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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Dia do Pão por Deus




História do Dia de Pão por Deus

Segundo a tradição, no dia 1 de novembro repartia-se pão cozido pelos pobres que batiam às portas a pedir “Pão por Deus”. A origem deste peditório está associada ao antigo costume de oferecer pão, bolos, vinho e outros alimentos aos defuntos. Quem pedia à porta era encarado como a alma do morto a errar pelo mundo e a pedir. O Pão de Deus é assim uma oferta às almas que partiram.
Em Portugal, era costume, nos últimos dias do mês de Outubro e até ao dia 1 de Novembro, Dia de Todos os Santos, as crianças saírem à rua e, sozinhas ou em pequenos grupos, andarem de porta em porta de saco na mão a pedir o Pão por Deus (ou o bolinho ou "santorinho"), ao mesmo tempo que recitavam versos e recebendo como ofertas pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas que colocavam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas. Em algumas povoações da zona centro e Estremadura chama-se ainda a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou ‘Dia do Bolinho’. Os bolinhos típicos são especialmente confecionados para este dia, sendo à base de farinha e erva-doce com mel (noutros locais leva batata doce e abóbora) e frutos secos como passas e nozes.


Nos últimos anos, têm surgido ameaças à continuidade desta tradição, em particular nas vilas e cidades, com a progressiva substituição do “Pão por Deus” pelo “Halloween”, festa importada da cultura norte-americana, mas com semelhanças com a tradição nacional, como por exemplo o peditório de guloseimas que as crianças realizam pelas casas da sua comunidade ou as expressões que utilizam. No “Pão por Deus”, se não recebem nada, as crianças podem responder com versos como os seguintes: “Esta casa cheira a alho! Aqui mora um espantalho!” ou “Esta casa cheira a unto! Aqui mora algum defunto!”. Pelo contrário, se recebem guloseimas, respondem com versos como este: “Esta casa cheira a broa! Aqui mora gente boa!”.





"A progressiva implantação do Halloween em Portugal constitui um exemplo de ameaça ou risco à continuidade do “Pão-por-Deus” como manifestação do Património Imaterial português. Em primeiro lugar, substitui os versos tradicionais, manifestações da tradição oral da comunidade, por expressões orais originárias do Inglês (“Doçura ou travessura!” / “Trick or treat!”). Em segundo lugar, introduz neste peditório cerimonial infantil o uso de máscaras e fatos muito semelhantes às usadas no Carnaval, mas que tradicionalmente eram totalmente ausentes do “Pão-por-Deus”. Finalmente, e como bem expressam as alterações do nome da tradição, da forma e conteúdo da tradição oral, e também o tipo de máscaras que passaram a ser utilizadas pelas crianças, a introdução do “Halloween” eliminou por completo as conotações religiosas muito presentes na antiga tradição do “Pão-por-Deus”."

In: http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/Download/Kit/KIT_Ficha%2002_Tradi%C3%A7%C3%B5es%20Festivas.pdf


Alguns versos tradicionais:

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz

Truz, Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
Para vir dar um tostãozinho.

Se recebem doces:
Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.
Se não recebem doces:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto,
Aqui mora algum defunto.


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