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domingo, 6 de agosto de 2017

Dia de Hiroshima



A 6 de agosto de 1945, a cidade de Hiroshima, uma cidade portuária no oeste do Japão e uma importante base militar japonesa, acordou para o horror com o lançamento da primeira bomba atómica sobre alvos civis: a bomba atómica de urânio, apelidada de “Little Boy”, saída do bombardeiro B-29 norte-americano “Enola Gay” (nome que prestava homenagem à mãe do piloto do avião).


A 9 de agosto, a aviação norteamericana lançou uma segunda bomba nuclear, desta vez de plutónio (“Fat Man”), sobre a cidade de Nagasaki, também no Japão.
[Nagasaki foi fundada por navegadores portugueses em 1570. No local onde havia uma pequena vila de pescadores, os portugueses criaram um centro comercial que durante muitos anos foi a porta do Japão para o mundo, um porto comercial para os ingleses, holandeses, coreanos e chineses. Apesar de, em 1637, devido a uma grande reação interna, os portugueses terem sido expulsos, a cidade manteve-se como um centro de influência portuguesa e durante várias décadas foi considerada a capital do catolicismo no Japão. Em 2007, as igrejas e outros sítios cristãos da cidade foram inscritos na lista de candidatos a Património Mundial da UNESCO. Em 2016, o realizador norteamericano Martin Scorsese dirigiu a adaptação cinematográfica do livro Silêncio, do escritor japonês Shusaku Endo, que acompanha o drama vivido pelos jesuítas portugueses que, no século XVII, enfrentam a violência e perseguição do governo japonês que deseja expurgar o país de todas as influências externas e os obriga à apostasia.]


Os efeitos das explosões mataram entre 90 mil e 166 mil pessoas em Hiroshima e entre 60 mil e 80 mil em Nagasaki; cerca de metade destas mortes em cada cidade ocorreu no primeiro dia. Durante os meses seguintes, várias pessoas morreram de queimaduras, envenenamento radioativo ou em consequência de outras lesões, que foram agravadas pelos efeitos da radiação. Em ambas as cidades, a maioria dos mortos era civil.
Dos 90 000 edifícios de Hiroshima, restaram 28 000. De 200 médicos na cidade, só 20 sobreviveram.
Os bombardeamentos atómicos destas cidades japonesas foram realizados pelos Estados Unidos contra o Império do Japão na fase final da Segunda Guerra Mundial. A guerra na Europa terminara em 8 de maio de 1945, quando a Alemanha assinou o acordo de rendição, mas a Guerra do Pacífico continuou. Juntamente com o Reino Unido e a China, os Estados Unidos pediram a rendição incondicional das forças armadas japonesas na Declaração de Potsdam, em 26 de julho de 1945, ameaçando uma "destruição rápida e total".
Em 15 de agosto, o Japão anunciou a sua rendição aos Aliados, o que viria a acontecer em 2 de setembro, com a assinatura do acordo de rendição pelo governo japonês, encerrando a Segunda Guerra Mundial.
O papel dos bombardeamentos na rendição do Japão e a sua justificação ética ainda hoje são pontos debatidos entre políticos e académicos e pela opinião pública internacional. Para muitos, o facto de a Guerra estar nos seus momentos finais e, sobretudo, o facto de os Aliados estarem já reunidos na Conferência de Paz de Potsdam, na Alemanha, retira qualquer justificação política ou mesmo militar para esta “agressão” norteamericana.
Não esqueçamos, contudo, que o fim da Segunda Guerra Mundial anunciava já o período que viria a ser conhecido por “Guerra Fria”, período marcado pela oposição político-ideológica entre os Estados Unidos e a União Soviética e pelos afrontamentos militares entre estas duas superpotências e os respetivos aliados, o que leva alguns historiadores a interpretarem o lançamento das duas bombas atómicas sobre o Japão como uma demonstração da força nuclear norteamericana perante os soviéticos.

Todos os anos, no dia 6 de agosto, a população de Hiroshima recorda as vítimas e os sobreviventes da bomba nuclear. Os sinos da cidade tocam às 8h15 (hora do lançamento de “Little Boy”) e a população faz silêncio em memória das vítimas. Também são lançados pombas, símbolos da paz, e são contados relatos de sobreviventes, entre outras iniciativas. 

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