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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Valter Hugo Mãe - autor do mês de setembro

 


As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos ignorantes e dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam canções ou trombetas a cada instante. E há invariavelmente quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.

(Do conto “Bibliotecas”, in Contos de cães e maus lobos)


No dia 25 de setembro, Valter Hugo Mãe comemora 50 anos de vida e 25 desde que publicou o primeiro livro. Para assinalar esta data duplamente festiva, promete a apresentação de novo romance.

Valter Hugo Mãe, pseudónimo literário de Valter Hugo Lemos, nasceu em Angola, a 25 de setembro de 1971. Escritor, editor, artista plástico e músico, tem editados mais de 30 livros, entre romances, poesia e literatura infantil.

Com obra publicada desde 1996, o livro de poesia Silencioso corpo de fuga, o reconhecimento de Valter Hugo Mãe como um dos nomes mais destacados da atual literatura portuguesa surge em 2007, com a atribuição do Prémio Literário José Saramago ao romance o remorso de baltazar serapião. O próprio José Saramago o descreveria como um “tsunami literário”.

Em Contra mim, publicado em 2020, num registo pessoal e intimista, apresenta-nos uma ideia de biografia composta por retalhos da infância e adolescência, desde o nascimento na antiga Vila Henrique de Carvalho (atual Saurimo, cidade angolana, capital da província de Lunda Sul), até às vivências já em Portugal, entre Paços de Ferreira e Vila do Conde, onde a família foi morar em 1980.


«Estamos sempre à procura das nossas grandes crianças. Essas que começámos por ser e que se tornam paulatinamente inacessíveis, como irreais e até proibidas. Crianças que caducaram, partiram, tantas por ofensa, tantas apenas por esquecimento.»

Licenciado em Direito e com uma pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Valter Hugo Mãe tem publicados sete romances. Os quatro primeiros, o nosso reino (2004), o remorso de baltazar serapião (2006), o apocalipse dos trabalhadores (2008) e a máquina de fazer espanhóis (2010) são conhecidos como a “tetralogia das minúsculas”, pois foram escritos sem qualquer maiúscula, incluindo o nome do autor, que pretendia assim chamar a atenção para a natureza oral dos textos e a recondução da literatura à liberdade primeira do pensamento, além de que, como o próprio autor tem afirmado, as minúsculas aludem também a uma utopia de igualdade, uma certa democracia que equiparava as palavras na sua grafia para deixar ao leitor definir o que devia ou não ser acentuado. Estes quatro romances, sem ligação narrativa entre si, acompanham as quatro fases da vida de todos nós: n’ o nosso reino, conhecemos a história de um menino de oito anos que vive numa pequena aldeia portuguesa nos anos 1970; em o remorso de baltazar serapião, romance cruel, é-nos revelado um mundo em que a mulher mais não é do que um instrumento da vida do homem; o apocalipse dos trabalhadores, talvez o romance mais divertido de valter hugo mãe, é feito da história sempre trágica de duas empregadas de limpeza e carpideiras profissionais que, entre cansaços e desilusões, encontram ainda motivos de esperança; finalmente, em a máquina de fazer espanhóis, romance que ilustra os conceitos de família e solidão, amizade e compromisso, é a velhice que encontramos descrita através da história de António Jorge da Silva, um barbeiro de 84 anos que, após perder a mulher, vai viver num lar de idosos.



A esta tetralogia, seguir-se-ão O Filho de Mil Homens (2011), A Desumanização (2013) e Homens Imprudentemente Poéticos (2013).



A Verdadeira História dos Pássaros (2009), A História do Homem Calado (2009), O Rosto (2010), As mais belas coisas do mundo (2010), Quatro Tesouros (2011) e O Paraíso são os Outros (2014) são obras dedicadas aos leitores mais pequenos.


Em 2015, publica Contos de cães e maus lobos,
que considera um livro para todas as idades e feito de uma esperança profunda.

Em 2018, reuniu a sua poesia no livro publicação da mortalidade.

Como editor, em 1999 fundou com o escritor Jorge Reis-Sá a Quasi edições (na qual publicou obras de Mário Soares, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Manoel de Barros, António Ramos Rosa, Artur do Cruzeiro Seixas, Ferreira Gullar, Adolfo Luxúria Canibal, entre outros). Em 2006, fundou a editora Objecto Cardíaco, votada à edição de “textos menos óbvios”. Entre 2001 e 2004, co-dirigiu a revista Apeadeiro.

