversiva, entre outros crimes. Escapando à pena de morte, habitual em casos semelhantes, foi condenado a vinte e oito anos de cadeia, entrando no estabelecimento prisional político de Temulo, de onde sairia em 1977, graças à persistência da Amnistia Internacional, que conseguiu que a sua pena fosse substituída por oito anos de exílio na Suécia.

Luis Sepúlveda viajou e trabalhou no Brasil, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO.

Na Amazónia, conheceu e tornou-se amigo de Chico Mendes, o brasileiro que fez parte do Movimento Ambientalista Mundial, lutou ao lado dos seringueiros da Bacia Amazónica e foi assassinado em 1988 a mando dos grandes fazendeiros locais. Foi a Chico Mendes, “um dos mais lídimos defensores da Amazónia”, que Luis Sepúlveda dedicou O Velho Que Lia Romances de Amor.


“Antonio José Bolívar Proaño tirou a sua dentadura postiça, guardou-a embrulhada no lenço, e, sem parar de amaldiçoar o gringo que estivera na origem da tragédia, o administrador, os garimpeiros, todos os que insultavam a virgindade da sua Amazónia, cortou com um golpe de machete um grosso ramo e, apoiando-se nele, pôs-se a andar na direção de El Idilio [como ironicamente, ou não, se chama o local onde vive], da sua choça, dos seus romances, que falavam do amor com palavras tão bonitas que às vezes lhe faziam esquecer a barbárie humana.” 

(O velho que lia romances de amor, pág. 110)

Em 1979, na Nicarágua, alistou-se na Brigada Internacional Simon Bolívar, a brigada sandinista que lutava contra a ditadura de Anastácio Somoza.

Em 1982, emigrou para Hamburgo, movido pela sua paixão pela literatura alemã. Nos 14 anos em que viveu na Alemanha, colaborou com movimentos ecologistas e, entre 1983 e 1988, foi correspondente da organização ambientalista Greenpeace.

Em 1997, instalou-se em Gijón, em Espanha, na companhia da mulher, a poetisa chilena Carmen Yáñez.


(Luis Sepúlveda e Carmen Yáñez)

A história de amor entre Luis Sepúlveda e Carmen Yáñez começara em 1967, no Chile, quando ambos pertenciam ao movimento político que apoiou a candidatura de Salvador Allende à presidência do Chile. Casaram-se em 1971, mas a prisão e o exílio acabaram por os separar. Na Alemanha, Sepúlveda casou-se pela segunda vez, com Margarita Seven, mas o casamento não durou. Após a separação, Sepúlveda mudou-se para Paris e, em 1996, para Gijón, nas Astúrias. Em 1981 reencontrara Carmen Yáñez, que vivia na Suécia. Mantiveram-se em contacto (a uni-los havia Carlos-Lenin, o filho nascido no Chile). Voltaram a apaixonar-se. Em 1997, passam a viver juntos em Gijón. Em 2004, casaram-se pela segunda vez.

Em Gijón, Luis Sepúlveda fundou e dirigiu o Salão do Livro Ibero-americano, destinado a promover o encontro de escritores, editores e livreiros latino-americanos com os seus homólogos europeus.

Após dezasseis anos de exílio, foi autorizado a regressar ao Chile, depois de Pinochet abandonar o poder.

Entre as suas muitas publicações, encontramos obras como Mundo do Fim do Mundo (1989), Patagonia Express (1995), Diário de um Killer Sentimental (1996), História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (1996), Encontro de Amor num País em Guerra (1997), As Rosas de Atacama (2000), Hot Line (2002), Uma História Suja (2004) e Os Piores Contos dos Irmãos Grimm (2005), tendo este último sido escrito em parceria com Mario Delgado Aparaín.

Nas obras que se seguiram, O Poder dos Sonhos, em 2006, e Crónicas do Sul, em 2008, encontramos o Chile como tema da narrativa.

Ainda em 2008, Luis Sepúlveda regressou à ficção com A Lâmpada de Aladino, 13 contos cujos temas vão desde a Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, até à fria e chuvosa cidade de Hamburgo, desde a Patagónia a Santiago do Chile nos anos 60, da recôndita fronteira do Peru à Colômbia ou ao Brasil.