No cinema, colaborou no guião da curta metragem Bicicleta, de 2014, realizada por Luís Vieira Campos, e de Surdina, filme realizado por Rodrigo Areias em 2020.

Para além da escrita, Valter Hugo Mãe tem-se dedicado à música (tendo colaborado em vários projetos, como vocalista, no grupo Governo, ou como letrista, caso do álbum Disco de Cabeceira, de Paulo Praça, de 2009, ou do álbum Animal, dos Osso Vaidoso, em 2010), e ao desenho, com uma primeira exposição individual de 2020 em Vila Nova de Gaia.


“Todos os livros são infinitos. Começam no texto e estendem-se pela imaginação. Por isso é que os textos são mais do que gigantescos, são absurdos de um tamanho que nem dá para calcular. Mesmo os contos, de pequenos não têm nada. Se soubermos entender, crescemos também, até nos tornarmos monumentais pessoas. Edifícios humanos de profundo esplendor.

Devemos sempre lembrar que ler é esperar por melhor."

(Do conto “Bibliotecas, in Contos de cães e maus lobos)

 

Bibliografia

(*) disponível na Biblioteca do ECB 

Poesia

1996 - Silencioso corpo de fuga. A Mar Arte. Coimbra

1997 - O sol pôs-se calmo sem me acordar. A Mar Arte. Coimbra

1999 - Entorno a casa sobre a cabeça. Silêncio da Gaveta Edições. Vila do Conde

1999 - Egon schielle auto-retrato de dupla encarnação, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto

2000 - Estou escondido na cor amarga do fim da tarde, editora Campo das Letras

2000 - Três minutos antes de a maré encher, editora Quasi Edições

2001 - A cobrição das filhas, editora Quasi Edições

2003 - Útero, editora Quasi Edições

2003 - O resto da minha alegria seguido de a remoção das almas, editora Cadernos do Campo Alegre

2006 - Livro de maldições, editora Objecto Cardíaco

2007 - Pornografia erudita, editora Edições Cosmorama

2007 - Bruno, editora Littera Libros

2008 - Folclore íntimo, editora Edições Cosmorama

2010 - Contabilidade, editora Objectiva

2018 - Publicação da mortalidade, Porto Editora (Assírio & Alvim)

Romance

2004 - O nosso reino, editora Temas e Debates (em 2015 foi publicado pela Porto Editora com prefácio de Ferreira Gullar) (*)

2006 - O remorso de baltazar serapião, editora QuidNovi (em 2015 foi publicado pela Porto Editora com prefácio de José Saramago) (*)

2008 - O apocalipse dos trabalhadores, editora QuidNovi ( m 2015 foi publicado pela Porto Editora com prefácio de Adonis(

2010 - A máquina de fazer espanhóis, editora Alfaguara (em 2016 foi publicado pela Porto Editora) (*)

2011 - O Filho de Mil Homens, editora Alfaguara (em 2015 foi publicado pela Porto Editora com prefácio de Alberto Manguel) (*)

2013 - A Desumanização, Porto Editora. Finalista do Prémio Oceanos 2015 (*)

2013 - Homens Imprudentemente Poéticos, Porto Editora, com prefácio de Miguel Gonçalves Mendes

2020 - Contra mim, Porto Editora

Contos

2015 - Contos de Cães e Maus Lobos, Porto Editora, com prefácio de Mia Couto

Infantil

2009 - A Verdadeira História dos Pássaros, editora QuidNovi

2009 - A História do Homem Calado, editora QuidNovi

2010 - O Rosto, editora Objectiva, ilustrações de Isabel Lhano

2010 - As mais belas coisas do mundo, editora Objectiva, ilustrações de Paulo Sérgio Beju

2011 - Quatro Tesouros, editora Algaguara, ilustrações de Patrícia Furtado

2014 - O Paraíso são os Outros, Porto Editora, ilustrações de Esgar Acelerado (*)

Prémios e Reconhecimento

2007 - Prémio Literário José Saramago, com o livro o remorso de baltazar serapião atribuído pela Fundação Círculo de Leitores, em Lisboa.

2010 - Pena de Camilo Castelo Branco no Famafest – Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Vila Nova de Famalicão

2012 - Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura Melhor Romance do Ano, com o livro a máquina de fazer espanhóis

2021 - Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, com a obra Contra Mim.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

Dia Mundial das Bibliotecas

 


A comemoração do Dia Mundial das Bibliotecas, a 1 de julho, pretende sublinhar a importância da leitura na educação e na formação de todos. De acordo com o Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas, “A biblioteca pública - porta de acesso local ao conhecimento - fornece as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais.” [Manifesto da IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas 1994]

No mesmo sentido, a UNESCO considera que as bibliotecas escolares propiciam informação e ideias fundamentais para o funcionamento da sociedade, baseada na informação e no conhecimento. As bibliotecas escolares, ligadas às mais extensas redes de bibliotecas e de informação, no cumprimento dos princípios do Manifesto UNESCO para a Biblioteca Pública, habilitam os estudantes para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolvem a imaginação, contribuindo para o seu crescimento como cidadãos responsáveis.

É este o desígnio da Biblioteca do Externato Cooperativo da Benedita, cumprindo a sua missão no desenvolvimento das literacias, através da dinamização de uma série de atividades com vista à promoção da leitura e à formação de leitores, em estrita colaboração com as turmas e os docentes.

E se, em primeiro lugar, está ao serviço dos alunos, está também aberta à comunidade e funciona como um forte elo de ligação entre a Escola e os antigos alunos que continuam a procurá-la como apoio durante o seu percurso académico, profissional e pessoal.



António Mota - autor do mês de julho

 


O escritor António Mota nasceu em Baião, distrito do Porto, a 16 de Julho de 1957, e é reconhecido principalmente como autor de livros para crianças e jovens. Em 2019 estreou-se na literatura para adultos com o livro No meio do nada.

Começou a sua carreira profissional como professor do Ensino Básico e uma parte da sua obra literária e das suas intervenções públicas transporta experiências e memórias construídas na escola. Em 1979, publicou o primeiro livro, A Aldeia das Flores. Desde então não parou de escrever, sendo hoje um dos autores mais lidos e premiados da literatura infantojuvenil portuguesa, com mais de noventa títulos publicados, muitos deles selecionados para o Plano Nacional de Leitura.

A obra de António Mota reparte-se entre o conto, a novela, o reconto e a poesia.

Recebeu vários prémios, dos quais se destacam o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (1983), para O Rapaz de Louredo; o Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens (1990), para Pedro Alecrim; o Prémio António Botto (1996) para A Casa das Bengalas; e o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, categoria «Livro Ilustrado» (2004), para Se eu fosse muito magrinho. Em 2008, foi agraciado pela Presidência da República com a Ordem da Instrução Pública.

Em 2014, foi nomeado para o prémio literário sueco ALMA, um dos mais importantes prémios internacionais na área da literatura infantojuvenil, por ser considerado um dos mais prolíficos escritores portugueses para a infância e juventude e pela universalidade e intemporalidade da sua obra. Esta nomeação repetiu-se na edição de 2015.

No Meio do Nada, publicado em 2019, é o seu primeiro livro para adultos, publicado quando comemorava os 40 anos de uma carreira literária a semear histórias que alimentaram a imaginação de milhares de leitores.


Entre a quase centena de obras publicadas por António Mota ao longo destes 40 anos, na Biblioteca do ECB pode encontrar as seguintes:

A Aldeia das Flores, 1979

O Rapaz de Louredo, 1985

Pardinhas, 1989

Sal, sapo, sardinha, 1996

Os Heróis do 6º F, 1996

O agosto que nunca esqueci, 1998

O livro das adivinhas, 2001

O livro dos provérbios, 2001

O galo da velha Luciana, 2002

Abada de histórias, 2002

Filhos de Montepó, 2003

Maria Pandorca, il. Júlio Vanzeler, 2004

A terra do anjo azul, 2007

Clarinha, il. Júlio Vanzeler, 2009

Os sonhadores, 2016







segunda-feira, 21 de junho de 2021

Três Histórias do Futuro - o flipbook da Catarina

 


Na disciplina de Oficina Gráfica, do 11º ano do Curso Profissional de Design Gráfico, os alunos desenvolvem o projeto de um ebook e flipbook, no módulo de Design Editorial. Além de os alunos escolherem um autor e os textos que vão publicar, é obrigatório que três desses textos adotem formas, como nas composições caligráficas ou poesia concreta/ visual, que as ilustrações sejam originais, e que os alunos criem um título e uma editora.