Em 2009, publicou A Sombra do que Fomos, pelo qual recebeu o Prémio Primavera de Romance.

Com Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, escreveu em 2014 Uma ideia de felicidade, uma conversa tranquila onde se interligam memórias, experiências e histórias de grandes líderes e de heróis do quotidiano, que convidam à reflexão sobre o que é a felicidade e como conquistá-la...

Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço (prémio que visa galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura ibérica), uma honra que definiu como «uma emoção muito especial».

Em Portugal, era presença assídua na Feira do Livro de Lisboa e esteve presente em quase todas as 21 edições do Festival Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim, a última das quais entre 18 e 23 de fevereiro de 2020.

A 25 de fevereiro de 2020, já nas Astúrias, Luis Sepúlveda e a mulher, Carmen Yáñez, apresentaram os primeiros sintomas de Covid-19, dois dias depois de terem estado no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim. A 29 de fevereiro, receberam a confirmação do diagnóstico, naquele que seria o primeiro caso de infeção nas Astúrias.

‘Lucho’ (como carinhosamente era tratado pela família e amigos) foi internado no Hospital Universitário Central de Astúrias, onde faleceu no dia 16 de abril.

Carmen Yáñez, que sobreviveu e recuperou da doença, escreveu ao marido um poema emotivo, publicado no jornal regional das Astúrias El Comercio.

Éramos tão felizes e não sabíamos

Éramos tão felizes e não sabíamos

Ignorantes da luz que circundava a inocência

éramos tão felizes amor meu

com o calor das nossas mãos juntas

cruzando todos os caminhos

e rindo-nos dos obstáculos de pedra ou granizo

que tentavam parar esse caminho irresponsável da felicidade.

Éramos tão felizes

e não nos inteirávamos da dimensão da vida.

Da invisível ameaça, da larga sombra do medo,

não o sabíamos nós, irreverentes.

Amando-nos com projeções de futuro.

Hoje já não penso mais além da manhã enquanto espero

a tua prova de vida dita por todos.


Obras de Luis Sepúlveda

(*) na Biblioteca do ECB

Cronicas de Pedro Nadie (1969)

O Velho Que Lia Romances de Amor (1989) (*)

Nome de Toureiro (1994) (*)

Patagónia Express (1995) (*)

Mundo do Fim do Mundo (1992) (*)

Encontro de Amor num País em Guerra (1997) (*)

Diário de um Killer Sentimental (1998) (*)

As Rosas de Atacama (2000) (*)

O General e o Juiz (2002)

O Poder dos Sonhos (2004) (*)

Os Piores Contos dos Irmãos Grimm (em coautoria com o escritor uruguaio Mario Delgado Aparaín) (2004)

Uma História Suja (2004)

História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar (2008) (*)

A Lâmpada de Aladino (2008) (*)

A sombra do que fomos (2009) (*)

Histórias daqui e dali (2010) (*)

Crónicas do Sul (2011)

História de um gato e de um rato que se tornaram amigos (2012) (*)

Últimas notícias do sul (com Daniel Mordzinski) (2012) (*)

História do caracol que descobriu a importância da lentidão (2013) (*)

Palavras em tempos de crise (2013) (*)

Uma ideia de felicidade (com Carlo Petrini) (2014)

A venturosa história do Usbeque mudo (2015)

História de um cão chamado Leal (2015)

O fim da história (2016)

História de uma baleia branca (2019) (*)

Filmografia

Como argumentista

1986: Vivir a los 17

2000: Tierra del fuego

2002: Corazón verde

2002: Nowhere

2004: Corazón-bajo

Como realizador

1986: Vivir a los 17

2002: Nowhere

2004: Mano armada

2004: Corazón-bajo

Como editor

2004: Mano armada

2004: Corazón-bajo

Como ator

1998: La Gabbianella e il gatto: Poeta (voz)

2000: Bibo per sempre: Il Barbone

Como director de fotografia

2004: Corazón-bajo

Como produtor

2004: Mano armada

Prémios e distinções

Premio Gabriela Mistral de poesia (1976)

Prémio Rómulo Gallegos de novela (1978)

Premio Tigre Juan de novela (1988)

Premio de relatos cortos «La Felguera» (1990)

Prémio Primavera de Romance (2009)

Prémio Eduardo Lourenço (2016)