A aluna Catarina Santos, inspirando-se em textos de Luísa Ducla Soares, apresenta-nos Três Histórias do Futuro & Três poemas do Presente, um flipbook com ilustrações analógicas com acabamentos digitais, pois a Catarina gosta de pintar a aguarela.

https://www.flipsnack.com/68AFEFDD75E/tr-s-hist-rias-do-futuro.html


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Reinventar uma capa: Exposição de Educação Visual

 


Os alunos do 9º ano, na disciplina de Educação Visual, elaboraram projetos de capas para dois livros que são património da literatura universal:

O Hobbit, de J. R. R. Tolkien

O Diário de Anne Frank

segunda-feira, 7 de junho de 2021

“Science for Society” - websites criados pelos alunos do 12º A



Trabalhos de Projeto realizados pelos alunos do 12.º A no âmbito da disciplina de Biologia:

Website sobre Transgénicos: https://transgenicosedu.wixsite.com/website

Website sobre Biotecnologia e a Diabetes: https://diabetes817.webnode.pt/

Vídeo sobre FIV – Fertilização in vitro: https://youtu.be/gdgLsWhL50k

Website sobre Crescimento Populacional: https://trabalho-de-grupo-biologia-3p.webnode.pt



terça-feira, 1 de junho de 2021

Livros do mês de junho – os melhores contos de...

 


No mês que começa com o dia em que se celebra mundialmente a criança e os seus direitos, a Biblioteca do ECB consagra esta rubrica aos mais pequenos e à literatura que para eles tem sido concebida.

Se a literatura é lugar de prazer e de encantamento, a leitura, além de oferecer entretenimento e conhecimento, estimula a criatividade, a empatia, o raciocínio, o respeito, a imaginação e o desenvolvimento cognitivo, melhora a linguagem e o vocabulário, contribui para o pensamento crítico e amplia a nossa visão do mundo e de nós mesmos, uma visão que nos torna mais sensíveis e mais humanos.

Também a leitura entre os mais novos permite o desenvolvimento destas e de outras competências, pois o diálogo proporcionado pelos livros oferece múltiplos significados do mundo. Por isso o gosto pela leitura deve ser desenvolvido desde cedo, mesmo antes de as crianças aprenderem a ler. A literatura infantil, à medida que as crianças crescem, passa a cumprir outros papéis, colaborando com o processo de alfabetização e auxiliando no momento de abordar assuntos complexos e de entender as emoções.

Ou seja, quando pensamos em literatura para os mais pequenos, não podemos pensar que esta existe apenas para fins de aprendizagens cognitivas ou de entretenimento, mas também que tem potencial para o desenvolvimento social e emocional da criança. As histórias devem educar para as emoções, auxiliar na socialização e ajudar a enfrentar e resolver problemas.

A literatura infantil, enquanto ramo da literatura dedicado especialmente às crianças, terá surgido nos finais do século XVII, com o objetivo de transmitir valores morais e criar hábitos de convivência social, reunindo em antologias excertos de obras clássicas, muitas vezes adaptadas em fábulas, e destinadas  à educação moral das crianças.

É deste período a obra do escritor e poeta francês Charles Perrault (1628-1703), que estabeleceu as bases para um novo género literário, o conto de fadas, e foi o primeiro a dar um estatuto literário a este tipo de literatura, o que lhe conferiu o título de "Pai da Literatura Infantil".

(Charles Perrault)

No século XVIII, os progressos científicos e tecnológicos que se começam a verificar levam à diminuição da mortalidade infantil e desenvolve-se um novo sentimento de infância, adquirindo a criança estatuto per se e desaparecendo a ideia de que é apenas um “adulto em miniatura”.

São deste século, por exemplo, as considerações de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) sobre a educação e o crescimento das crianças, tal como podemos encontrar na obra Emílio, publicada em 1762, onde propõe que a pedagogia permita à criança desenvolver-se naturalmente na afirmação espontânea da sua essência e de acordo com a sua própria experiência pessoal, evitando que se torne vítima das deformações que a sociedade lhe impõe.

(Jean-Jacques Rousseau)


Também a ascensão da burguesia, após as revoluções liberais e a revolução industrial, começa a “democratizar” a cultura e abre espaço à literatura e à pedagogia na educação das crianças. Antes disso, enquanto as crianças da nobreza entravam em contacto com os “clássicos”, as das classes populares ouviam lendas e contos folclóricos que faziam parte da chamada “literatura de cordel”.

No século XIX, o nacionalismo romântico conduz à valorização da cultura popular, sobretudo na Alemanha, reavivando o interesse pelos contos de fadas, enquanto parte do folclore nacional, construído na convicção de que a identidade nacional poderia ser encontrada na cultura popular e no povo comum (Volk, em alemão).

Datam deste período as histórias dos alemães Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859), os conhecidos irmãos Grimm, que começaram por recolher e publicar contos tradicionais, como um reflexo da identidade cultural alemã, evoluindo o folclore para contos de fadas. Os seus contos continuam ainda hoje a ser publicados, adaptados a outros tempos e culturas.

(Os Irmãos Grimm)

São também do século XIX os contos de Hans Christian Andersen (1805-1875), o dinamarquês que, a partir da leitura de obras como As Mil e Uma Noites ou dos teatrinhos de marionetas que o pai lhe fazia, compôs uma obra vocacionada cada vez mais para a escrita infantil que, embora não isenta de algumas lições morais, se orienta para o divertimento e para ir ao encontro de um imaginário infantil.

(Hans Christian Andersen)

Apesar de ter escrito diversos romances para adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos de fadas que tornaram Hans Christian Andersen famoso, especialmente numa altura em que eram ainda muito raros livros destinados especificamente a crianças.

Para alguns estudiosos, Hans Christian Andersen foi a "primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças", nas quais procurava passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela sociedade, apontando os confrontos entre "poderosos" e "desprotegidos", "fortes" e "fracos", "exploradores" e "explorados", demonstrando a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais.

Em Portugal, a partir do século XIX, começam a surgir as primeiras produções concebidas para a leitura das crianças, como os Contos para a Infância, de Guerra Junqueiro (1875), a que se seguirão História de Jesus para as Criancinhas Lerem, de Gomes Leal (1883) ou "Para as crianças", em Campo de Flores, de João de Deus Ramos (1893).

(João de Deus)

No início do século XX continua a desenvolver-se em Portugal uma produção literária vocacionada para a infância, pela mão de autoras como Ana de Castro Osório, Virgínia de Castro e Almeida ou Maria Sofia de Santo Tirso. Ao longo do século XX, vários autores assumem a dupla faceta de autores para adultos com incursões de grande qualidade na escrita para crianças, como Raul Brandão (Portugal Pequenino) ou Aquilino Ribeiro (O Romance da Raposa), enquanto outros autores evoluem da literatura para adultos para se dedicarem quase em exclusivo à literatura infantil, como Luísa Dacosta, Maria Alberta Menéres ou Esther de Lemos.

Atualmente a literatura infantil deixou de ter por objetivo a educação moral das crianças. Criada para propiciar uma nova visão da realidade, aliando diversão e lazer, pode dizer-se que a literatura infantil se preocupa muito com a estimulação, através do livro, de impressões sensoriais (auditivas, visuais, tatéis e até olfativas, como as que encontramos nos livros para crianças muito pequenas e que ainda não sabem ler), continuando a recorrer muitas vezes a personagens que encarnam o maravilhoso, nomeadamente personagens animais ou dotadas de poderes sobrenaturais, mas também produzindo histórias fictícias, biografias, novelas, poemas, obras folclóricas e culturais, ou simplesmente obras que explicam factos da vida real, como encontramos na Coleção “Primeiros passos ... nas artes, ciências, matemática”, na Coleção de “Auto-ajuda para crianças” (Quando acontecem coisas más, como lidar com a doença, a morte de um familiar, o divórcio dos pais, o nascimento de um irmão, etc), ou ainda na “Coleção Filosofia para Crianças”.








Nos tempos em que vivemos, com a tecnologia a rodear tudo o que fazemos, é um grande desafio fazer com quem os pequenos se interessem pelos livros. As crianças devem ser levadas até espaços que estimulem esse interesse, como bibliotecas e livrarias, e devem ser valorizados e incentivados a ser protagonistas na hora da leitura e do conto de uma história, mesmo que façam apenas a leitura de imagens, se ainda não souberem ler (Luna Jimenez, A importância da literatura infantil para o desenvolvimento intelectual e afetivo das crianças, in https://saomarcos.br/wordpress/escola/2018/07/30/a-importancia-da-literatura-infantil/, jul 30, 2018).

Em maio de 2018, a revista Estante, da cadeia de lojas FNAC, propunha a seguinte lista dos 10 melhores livros infantis (destinadas a um público com idade inferior a 16 anos) dos últimos 50 anos:

O Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos (1968) (*)

A Lagartinha Muito Comilona, Eric Carle (1969)

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, Jorge Amado (1976) (*)

Rosa, Minha Irmã Rosa, Alice Vieira (1979)

GGG: O Grande Gigante Gentil, Roald Dahl (1982)

Histórias da Terra e do Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen (1984) (*)

A Toupeira que Queria Saber quem lhe Fizera Aquilo na Cabeça, Werner Holzwarth (1989)

O Grufalão, Julia Donaldson (1999)

Persépolis, Marjane Satrapi (2000) (*)

Pê de Pai, Isabel Minhós Martins (2006)

(*) na Biblioteca do ECB






Para saber mais sobre literatura infantil, consultar:

https://www.infopedia.pt/$literatura-infantil

https://vanessacavalcante.com/aspectos-historicos-da-literatura-infantil.html

https://pt.slideshare.net/Joana_Melazzo/literatura-infantil-35619430

http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/literatura-infantil

https://lunetas.com.br/afinal-para-que-serve-a-literatura-infantil/

Mariana Duarte da Costa Fernandes, A Importância da Literatura Infantil no Desenvolvimento Socioemocional das Crianças, in 
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/23137/1/MARIANA_FERNANDES.pdf

Luna Jimenez, A importância da literatura infantil para o desenvolvimento intelectual e afetivo das crianças (jul 30, 2018), in https://saomarcos.br/wordpress/escola/2018/07/30/a-importancia-da-literatura-infantil/



quinta-feira, 27 de maio de 2021

Menos é Mais - o jornal digital do 10º B

 



A direção do Externato Cooperativo da Benedita propôs no início do ano letivo 2020/2021 que o tema central dos projetos do Domínio e Autonomia Curricular fosse a Sustentabilidade.

         Como resultado deste ano de trabalho, os alunos do 10º ano, turma B, de Ciências e Tecnologias, do Externato Cooperativo da Benedita elaboraram um Jornal Digital com o Tema “Menos é Mais”, integrado na temática global da escola.

         A apresentação deste jornal ocorreu no dia 24 de maio de 2021 e contou com a presença do Diretor, Dr. Nuno Rosa, dos professores da turma e dos alunos da turma A do 10º ano de Ciências e Tecnologias, aos quais agradecemos a presença.



O site a que devem aceder para conhecer e participar no nosso trabalho é o que se segue:

https://menosemais811493790.wordpress.com/

Muito Obrigada!

A Turma B, do 10º ano de CT


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

 


"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão."

Artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos


Comemora-se hoje o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, data proclamada em 1993, na 26ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO em Paris.

O dia 3 de Maio foi escolhido para assinalar o aniversário da Declaração de Windhoek, declaração aprovada durante um seminário organizado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura) e pelo MISA (Instituto para a Comunicação Social da África Austral) sobre a "Promoção da Independência e do Pluralismo da Imprensa Africana", que se realizou em Windhoek, Namíbia, de 29 de Abril a 3 de Maio de 1991.

O artigo V da Declaração de Windhoek, em harmonia com o artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, considera que “a tendência mundial para a democracia e a liberdade de informação e de expressão é um contributo fundamental para a realização das aspirações da humanidade” e que "o estabelecimento, manutenção e promoção de uma imprensa independente, pluralista e livre é essencial para o desenvolvimento e a manutenção da democracia numa nação, e para o desenvolvimento económico", isto é, a Liberdade, a Independência e o Pluralismo dos meios de comunicação social são princípios essenciais para a salvaguarda da Democracia e dos Direitos Humanos.


Com a comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pretende-se:

  • promover os princípios fundamentais da liberdade de imprensa;
  • sensibilizar os líderes políticos e a comunidade em geral para a defesa da liberdade de imprensa;
  • combater os ataques feitos aos media e impedir as violações à liberdade de imprensa;
  • lembrar os jornalistas que são vítimas de ataques, capturados, torturados ou a quem são impostas limitações no exercer da sua profissão;
  • prestar homenagem a todos os profissionais que faleceram vítimas de ataques terroristas ou que foram assassinados por organizações terroristas no desempenho das suas funções.

Portugal, desde a instauração do regime democrático em abril de 1974, após décadas de censura, é um país onde a liberdade de imprensa é garantida constitucionalmente. De acordo com o Artigo 38º da Constituição da República Portuguesa (sobre Liberdade de imprensa e meios de comunicação social):

1. É garantida a liberdade de imprensa.

2. A liberdade de imprensa implica:

a) A liberdade de expressão e criação dos jornalistas e colaboradores, bem como a intervenção dos primeiros na orientação editorial dos respetivos órgãos de comunicação social, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional;

b) O direito dos jornalistas, nos termos da lei, ao acesso às fontes de informação e à proteção da independência e do sigilo profissionais, bem como o direito de elegerem conselhos de redação;

c) O direito de fundação de jornais e de quaisquer outras publicações, independentemente de autorização administrativa, caução ou habilitação prévias.


No entanto, sabemos que a nível mundial a liberdade de imprensa está cada vez mais ameaçada pela proliferação da desinformação que grassa nas redes sociais, nos media e em outras plataformas de fácil acesso. Além disso, todos os anos vários jornalistas são capturados e mantidos prisioneiros em diversas regiões do mundo, com destaque para os países onde vigoram regimes ditatoriais.

A ONG internacional e independente Repórteres Sem Fronteiras (RSF) desenvolve esforços para proteger os profissionais de comunicação social em todo o mundo e alerta para os perigos a que estão sujeitos no desempenho do seu trabalho. Anualmente, avalia a situação mundial da liberdade de imprensa em 180 países e territórios e dá a conhecer o ranking.

A edição 2021 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mostra que o exercício da atividade jornalística está gravemente comprometido em mais de 130 países e que o jornalismo, a principal “vacina contra o vírus da desinformação”, como afirmou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, está total ou parcialmente limitado em 73% dos países avaliados.

No documento da RSF 2021 sublinha-se que houve uma "deterioração dramática" da liberdade de imprensa desde que a pandemia atingiu o planeta, verificando-se que alguns países utilizaram a pandemia do novo coronavírus "para bloquear o acesso dos jornalistas à informação, fontes e reportagens no terreno".

De acordo com os últimos dados, apenas 12 dos 180 países avaliados, ou seja, 7% (eram 8% em 2020), podem orgulhar-se de proporcionar um ambiente favorável à informação, aparecendo a Noruega, pelo quinto ano consecutivo, em primeiro lugar no ranking, seguida da Finlândia, da Suécia e da Dinamarca, confirmando o destaque do "modelo nórdico". No campo oposto, encontramos países como a Índia (142º), o México (143º), a Rússia (150º), ou a China (177º). Os últimos lugares do ranking são ocupados pelo Turquemenistão (178º), a Coreia do Norte (179º) e a Eritreia (180º).

Portugal, em 2021, aparece classificado em 9º lugar, verificando-se a subida de uma posição face aos dados de 2020.


No ano em que se comemoram os 30 anos da Declaração de Windhoek, a ONU escolheu o lema “A informação como um bem comum”, realçando a diferença entre a informação e outros tipos de conteúdos de comunicação, como a desinformação, o discurso de ódio ou o entretenimento. O objetivo é chamar a atenção para o papel da imprensa na produção de notícias como informação verificada de interesse público e como isto depende de um ecossistema mais amplo que transforma a informação num bem comum.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2021 enfatiza três imperativos para este ecossistema:

  • medidas para garantir a viabilidade económica dos meios de comunicação social;
  • mecanismos para garantir a transparência das empresas da Internet;
  • melhoria das capacidades de literacia mediática e informacional que permitam aos cidadãos reconhecer e valorizar, assim como defender e exigir, a imprensa como parte fundamental da informação como um bem comum.